A nova geração ou A guerra contra a extinção da humanidade!

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A nova geração ou A guerra contra a extinção da humanidade!

Intervenções humanas e respectivamente todo o ciclo de caos em torno de um pequeno grupo (sem distinção de certo ou errado) são os melhores temas para tratar a ficção científica. Nada de vírus ou mutações genéticas! O tema mais aclamado e delicioso de ler é sobre os robôs e androides. Todos os clássicos seriados de TV como Jornada nas Estrelas (Sei que não é muito bom em técnica, mas lembre-se que foi produzido pelos estúdios Desilu, da cômica Lucile Ball e seu marido. Quem é ela? A nossa "I Love Lucy") ou Perdidos no Espaço e até o filme Star Wars foram inspirados pelas obras de Isaac Asimov. Já entendeu não é? Siga o mestre e vamos partir para o clássico "Eu, Robô".

A obra é dividida em nove contos diferentes (Robbie, Brincando de Pique, Razão, Pegue aquele coelho, Mentiroso, Pobre Robô perdido, Fuga, Prova e O Conflito Evitável), no entanto, interligados (como em Nárnia). Os contos retratam a evolução dos robôs em uma sociedade fictícia e não tão distante assim. Vemos desde os primeiros robôs não falantes, utilizados para trabalhos braçais (de fábricas até babás) até as mais avançadas, capazes de compreender o princípio básico de Descartes "Penso, logo existo". As histórias começam com o avanço da empresa U.S. Robôs e Homens Mecânicos e com os relatos da robôpsicóloga Susan Calvin.

Os queridos seres positrônicos autônomos (robôs) são brilhantes e surpreendentes na visão de Asimov. Somos estimulados em cada página e graças ao senso de humor, começamos a imaginar -a partir do título- os desfechos dos contos. Ele conseguiu interligar os mínimos detalhes para nos acostumarmos com um continuísmo, apesar de pulos de décadas (lembrando que é uma evolução dos robôs). Percebe-se, aos poucos, como o homem vira um ser obsoleto e escravo da própria criação. Tá vendo que a realidade não está tão longe assim!

Como são contos, podemos dar destaque por partes. Para mim, o início, as leis e os dois últimos contos são as estruturas mais definidas e criativas. Na primeira parte, “Robbie”, conhecemos um robozinho que constrói uma amizade forte com uma menina de oito anos. E a ligação entre homem e máquina é clara quando a garota não consegue mais ter uma cotidiano feliz e tranquilo sem que ele esteja por perto como um grande amigo (muito amor gente). As leis da robótica de Asimov são super conhecidas (citadas pela primeira vez nessa obra e o autor ainda cunhou a palavra "robótica"), quem assistiu ao filme Eu, Robô com Will Smith, deve lembra da robôpsicóloga Susan Calvin listando-as:

Agora olhe, vamos começar com as três leis fundamentais da robótica; as três leis que estão gravadas mais profundamente no cérebro positrônico de um robô.
— Na escuridão, seus dedos enluvados contavam cada lei.
— Nós temos: Um, um robô não pode ferir um ser humano, ou, por inação, permitir que um ser humano seja ferido.
— Certo!
Dois — continuou Powell —, um robô deve obedecer às ordens que lhe forem dadas por um ser humano, exceto quando tais ordens entrarem em conflito com a Primeira Lei.
— Certo!
E três, um robô deve proteger sua própria existência, até onde tal proteção não entre em conflito com a Primeira e Segunda Leis.

Nos dois últimos, é quando os robôs já substituíram funcionalmente os homens. Com o ponto alto de um candidato à presidência ser acusado de ser robô! No desfecho o mundo está sob controle total de uma super máquina, superior às capacidades dos humanos e até mesmo dos robôs.

A robôpsicóloga assentiu com a cabeça. – Vejo que entra no meu campo, como todo político deve fazer, suponho. Mas fiquei triste que acabasse deste modo. Eu gosto dos robôs. Gosto mais deles do que dos seres humanos. Se um robô pudesse ser criado para ser um executivo no serviço público, eu penso que ele seria o melhor possível. Pelas Leis da Robótica ele seria incapaz de fazer mal aos humanos, seria incapaz de tirania, corrupção, de estupidez e de preconceito. E depois que tivesse cumprido o seu mandato ele se retiraria, apesar de ser imortal, porque seria impossível para ele magoar os humanos, deixando-os saber que tinham sido governados por um robô. Seria o ideal.

A literatura de ficção-científica teve um avanço crucial com o antes e depois de Asimov.  Através de "Eu, Robô" temos o rompimento dos clichês e alavancamos mais detalhes, tornando a Ficção Científica numa realidade funcional e futurista, mas sem bizarrices.  O russo mais amado do mundo (naturalizado norte-americano) Isaac Asimov é um dos três grandes mestres da ficção científica (junto com o pai de todos, Robert A. Heinlein, da obra "O dia depois de amanhã" e Arthur C. Clarke autor do conto "The Sentinel", que deu origem ao filme 2001: Uma Odisseia no Espaço). São mais de 500 títulos do gênio que foi membro e vice-presidente da Mensa International, a mais famosa sociedade de mentes brilhantes (mamãe, um dia entro na lista). 

A robótica de Asimov mostra a nossa deficiência como um ser capacitado de gerar conhecimentos sem provocar o caos. Transformamos o mundo destruindo as pilares de sustentação em nome do progresso. Não temos que ficar na ignorância, pelo contrário, devemos reaprender a utilizar os meios e não nos limitarmos ao "só tinha essa maneira". Respeitar deve ser um motivador e não um obstáculo. "Eu, robô" é muito mais do que um livro sobre mudanças tecnológicas, é um recado singelo de mudança.

 

Anote o recadinho de Asimov quando for ler o livro:

Apenas uma guerra é permitida à espécie humana: a guerra contra a extinção…

Eu, Robô - Col. Pocket Ouro

Tem a mesma profissão de Clark Kent, mas sonha em ser Bruce Wayne. Espera até hoje o final de Caverna do Dragão, sua convocação para Hogwarts e ser chamada para lutar na Terra Média!

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