Guerra Civil Marvel | Crítica do Quadrinho

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Guerra Civil Marvel | Crítica do Quadrinho

Uma das hq’s mais épicas e emblemáticas para os fãs da Marvel Comics, clássico de Mark Millar e Steve McNiven. A Guerra Civil está entre nós!

Os heróis do Universo Marvel sempre tiveram um pé na realidade. Esse “realismo” também transparecia no relacionamento entre eles – era comum vê-los batendo de frente por questões ideológicas ou posições diferentes sobre determinado assunto. Além disso, haviam as questões mais problemáticas como a perseguição aos mutantes, a filiação de alguns heróis ao governo e por aí vai.

Como um universo ainda coeso e amarrado cronologicamente (aprende, DC), as consequências de diversos eventos vão se acumulando e gerando novos conflitos. Antes da eclosão da chamada Guerra Civil entre os super-heróis da Marvel, o mundo deles tinha sofrido vários reveses, a saber:

★ A Guerra Secreta deflagrada por Nick Fury matou diversos civis em Nova York;

★ O Hulk atacou Las Vegas, resultando na morte de 26 pessoas;

★ A Feiticeira Escarlate surtou e quase destruiu a cidade. Em seguida, praticamente anulou os poderes da maioria da população mutante (Dinastia M), restando apenas 198 homo superior, que vivem no Instituto Xavier vigiados por Sentinelas do governo federal;

Diante de tudo, a população começou a perder a confiança nos heróis e passou a exigir do governo medidas para controlar e organizar os superseres do país.

A situação ganha contornos trágicos quando o grupo de heróis adolescentes conhecidos como Novos Guerreiros, que tem um reality show onde eles são mostrados caçando supervilões, encurrala quatro pesos-pesados em uma casa num bairro de Connecticut. Quando pareciam estar levando a melhor, o vilão Nitro, atacado por Namorita (prima do Namor), libera uma gigantesca explosão ao lado de uma escola.

Captão américa guerra civil homem de ferro 1

Além de Namorita, quase 900 pessoas morrem, a maioria crianças. Os próprios heróis ficam temerosos das consequências da tragédia. No mesmo instante, o governo reativa a proposta da Lei de Registro de Super-Heróis, cujo objetivo é cadastrar todos os superseres, atrelando-os ao governo, e treinar os mais jovens para controlar seus poderes.

Diante da aprovação inevitável da Lei, a comunidade superheroística se divide. A favor do registro, Tony Stark acredita que a medida é o melhor para que todos continuem salvando vidas. Então, o Capitão América se posiciona contra o registro, alegando que isso colocaria em risco as famílias e amigos dos heróis.

Cada lado é formado por diversos heróis. O grupo do Capitão América é considerado fora-da-lei e passa a agir nas sombras, combatendo o crime ao mesmo tempo em que tenta escapar da prisão.

A partir daí, nada mais será como antes no universo Marvel. A série, em sete edições, mostra que para atingir os seus objetivos, todos os lados cometem atos que, em circunstâncias normais, os desqualificariam como “mocinhos”. Por baixo dos combates insanos entre os grupos – principalmente nas sangrentas lutas entre Steve Rogers e Tony Stark – há toda uma carga ideológica por trás e uma discussão de temas como ética, honra, traição e amizade.

Afinal, qual lado estaria com a razão?

Captão américa 3 guerra civil homem de ferro

A idéia da série surgiu de uma conversa entre Mark Millar (Os Supremos, Kick-Ass, The Authority), Bryan Hitch (Os Supremos) e Brian Michael Bendis (Demolidor, Homem-Aranha Ultimate, Novos Vingadores, etc..). Segundo Millar, ele escolheu tratar o dilema dos super-heróis de maneira diferente.

As pessoas pensavam que eles eram perigosos, mas não queriam a proibição deles. O que elas queriam era super-heróis pagos pelo governo federal, como policiais. Foi a solução perfeita e ninguém , até onde eu saiba, tinha feito isso antes. (…) Além disso, é uma história onde um cara envolvido na bandeira americana está questionando: ‘como o povo pode querer trocar liberdade por segurança?

Guerra Civil, como podemos ver, vai além das lutas massavéio entre superseres. A partir do momento em que o lado de Tony Stark começa a recrutar supervilões para ajudá-los, a coisa começa a sair do preto e branco e ganhar tonalidades de cinza.

A hq é imperdível em todos os aspectos – roteiro, arte, cores – mas tem passagens marcantes, como a breve mais importante participação do Justiceiro, o surgimento do Deus do Trovão ajudando Stark, o que deixa todos sem entender nada.; e a revelação da identidade do Homem-Aranha para todo o planeta – Peter Parker, sempre carregando o mundo nas costas.

Nota para Guerra Civil Marvel:

5 canecas cheias de Capuccinoo Italiano!

 

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Bruno Alves

Bruno Alves é professor, rabisca de vez em quando uns desenhos por aí e tem sempre uma música tocando em off na cabeça, mesmo quando não está usando headphones. E sim, ele gosta dos Titãs.

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