Esquadrão Suicida: Tudo o que você precisa saber!

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Esquadrão Suicida: Tudo o que você precisa saber!


Não tem mais jeito: os quadrinhos invadiram de vez o cinema! O número de produções baseadas em hq’s tem crescido nos últimos anos, com destaque para as adaptações de super-heróis.

Pelo andar da carruagem – e pelo calendário divulgado pela Marvel e DC/Warner – nem tão cedo ficaremos livres de filmes desses homens e mulheres que usam as cuecas/calcinhas por cima das calças (não que eu esteja reclamando, é apenas uma constatação).

O sucesso bilionário dos supers levou os estúdios a apostarem em personagens fora do primeiro escalão. E foi assim que tivemos grandes surpresas como Guardiões da Galáxia (2014) e Homem-Formiga (2015). Do lado da DC/Warner, a aposta é no Esquadrão Suicida, que estreia no próximo dia 4 de agosto. Dirigido por David Ayer, os trailers tem chamado a atenção dos fãs de quadrinhos.

Mas, afinal, o que danado é o Esquadrão Suicida? Eles são personagens classe A, B, C ou Z? Eles têm histórias clássicas?

Vou logo dizendo que conheço muito o Esquadrão Suicida que foi publicado entre 1987 e 1992. Depois disso, vi uma ou outra história isolada. Como a ideia aqui é dar uma geral sobre o conceito do grupo, com certeza vai faltar muita coisa – nesse caso, que tal vocês ajudarem a preencher as lacunas?

Vamos lá, em mais um tour informativo do seu Geek Café!

Origem do Esquadrão Suicida

O Esquadrão Suicida surgiu em 1959, na revista The Brave and The Bold #25. Criados por Robert Kanigher e Ross Andru, o grupo era uma força-tarefa do governo especializado em missões impossíveis. Tinha como líder o coronel Rick Flagg Sr. Nesse tempo, o esquadrão era mais um grupo classe z do universo dos quadrinhos e não tinha superseres em suas fileiras. Nem me pergunte mais sobre eles. Eu nem era nascido nessa época.

Primeira aparição do Esquadrão Suicida - 1959

Primeira aparição do Esquadrão Suicida – 1959

 

O reinício (aquele que importa)

28 anos depois de sua origem, o Esquadrão Suicida voltou renovado. Recriado por John Ostrander e Len Wein (o cara que co-criou personagens como Monstro do Pântano, Wolverine, Noturno, Tempestade e Colossus), o grupo manteve a premissa básica: uma força-tarefa do governo norte-americano especializada em missões espinhosas, das quais nem todos os membros saem vivos.

O diferencial é que agora o grupo era formado por supervilões. Coordenado por Amanda Waller e liderado pelo coronel Rick Flagg Jr. (filho do líder do esquadrão original), as almas sebosas superpoderosas aceitavam as missões para reduzir as suas penas. Claro que eles não podiam desistir ou trair o grupo – qualquer sinal disso causava uma reação indigesta: Amanda Waller acionava o explosivo implantado na cabeça do infeliz. A base do grupo secreto ficava na prisão de Belle Reve.

A primeira aparição do novo Esquadrão aconteceu na edição #3 da minissérie Lendas, em 1987. Lendas foi uma saga contada em seis capítulos entre novembro de 1986 e maio de 1987, além de envolver todos os títulos da DC publicados no período. Na trama (que ocorre um ano depois da maxissérie Crise nas Infinitas Terras), Darkseid envia para a Terra um de seus paus-mandados para iniciar uma campanha de difamação dos super-heróis. A importância dessa série reside no fato da mesma ter reapresentado a Mulher-Maravilha pós-Crise, ter introduzido um novo Flash (Wally West) e criado a Liga da Justiça humorística de Keith Giffen e J. M. DeMatteis (bons tempos…).

A primeira formação era composta por Rick Flag, Tigre de Bronze, Pistoleiro, Capitão Bumerangue, Magia e Arrasa-Quarteirão (esse fortão cabeludo aí da capa que morre já na primeira missão).

Lendas #3 – Primeira aparição do novo Esquadrão Suicida – Fonte: Guia dos Quadrinhos

Lendas #3 – Primeira aparição do novo Esquadrão Suicida – Fonte: Guia dos Quadrinhos

 

Revista solo

A equipe de vilões quase virando anti-heróis fez tanto sucesso que a DC resolveu lançar uma revista própria para o grupo. A capa da edição 1 é do mestre Howard Chaykin!!!!

Capa da primeira edição da revista solo do Esquadrão Suicida

Capa da primeira edição da revista solo do Esquadrão Suicida




Acompanhei essa encarnação do Esquadrão por um bom tempo. As tramas escritas por Ostrander, com arte de Luke McDonnel, eram repletas de ação, espionagem, traição e muita rotatividade, já que os membros do grupo não eram fixos – até pelo fato de que alguns morriam nessas missões.

Apesar de não serem hq’s imperdíveis ou clássicas, elas cumpriam sua função de divertir, num tempo onde até o mais simples dos roteiros era palatável e atraente de ler.

O líder do grupo nessa primeira retomada era o Coronel Rick Flagg, um herói de guerra que relutava em comandar vilões.

Numa das hq’s, ele é obrigado a enfrentar o Batman, herói que admira, para defender o Esquadrão.

Eu, particularmente, gostava da dubiedade do Esquadrão, pois ao mesmo tempo em que era formado, em sua maioria, por vilões casca-grossa, às vezes eles terminavam realizando alguns atos heroicos.

Apesar disso, é claro que o Esquadrão não era bem visto pelos heróis. Apesar de serem secretos, não passavam despercebidos quando atuavam em grandes crossovers.

Uma das melhores hq’s do Esquadrão é aquela onde um certo morcego se infiltra em Belle Reeve para investigar o grupo. Ao ser descoberto, ele confronta Amanda Waller e o Esquadrão, ameaçando revelar sua existência para o público – claro que o Batman não ia aceitar um grupo governamental formado por vilões. A resposta de Waller é clássica: exponha o Esquadrão e eu exponho sua identidade secreta!

Chupa, Batman!!! E essa capa mostra como Amanda Waller não levava desaforo prá casa de jeito nenhum!

liga da justiça batman amanda waller

Heróis ou vilões?

Também foi nas páginas de Suicide Squad (precisamente na edição #23) que Bárbara Gordon fez sua reestreia após os eventos mostrados na HQ A Piada Mortal. John Ostrander e Kim Yale deram um novo fôlego à personagem ao transformá-la em Oráculo, a misteriosa informante e hacker do Universo DC. Ela ajudou o grupo secretamente e na edição 38 juntou-se oficialmente, a convite de Amanda Waller. Depois, Bárbara fez parte do grupo Aves de Rapina (com Canário Negro e Caçadora), mas essa é outra história.

Oráculo: a melhor versão de Bárbara Gordon, muito mais fodona do que a Batgirl!

Oráculo: a melhor versão de Bárbara Gordon, muito mais fodona do que a Batgirl!

 

Essa encarnação do Esquadrão Suicida durou 66 edições, além de vários especiais e crossovers com outros títulos da DC. Praticamente tudo foi publicado no Brasil pela Editora Abril, ainda na época do formatinho baratinho – por isso, acompanhei essa fase.

A partir daí, o Esquadrão teve fins e recomeços. Deixou de ter revista própria, mas nunca ficou ausente do Universo DC, seja participando de crossovers, seja aparecendo nas histórias de outros personagens.

Um novo Esquadrão foi criado no reboot da DC, os Novos 52, em 2011. Amanda Waller retorna como diretora e o Pistoleiro como líder de campo. Waller e Pistoleiro são os únicos personagens que estiveram presentes em todas as formações do Esquadrão – embora tenhamos alguns que vão e voltam com mais frequência, como o Capitão Bumerangue.

Arlequina só veio com o filme

A Arlequina só deu as caras no grupo na formação dos Novos 52, após sua confirmação no elenco do filme. Desde então é figura cativa. Com o passar do tempo, a formação foi ficando próxima daquela que vai ser mostrada na adaptação cinematográfica – no cinema teremos Amanda Waller, Rick Flagg, Pistoleiro, Magia, Arlequina, Crocodilo, Capitão Bumerangue, Magia, El Diablo e Katana.

O Esquadrão também apareceu em outras mídias, como na animação-megafoda Liga da Justiça Sem Limites, no episódio “Força-Tarefa X”.

Esquadrão Suicida em Liga da Justiça sem Limites

O longa animado “Batman: Assalto ao Arkham” é uma história do Esquadrão Suicida com a participação luxuosa do Batman. Quem nunca leu um quadrinho do grupo pode conhecê-los melhor assistindo esse filme, que é muito bom e uma excelente introdução aos personagens.

Batman - Assalto ao Arkham

Em live-action, o grupo apareceu na serie Arrow em cinco episódios da segunda temporada, com a seguinte formação: Pistoleiro, Tigre de Bronze, Cupido, John Diggle e Lyla Michaels. Num dos episódios, houve um cameo da Arlequina. Mas o grupo foi apagado da série assim que a DC confirmou o filme.

Esquadrão Suicida com sérias restrições orçamentárias em Arrow: Tigre de Bronze, Shrapnel, Amanda Waller, Pistoleiro, Lyla e John Diggle

Esquadrão Suicida com sérias restrições orçamentárias em Arrow: Tigre de Bronze, Shrapnel, Amanda Waller, Pistoleiro, Lyla e John Diggle

 

Vilões, mas com pinta de anti-heróis: essa é a premissa básica do Esquadrão Suicida. O sucesso mostra que vilões, quando bem escritos e elaborados, podem se tornar tão importantes quanto os heróis (e a prova é o Coringa, que teve uma revista própria nos anos 1970). Nos quadrinhos, o Esquadrão é um sucesso. Resta saber se sua tradução para o cinema será tão bem sucedida.

Esquadrão Suicida – Trailer




 

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Bruno Alves

Bruno Alves é professor, rabisca de vez em quando uns desenhos por aí e tem sempre uma música tocando em off na cabeça, mesmo quando não está usando headphones. E sim, ele gosta dos Titãs.

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