Batman Earth One: uma nova visão para o herói de Gotham

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Batman Earth One: uma nova visão para o herói de Gotham

Quando a DC Comics anunciou, em 2009, o projeto Earth One com Superman e Batman, a primeira reação de todo mundo foi: “É a versão DC do universo Ultimate da Marvel”. Bem, não é, embora a premissa seja similar.

O objetivo principal foi o de recontar a história desses dois ícones da cultura pop sem as amarras de 70 anos de cronologia, claramente com a intenção de atrair novos leitores. Assim, as equipes criativas tiveram liberdade para desenvolver novos conceitos para os personagens sem alterar a essência dos mesmos. E, diferente do universo Ultimate da Marvel, as histórias seriam publicadas em graphic novels sem periodicidade definida. Nem precisa dizer que a expectativa gerada foi enorme.

O primeiro lançamento foi Superman: Earth One, em 2010. Com roteiro de J. Michael Straczynski e arte de Shane Davis, a HQ só serviu para mostrar o quanto é difícil trabalhar com o Homem de Aço (continuo achando que as melhores histórias do kryptoniano são as da série animada dos anos 90, de Bruce Timm). O escritor reinventa algumas passagens da história de Kal-El, como a criação de um responsável pela destruição de Krypton; de resto, a HQ não tem muita novidade e não acrescenta muita coisa. Depois que li fiquei com um pé atrás, embora a equipe criativa anunciada para o Batman fosse de responsa.

Tinha que ser o Batman

Batman-Earth-One-CoverPois não é que a equipe não decepcionou? Batman: Earth One, de Geoff Johns (roteiro) e Gary Frank (arte), foi lançada em julho nos EUA e é bem superior à graphic do Superman (mal aê, Kal-El).

Não que Johns tenha reinventado a roda, mas o Batman que ele apresenta quebra o velho clichê do herói fodão, infalível e cheio de si, capaz de colocar o Superman e outros tantos supers nos bolsos do cinto de utilidades. É uma abordagem mais realista do personagem, sem os exageros típicos dos super-heróis. O novo uniforme mostra bem isso – sem cueca por cima da calça.

batman contra alfredAlém disso, velhos personagens aparecem com uma nova roupagem, o que é um dos pontos fortes da graphic novel – principalmente um remodelado Alfred Pennyworth, muito mais jovem do que o tradicional.

A história de origem é basicamente a mesma, com pequenas mudanças. A principal é que Thomas Wayne, um dos homens mais ricos do mundo, está em campanha para a prefeitura de Gotham, com o objetivo de limpar a cidade da corrupção. Seu adversário é um candidato nada confiável. Depois de uma comemoração na Mansão Wayne por conta do primeiro lugar nas pesquisas de intenção de voto, Thomas, Martha e Bruce vão ao cinema. Mas antes do filme começar, a energia acaba. Quando estão voltando para casa, são abordados por um ladrão e Bruce assiste ao assassinato brutal de seus pais.

Batman Earth One

Sem ninguém da família para tomar conta do órfão, um relutante Alfred Pennyworth (veterano de guerra e amigo de Thomas Wayne) é obrigado a se tornar tutor de um revoltado Bruce. Anos depois já o vemos com o uniforme do Batman e com uma missão: vingar a morte dos pais, que ele acredita terem sido vítimas de uma conspiração política comandada pelo atual prefeito de Gotham, Oswald Cobblepot (é, ele mesmo, o Pinguim).

Só que ele ainda não está pronto e comete vários erros. Sem armas, usando gadgets que às vezes dão tilt, sem estratégia, movido apenas pelo ódio, ele não passa de um homem vestido de morcego, que não assusta ninguém – a sequência inicial, que mostra Batman em uma perseguição pelos telhados da cidade e que acaba mal, é um bom (e hilário) exemplo . Alfred, seu mentor e sua consciência, tenta fazê-lo desistir do que ele considera um erro. Mais à frente, ele vai descobrir que seu amigo estava certo.

Batman Earth One (Batman falls)

No decorrer da trama, velhos personagens vão surgindo, como um amedrontado Detetive James Gordon e sua filha Bárbara; um jovial, esbelto e inconveniente Harvey Bullock, detetive e subcelebridade da TV – ex-apresentador de um programa policial sensacionalista; e o jovem Lucius Fox, praticamente decalcado de sua versão mostrada dos filmes de Christopher Nolan. Na essência, são os mesmos personagens, só que uma pegada diferente, que surpreende velhos leitores como eu.

Assim como a HQ do Super, Batman: Earth One, é uma história de formação, onde o personagem principal, um homem obcecado por uma vingança, trilha o caminho para se tornar algo próximo de uma lenda, um símbolo. A maneira como Johns conta isso é empolgante e a arte precisa de Frank é um complemento luxuoso. Além do rito de passagem do Batman, o roteiro também mostra como o surgimento de um vigilante em Gotham muda radicalmente a vida dos demais personagens e provoca o surgimento de um oponente para o herói: o Charada. Na última ComiCon, Geoff Johns revelou que o vilão não lembrará em nada o personagem clássico dos quadrinhos regulares e terá uma postura mais violenta e estrategista, como um serial killer – ele comparou o novo perfil do Charada com o assassino Zodíaco, do filme de David Fincher. Não li e já gostei!

Batman Earth One (Batman eyes)

A DC já confirmou a sequência da graphic novel do Bátema, embora não haja previsão de data (a do Super está em stand by – mal aê, Kal-El). Resta agora esperar que o primeiro volume das mesmas seja publicado no Brasil.

O Batman é ou não é o maior super-herói do universo DC?

Bruno Alves

Bruno Alves é professor, rabisca de vez em quando uns desenhos por aí e tem sempre uma música tocando em off na cabeça, mesmo quando não está usando headphones. E sim, ele gosta dos Titãs.

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