Batman: Lendas do Cavaleiro das Trevas – Marshall Rogers Vol. 1 | CRÍTICA

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Batman: Lendas do Cavaleiro das Trevas – Marshall Rogers Vol. 1 | CRÍTICA

Batman - Lendas do Cavaleiro das Trevas – Marshall Rogers[leftbox]

Estamos em crise, mas o mercado brasileiro de quadrinhos parece não saber disso.

A quantidade de novos títulos a cada mês nas lojas especializadas é assustadora – e tem para todos os gostos, de graphic novels a quadrinhos autorais, passando pelos indefectíveis super-heróis e pelo excelente momento do quadrinho brasileiro.

Por outro lado, esse é o melhor dos mundos para nós, os leitores, sejam novatos ou velhos carcomidos e exigentes como eu.

De minha parte, estou adorando o resgate de obras clássicas das hq’s, como os álbuns do Fantasma da Pixel e as reedições de quadrinhos históricos de super-heróis.

Nesse último caso, o destaque vai para a coleção Batman – Lendas do Cavaleiro das Trevas, que a Panini vem publicando com certa irregularidade desde 2015. A ideia da coleção é resgatar histórias do Batman ilustradas por grandes artistas como Neal Adams, Alan Davis, Jim Aparo e Marshall Rogers – cada um deles imprimiu sua marca no modo de representar o herói que influencia, até hoje, as novas gerações de artistas.

Batman – Lendas do Cavaleiro das Trevas – Marshall Rogers Vol. 1 (164 páginas, capa cartonada, colorido, R$ 23,90) é o mais novo lançamento da coleção – e é imperdível![/leftbox]

Em primeiro lugar, é bom reforçar: a coleção tem como objetivo destacar os desenhistas do Batman. Por isso, não se espante se por acaso der de cara com um roteiro simples (ou simplório) numa HQ com arte exuberante – para isso, devemos levar em conta o contexto (sempre ele) no qual essas hq’s foram publicadas.

Felizmente, a relação custo-benefício desse primeiro volume dedicado ao artista Marshal Rogers é excelente. Apenas a primeira historia (A Batalha das Máquinas Pensantes, escrita por Bob Rozakis) é ruim de doer, com um vilão ridículo chamado Calculador.

A coisa sobe de nível a partir da segunda HQ, Os Mortos Ainda Vivem, publicada na revista Detective Comics #471, em 1977 e que marca o início da parceria entre Marshal Rogers e o escritor Steve Englehart. As seis edições que a dupla produziu ficou conhecida depois como A Saga de Batman e há muito tempo mereciam uma republicação no Brasil.

Nessas histórias, Batman enfrenta inimigos como Rupert Thorne, político corrupto que comanda a cidade e quer afastar o herói das ruas; o doutor Hugo Strange; o velho Pinguim, o Pistoleiro e o Coringa. Completam o álbum duas hq’s escritas por Len Wein, onde o Morcego enfrenta o Cara de Barro.
Batman - Lendas do Cavaleiro das Trevas – Marshall Rogers Vol. 1

Mas porque esse álbum é imperdível?

Bem, primeiro porque oito das nove histórias são de uma excelente fase do Batman nos anos 1970, quando o herói estava no auge depois de ter sido resgatado da feira da fruta dos anos 1960; segundo, porque Marshall Rogers é um excelente desenhista, um dos melhores que passaram pelo Morcego, dono de um traço elegante e de um apuro técnico na ambientação das histórias, com ângulos ousados da selva urbana que é a cidade de Gotham. Além disso, ainda temos a arte-final classuda de Terry Austin. E terceiro porque temos aqui dois clássicos incontestáveis do eterno confronto entre o Cavaleiro das Trevas e o Palhaço do Crime!

O Peixe Risonho e A Marca do Coringa são duas hq’s emblemáticas dos personagens, tendo sido adaptadas num episódio da animação clássica do Batman. Resumindo: o Coringa envenena as águas da baía de Gotham e todos os peixes ficam com o macabro sorriso do vilão. A partir daí, ele chantageia a cidade para registrar os peixes risonhos como exclusivos e cobrar pelo consumo deles. Claro que a prefeitura não aceita e então o Coringa ameaça matar os funcionários da prefeitura responsáveis pelo registro de marcas, desafiando Batman e a polícia a impedi-lo.

No meio dos confrontos do herói com seus vilões, temos a trama de Silver St. Cloud, a namorada de Bruce Wayne, talvez a única mulher pela qual o Batman realmente se apaixonou, a ponto de ficar dividido entre o seu combate ao crime e a promessa de uma vida comum ao lado da mesma. O relacionamento entre os dois é promissor, mas os segredos do Cavaleiro das Trevas são maiores do que os dois podem suportar.

Por fim, as duas últimas hq’s, já com roteiro de Len Wein, mostram as consequências desse relacionamento e comprovam que o Batman, às vezes, é o vilão da história.

Nota: cinco canecas de Mocha

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Bruno Alves

Bruno Alves é professor, rabisca de vez em quando uns desenhos por aí e tem sempre uma música tocando em off na cabeça, mesmo quando não está usando headphones. E sim, ele gosta dos Titãs.

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