Homem-Animal: O Evangelho do Coiote | Crítica

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Homem-Animal: O Evangelho do Coiote | Crítica

O Homem-Animal é um daqueles personagens que surgem de uma ideia interessante, protagonizam uma história de origem… e depois caem no limbo editorial do vasto universo de super-heróis.

Origem do Homem-Animal

Buddy Baker era um dublê de cinema que foi atingido pela radiação da explosão de uma nave alienígena. Essa radiação lhe deu a capacidade de copiar as habilidades de qualquer animal. Intitulada “I Was the man with animal powers!”, a hq foi publicada em setembro de 1965 na edição #180 da revista Strange Adventures. Dez edições depois, ele reaparece usando um típico uniforme de super-herói e usando o nome Animal-Man (ou A-Man). O personagem foi criado por Carmine Infantino e Dave Wood.

homem-animalstranger adventures

End of story…

Até que nos anos 1980, os quadrinhos norte-americanos receberam uma injeção de sangue novo com a chegada dos escritores ingleses, no que ficou conhecida como “Invasão Inglesa”. Iniciada com Alan Moore e seu Monstro do Pântano, a invasão trouxe gente como Neil Gaiman, Dave McKean, Brian Bolland, Peter Milligan, Jamie Delano, Warren Ellis e Garth Ennis. E um escocês maluco e genial chamado Grant Morrison.

Morrison ganhou de presente a revitalização do Homem-Animal. Então, em 1988, ele iniciou sua jornada de 26 edições com Buddy Baker, transformando-a em um dos grandes clássicos dos quadrinhos.

É essa fase que a Panini vem republicando. O volume 1 é O Evangelho do Coiote (252 páginas, R$ 26,90), que compila as primeiras nove edições da saga. A belíssima capa é do mestre Brian Bolland.

Homem-Animal: O Evangelho do Coiote

HOMEM_ANIMAL_evangelho do coioteMas, afinal, o que Morrison fez de tão importante nessa série?

Em primeiro lugar, ele redefine o lugar do Homem-Animal no universo DC, dando-lhe uma importância seminal ao torná-lo um meta-humano que possui uma sintonia com a fauna.

Partindo dessa premissa, o escritor joga Buddy Baker em uma jornada na qual temas como direitos dos animais dão o tom das aventuras. Além disso, o escocês joga na mistura de coisas como metafísica, metalinguagem e espiritualidade ao mesmo tempo em que discute os clichês do gênero super-herói.

Depois de anos no ostracismo, Baker decide que é hora de usar seus poderes para ganhar dinheiro e respeito. Para isso, decide treinar suas habilidades e procurar emprego na Liga da Justiça Internacional (que nessa fase era escrita por Keith Giffen e J. M. DeMatteis e um sucesso de vendas por conta da mistura humor/ação). Baker é casado com Ellen e tem dois filhos, Cliff e Maxine.

A historia que dá título ao encadernado foi publicada na edição 5. Nela, um coiote antropoformizado que lembra muito o personagem do desenho animado que vive caçando o Papa-Léguas tenta entregar uma mensagem ao Homem-Animal. Ele é constantemente atacado por um caçador – e depois de cada ataque, seu corpo se regenera.  

Sua missão é denunciar um deus-tirano (que segura um pincel na mão direita) que controla um mundo de desenho animado, onde animais cartunescos vivem em eterna guerra, sem nunca morrerem. Foi a primeira indicação do que Morrison estava planejando para o Homem-Animal.

Para quem não acompanhou a serie quando ela foi publicada no Brasil, suas hq’s vão causar estranheza, pois estão diretamente ligadas à saga Invasão (mais uma da DC) – mas nada que comprometa o resultado, ate porque “Aves de Rapina” é uma excelente história onde Buddy enfrenta Thanagarianos.

A Panini já lançou as edições seguintes. Se não conhece o personagem e ficou desconfiado, aceite meu conselho: corra e compre esse trabalho magnífico de Grant Morrison, provando que não existem personagens ruins, apenas mal aproveitados.

Nota: cinco canecas de Capuccino Italiano

Bruno Alves

Bruno Alves é professor, rabisca de vez em quando uns desenhos por aí e tem sempre uma música tocando em off na cabeça, mesmo quando não está usando headphones. E sim, ele gosta dos Titãs.

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