Demolidor: Revelado | Resenha e Vídeo

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O Demolidor foi criado em 1964 por Stan Lee e Bill Everett, mas nasceu de verdade nos anos 1980 quando um tal de Frank Miller começou a escrever suas histórias.

Ao colocar o herói cego em aventuras essencialmente urbanas, tramas policiais e clima noir, com pouca participação de superseres, Miller praticamente recriou o personagem.

Depois da passagem de Miller (que retornou para uma segunda temporada e nos presenteou com o clássico A Queda de Murdock), os roteiristas ficaram numa situação delicada, já que o nível de expectativa dos leitores estava nas alturas. Felizmente, a maioria cumpriu a meta e o personagem teve boas histórias nas mãos de Denny O’Neill, Ann Nocenti, Kevin Smith e David Mack – essa é uma ordem cronológica e também de ascensão qualitativa.

Todos deixaram suas marcas no Demolidor, seja realçando e aprofundando a mitologia que Miller criou, seja inserindo novos elementos.

Quando o personagem estava no topo, David Mack passou a bola ao seu amigo (e roteirista recém-chegado à Marvel) Brian Michael Bendis. E aí, o advogado cego da Cozinha do Inferno recuperou toda a sua merecida glória nível Frank Miller e foi redefinido para sempre.

Não preciso falar sobre o Brian Michael Bendis, né? Quem acompanha quadrinhos regularmente sabe que o nome dele em qualquer título já é garantia de vendas.

É justamente o primeiro arco de Bendis à frente do Demolidor que a Panini (finalmente!!!!) publica no encadernado Demolidor: Revelado (356 páginas, couché colorido, capa dura, R$ 92,00). O volume compila as edições 26 a 40 da revista Daredevil e tem arte de Alex Maleev, Manuel Gutierrez e Terry Dodson.

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Devido a eventos acontecidos anteriormente, Wilson Fisk, o Rei do Crime, está cego. Mas ainda comanda seu império criminoso, embora sem a mesma força de antes. Diante desse sinal de fraqueza, o jovem Sammy Silke, filho de um capo antigo de Fisk, decide que é hora de virar o jogo. E ataca o Rei sem aviso, deixando-o à beira da morte.

Assumindo o império de Fisk, Silke tenta se enturmar com seus agentes e se aproximar de Richard Fisk, o decadente filho do Rei. Nesse processo, Silke descobre uma coisa que o deixa estarrecido: todos os soldados de Fisk sabem que Matt Murdock é o Demolidor, mas deixam quieta essa informação por ordem do chefe.

Quando Vanessa, a esposa de Fisk, sabe do que aconteceu ao seu marido, dá a ordem para que todos os traidores sejam eliminados. Escapando por milagre, Silke se entrega a polícia em busca de proteção e entrega o segredo de Murdock.

Em pouco tempo, a notícia estampa a primeira página do jornal Globo Diário! A revelação cai como uma bomba na vida de Matt Murdock. Alguém oferece um prêmio pela cabeça dele e isso coloca em risco todos aqueles que estão ao seu redor. E afinal, como um homem atormentado como Murdock reagirá a essa revelação?

É a partir dessa trama que Bendis nos dá uma das melhores HQs dos anos 2000 ao mexer com o cânone básico de todo super-herói: sua identidade secreta e as consequências de sua revelação.

E é nesse tipo de história que Bendis mostra todas as suas armas: desenvolvimento primoroso das relações entre os personagens, excelentes diálogos, reviravoltas surpreendentes e uma narrativa cuidadosa, bem arquitetada, sem pressas ou arroubos super-heroísticos. Quem não está acostumado com o estilo do escritor pode estranhar – afinal, não é uma história de super-herói? Então, cadê as grandiosas cenas de ação? Cadê as splash-pages? E as estrondosas onomatopeias?

Bendis não precisa disso para contar grandes histórias (embora quando é necessário, ele também saiba usar esses elementos de maneira magistral). E a aparente lentidão das histórias esconde uma arquitetura literária intrincada, que hipnotiza o leitor a cada página.

Completando essa obra-prima, temos a beleza da arte de Alex Maleev (edições 26 a 37), que mostra todo o seu domínio narrativo-visual na edição 28, totalmente sem texto. A HQ fez parte do evento da Marvel chamado ‘Nuff Said, em 2002, onde todas as revistas da Marvel foram publicadas sem texto, com as histórias sendo contadas apenas pela arte.

Demolidor: Revelado é daquelas HQs que merecem um lugar na estante não só pela qualidade do encadernado, mas principalmente pela grande história que é.

O volume compila quinze edições. Bendis ficou à frente do Demolidor por 55 edições, praticamente quatro anos e um pouquinho. Então, aconselho todos a guardarem seus trocados para acompanhar a série – oremos para que a Panini não demore quatro anos para completá-la.

Isso sim é que é investimento!

Achou caro? Então, lá vai uma dica: é possível encontrar o encadernado com excelentes descontos em diversas lojas online, com preços bem abaixo dos R$ 92,00 oficiais.

NOTA:

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Bruno Alves

Bruno Alves é professor, rabisca de vez em quando uns desenhos por aí e tem sempre uma música tocando em off na cabeça, mesmo quando não está usando headphones. E sim, ele gosta dos Titãs.

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