Resenha: Azincourt, de Bernand Cornwell

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Resenha: Azincourt, de Bernand Cornwell

Me perdoe Dan Brown, mas Cornwell é o mestre dos detalhes e fatos históricos. Para quem não o conhece, Bernand Cornwell é um dos grandes escritores britânicos, trabalhou na BBC londrinha e hoje mora nos Estados Unidos com sua coleção de mapas . Ele vem marcando a literatura moderna com suas sagas, principalmente a mais comentada e longe de um desfecho, As Crônicas Saxônicas.

Ao contrário dos Best-Sellers e romance chick-lit estilo água com açúcar, Cornwell retrata a história de um modo peculiar, no livro Azincourt, temos uma visão minuciosa da Guerra dos cem anos pelo lado inglês e mais precisamente por um arqueiro, Nick Hook :

" Nicholas Hook sabia disparar, por isso estava em Soissons, sob a bandeira com suas tiras, seu leão e os lírios. Não tinha idéia de onde ficava a Borgonha, só sabia que o lugar tinha um duque chamado João, o Intrépido, e que o duque era primo em primeiro grau do rei da França."

Acreditando possuir uma maldição devido a uma briga de seu avô com a família Perril e um azar dantesco, Hook passa as primeiras páginas arrumando formas para matar os irmãos Tom e Robert Perril, filhos bastardos do padre Martin. Apesar de parecer um personagem cruel e sem personalidade vamos tendo sua construção aos poucos e talvez o ponto auge seja a morte de lolardos (hereges) em Londres, aonde o jovem não conseguiu salvar uma garota de ser estuprada, a pedido de uma voz a lá Joana D’arc com acertos (posteriormente descoberto como os santos franceses Crispin e Crispiano) pelo padre Martin.

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Declarado um fora da lei por agredir o padre, o jovem Hook acaba indo parar no campo de batalha. E começam as especulações lançadas por Cornwell de que a maioria de soldados eram franceses e da fascinante participação do Rei Henrique V, o mesmo abordado por William Shakespare em peça do mesmo nome:

 "Aquele que sobreviver esse dia e chegar a velhice, a cada ano, na véspera desta festa, convidará os amigos e lhes dirá: "Amanhã é São Crispim". E então, arregaçando as mangas, ao mostrar-lhes as cicatrizes, dirá: "Recebi estas feridas no dia de São Crispim." ( A vida do rei Henrique V, ato IV, cena III – Shakespeare )

A imagem de Hook se transforma em parte na lenda de Robin Hoob, sua força é a maior de todos, sua coragem e bondade. E por minha surpresa o personagem acaba sendo citado por Cornwell:

"Os arqueiros não disseram nada. A maioria estava surpresa demais com a pergunta para dar qualquer resposta.

— Todos vocês sabem assobiar? — perguntou Sir John de novo. — Bom! E todos conhecem a música “O lamento de Robin Hood?”

Todo arqueiro sabia essa música. Seria espantoso se não soubesse, porque Robin Hood era o herói dos arqueiros, o arqueiro que havia se erguido contra os senhores, príncipes e xerifes da Inglaterra." Bernand Cornwell deu tudo ao seu personagem, trama, inimigos, um amor, vingança, lutas, conflitos internos, religião e um delicioso gostinho de quero mais para nós.

Azincourt pode ser encontrado

por R$ 29,90 no Submarino.

Azincourt

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Tem a mesma profissão de Clark Kent, mas sonha em ser Bruce Wayne. Espera até hoje o final de Caverna do Dragão, sua convocação para Hogwarts e ser chamada para lutar na Terra Média!

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