O caçador de Pipas por Khaled Hosseini – Resenha

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O caçador de Pipas por Khaled Hosseini – Resenha

Não tem nada mais frustrante do que entender a cultura dos outros numa bancada com quadro negro ou vendo notícias de terror das redes televisivas. Como ainda não dá para bancar viagens, o melhor recurso é procurar livros de pessoas que são da região e que realmente conhecem cada metro quadrado do que estão declarando. Faz sentindo ler um livro sobre a Itália escrita por um americano que nunca foi pra lá? Pra mim não.

Agora pegue todas as aulas de história do Oriente Médio e de Geopolítica e subtraia todos os estereótipos e o que temos? O que sabemos além da guerra? Nada ou talvez pouca coisa. Um dos lugares mais bonitos do mundo virou aos olhos estranhos um poço de poeira, explosões e extremistas. O caçador de Pipas do escritor e médico afegão, Khaled Hosseini é um bom meio de iniciar sua jornada. O livro retrata o Afeganistão da década de 70 na vida de dois meninos numa uma sociedade dividida em castas. Amir era um garoto pashtun, a classe dominante e seu único amigo (verdadeiro) era Hassan, um garoto hazara (Os hazaras dizem-se descendentes dos soldados mongóis que se estabeleceram na Ásia central – Alou Gengis Khan), a classe dominada. Amir foi criado sem mãe e a relação com seu pai era fria, apesar do grande amor que tinham entre si.

A história é contada desde a Infância do jovem Amir até a fase adulta narrando as aventuras com o amigo e os desencontros. Amir nunca foi tão valente ou tão nobre quanto Hassan, mas apesar dos ciúmes do jovem pashtun com a relação do seu pai com o Hassan, vemos momentos carinhosos e de arrependimentos. Hassan é o símbolo da lealdade fraternal, o jovem de lábio leporino nos mostra o quanto podemos esperar por gestos bons. Os conflitos que os envolvem, durante um campeonato de pipas no inverno de 197, tornam-se a redenção futura para as maldades do jovem Amir que após desperdiçar a última chance vai para os Estados Unidos, fugindo da invasão soviética ao Afeganistão.

“Comecei então a gritar, tudo era cor e som, tudo estava cheio de vida e era maravilhoso. Abracei Hassan com o braço que estava livre e começamos a pular ambos rindo, ambos chorando.

-Você ganhou Amir agha! Você ganhou!

– Eu sei – disse ele – Agora, vou apanhar aquela pipa azul para você.

– Hassan! – gritei eu – Volte com ela!

Ele já estava dobrando a esquina, com as botas de borracha levantando neve do chão. Parou e se virou. Pôs as mãos em concha junto da boca.

– Pôr você, faria isso mil vezes!”

Para aqueles que já viram ao filme (uma ótima reprodução) talvez tenham notado que o centro do problema não é amizade, este é um recurso primordial, mas a covardia. A atmosfera de redenção e de culpa é surpreendente.

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Tem a mesma profissão de Clark Kent, mas sonha em ser Bruce Wayne. Espera até hoje o final de Caverna do Dragão, sua convocação para Hogwarts e ser chamada para lutar na Terra Média!

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