Fica, vai ter bolo do Quino!

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Fica, vai ter bolo do Quino!

Tem sempre um tirinha que achamos especial. Guardamos em todas as pastas do nosso computador ou até imprimimos para sentir que nos pertence de alguma maneira; e Mafalda não pode ficar de fora dos recortes. Já que terça, 17, foi aniversário – não oficial – do Quino (papai de Mafalda), nada melhor do que contar a história dessa personagem maravilhosa. Ah, o registro de Quino diz que o seu nascimento é dia 17 de Agosto, mas quem se importa de ter dois aniversário? É mais bolo e presentes.

Mafalda tem 1.928 tirinhas, traduzida para mais de 20 idiomas – até norueguês! E muitos livros que reúnem sua história, as tiras e ilustração fantásticas. A mocinha cheia de questões surgiu na impressa no dia 29 de setembro de 1964, na mais importante (da época) revista semanal da Argentina, a Primeira Plana. No ano seguinte, as tiras passaram a ser diárias, pelo jornal El Mundo (um dos meus favoritos). Em 1967 Mafalda foi para a revista semanal Siete Días Ilustrados e por lá ficou até a última publicação no dia 25 de Junho de 1973.

Não lembro bem quando comecei a ler as tirinhas de Quino, ele já era cartunista antes de Mafalda, mas com certeza aquelas provinhas de interpretação nunca ajudaram no meu afeto. De verdade, eu não entendia o por quê de tantas indagações e até uma chatice na personagem de cabelo arrepiado. Quem disser que tirinhas são fáceis e que a função é apenas a diversão é porque não parou para ver todas as mensagens – e provavelmente não sabe desenhar um boneco palito.

Por não entender os conceitos e as mensagens quando era pequena, achei que eu e Mafalda tínhamos uma coisa em comum: ódio por sopa. Se você até hoje pensa que é realmente o prato de sopa rala é a referência – compreendo se você tiver até 13 anos – pode ficar com vergonha e se jogar do último andar. A sopa, de modo insistente, servido pela mãe da menina foi um dos modos brilhantes que Quino encontrou para manifestar seu desgosto pela ditadura. Nada como um pouquinho de história argentina para entender e passar vergonha com um sorriso amarelo. Bem, ambientando: É de praxe saber que qualquer veículo de comunicação numa ditadura sofre todos os cortes e repressões. Nada de tabus, sexo, militares e qualquer manifestação de conflito podia entrar no jornal, nos panfletos e nas tirinhas.

Desculpa produção, mas eu vou abrir um espaço para dizer que eu amo é o Manolito! O personagem é a figura perfeita para falar de economia. Manolito para quem não lembra trabalha na mercearia do pai e às vezes leva boas surras. Seu sonho é ter uma cadeia de super mercados e ficar rico. Para ele as inflações são belas imagens a serem apreciadas e a escola ou ícones de cultura – tais como as canções dos Beatles, são apenas supérfluos. Não tem muita gente assim? Quino é genial.

Depois do golpe, as histórias da personagem revelaram as diferentes fases da ditadura  na Argentina. Bem, não foram só os governos militares que sofreram com as perguntas bombásticas de Mafalda. Alguns bons momentos temos os Estados Unidos intimidado por perguntas e desaforos. Infelizmente as publicações terminaram, mas se você quiser entender como se comporta a América Latina, já sabe – por sinal, dando uma brechinha, Eduardo Galeano pode ser uma boa pedida para discutirmos isso  com calma.

Para matar a saudade, selecionei algumas tirinhas, as minhas favoritas e outras clássicas, da eterna Mafalda e sua turma. Se você achar que falta alguma, mande o link para o Geek Café, tem sempre espaço para mais história!

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Tem a mesma profissão de Clark Kent, mas sonha em ser Bruce Wayne. Espera até hoje o final de Caverna do Dragão, sua convocação para Hogwarts e ser chamada para lutar na Terra Média!

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