Face Oculta – Os Saqueadores do Deserto: mais um quadrinho de qualidade da Bonelli

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Face Oculta – Os Saqueadores do Deserto: mais um quadrinho de qualidade da Bonelli

Como eu já falei, sou um Comic Book Geek Supremo. E por isso também sou um bonelliano. Quem não é um Bonelliano não sabe o que está perdendo.

A Sergio Bonelli Editore é a maior editora de quadrinhos da Itália. Publica o sucesso mundial Tex, o caubói mais famoso dos quadrinhos e outros personagens tão bons quanto, alguns ainda publicados no Brasil, como Julia, Mágico Vento e Zagor.

Além das séries regulares, a Bonelli investe em mini-séries. E é uma delas que a Panini lançou recentemente no Brasil.

face_oculta_capaFace Oculta – Os Saqueadores do Deserto (21cm X 16cm, 100 páginas, capa cartonada, R$ 12,90) é o primeiro volume de uma série que na Itália teve 14 edições. A iniciativa da Panini é excelente e ousada, já que esse material é totalmente desconhecido para quem não acompanha com frequência as novidades do quadrinho pelo mundo afora.

A trama tem um fundo histórico: a política expansionista do império italiano no século 19. Em 1886 a Itália e a Etiópia assinaram um acordo de cooperação, o Tratado de Wuchale. O documento foi escrito em duas línguas: italiano e aramaico. A versão italiana era diferente da versão em aramaico e sacaneava com os etíopes, o que resultou numa guerra dez anos depois.

No meio desse contexto histórico está o jovem Ugo Pastore e seu pai Enea, um comerciante que chega à Eritréia para resolver negócios da empresa que representa. Logo, o jovem fica indignado com as péssimas condições da população local e começa a questionar a falta de atenção da Itália com sua colônia. Ao tentar ajudar uma mulher e seu filho que definham de sede na cidade, Ugo termina se confrontando com o misterioso Face Oculta, líder de um grupo rebelde que luta contra os colonizadores e que esconde sua verdadeira identidade por trás de uma máscara prateada.

A hq segue o padrão bonelli: preto e branco, diagramação tradicional (seis quadros por página), roteiro desenvolvido sem pressa e um bom desenhista.

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O roteiro é de Gianfranco Manfredi (cantor, compositor, roteirista de cinema e de quadrinhos e romancista), criador de outro grande personagem da Bonelli, Mágico Vento. A arte é do croata Goran Parlov, que também desenhou para o selo Vertigo e atualmente está na Marvel.

A história flui bem apesar da base histórica, os diálogos são muito bons e a narrativa muito bem desenvolvida.

Eu gostei muito da hq, cujo segundo número já chegou às bancas. Fica apenas a incerteza da continuidade da publicação, já que a Panini não divulgou o cronograma de lançamento – e ainda faltam 12 edições para o final. Espero que a série venda bem e seja concluída. Alegre

Para quem quer experimentar um quadrinho diferente dos tradicionais super-heróis, Face Oculta é uma boa pedida.

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Um olhar sobre o Universo Bonelliano

Os quadrinhos da Bonelli abraçam vários gêneros: faroeste, policial, terror, ficção científica…

Além dessa diversidade, uma característica marcante dos quadrinhos da Bonelli é o formato instituído a partir dos anos 1950: histórias independentes de 100 a 300 páginas em preto e branco. Essa é uma estratégia interessante, pois assim novos leitores podem ser apresentados a um título sem precisar ler um manual cronológico de anos para entender o contexto do personagem.

Personagens-Bonelli-Arte-de-Daniel-BrandoTex foi o primeiro, mas a editora tem outros personagens tão icônicos quanto o ranger no universo do far-west norte-americano.

Desses, Ken Parker é, sem dúvida nenhuma, o melhor deles, principalmente por ser um personagem psicologicamente rico e realista, mas támbém por mostrar um velho oeste cru, como ele realmente foi;Zagor deve ser o mais esquisito e o que se aproxima mais do que seria um ‘super-herói’ no velho oeste; Mágico Vento tem pitadas de misticismo em suas hq’s que são imperdíveis.

Fora do gênero western, a Bonelli atira para todos os lados. Dylan Dog flerta com o terror regado a bom humor (a adaptação cinematográfica teve Brandon Routh no papel título), Martin Mystere com o sobrenatural, o mitológico e o científico, Nick Raider enfrenta o crime em Nova Iorque, Nathan Never é uma excelente ficção científica, Dampyr era uma interessante abordagem do vampirismo que infelizmente não vingou no Brasil, Mister No contava as histórias de um ex-combatente italiano que vive guiando turistas pela floresta amazônica e Julia (Ahhh, Julia) uma das melhores coisas publicadas em quadrinhos no gênero policial/suspense.

Audrey-Hepburn-e-Jlia-KendallNo Brasil, a revista se chama J. Kendall, Aventuras de Uma Criminóloga e conta as aventuras de Julia Kendall, criminóloga que encara o lado negro da sociedade ajudando a polícia em casos intrincados. Sensível, inteligente, esperta e corajosa, Julia impõe respeito, apesar do seu aspecto mignon, claramente inspirado na minha musa Audrey Hepburn.

O roteirista Giancarlo Berardi (criador de Ken Parker), não deixa a peteca cair. Cada edição é uma aula de roteiro, de história bem contada, com tudo bem amarradinho, reviravoltas e surpresas ao final. É uma delicia de ler. Se você gosta de uma boa história policial, devia conhecer e dar uma chance aos belos olhos de Julia.

Enfim, o universo bonelliano é eclético e atende a todos os gostos. Experimente!

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Bruno Alves

Bruno Alves é professor, rabisca de vez em quando uns desenhos por aí e tem sempre uma música tocando em off na cabeça, mesmo quando não está usando headphones. E sim, ele gosta dos Titãs.

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