Homem-Aranha – Último Desejo | CRÍTICA

GEEK CAFE TV

Homem-Aranha – Último Desejo | CRÍTICA

O Homem-Aranha é o herói mais sofrido da Marvel. E boa parte desse sofrimento é culpa da própria Marvel, que vive mexendo com a vida do pobre Cabeça de Teia e jogando o coitado em histórias ruins, sagas mequetrefes e alterando seu status para ver se as vendas aumentam – como desfazer seu casamento com o argumento de que “é difícil escrever histórias com Peter Parker casado”.

O melhor personagem da Casa das Ideias não merece isso.

Uma das últimas sagas envolvendo o herói causou muita polêmica: a do Homem-Aranha Superior – Otto Octavius, o Dr. Octopus, moribundo, trocou de corpo com Peter Parker. Quando o corpo do vilão morreu, Peter Parker se foi.

É justamente o prelúdio dessa saga que o encadernado Homem-Aranha – Último Desejo (capa dura, 144 páginas, cor, R$ 26,90) apresenta. Dan Slott mexeu com as estruturas do aracnídeo ao mostrar sua derrota para um de seus piores inimigos. Para salvar o mundo do plano destrutivo de Octopus, Peter usou a própria tecnologia do vilão contra ele. Mas o que parecia ser uma estratégia inteligente para o herói, na verdade era uma estratégia vilanesca. Após cantar vitória, Peter Parker tem seu corpo tomado pela mente de Otto Octavius e vice-e-versa. É justamente a partir desse ponto que o encadernado começa.

Ao perceber sua situação dramática, Peter, enclausurado no corpo moribundo de seu inimigo e encarcerado na prisão para criminosos super-humanos, a Balsa, tenta de todas as maneiras avisar aos seus amigos Vingadores o que está acontecendo, sem sucesso. Diante do desespero para retornar à sua condição normal, Peter tem que deixar de lado seus ideais heroicos e aceitar a ajuda dos vilões Homem-Hídrico, Escorpião e Ardiloso para escapar da prisão (devido a um acordo prévio feito entre Octopus e seus colegas vilões).

Apesar de ir contra sua ética heroística, Peter decide levar o plano adiante para capturar o falso Homem-Aranha e retomar a sua identidade. Só que as coisas não serão tão fáceis assim. A ideia do escritor Dan Slott encontrou muita resistência entre os fãs do herói – afinal de contas, a malfadada saga do clone ainda ecoa de modo negativo na nossa memória, mesmo depois de tanto tempo. Muitos fãs, eu incluso, receberam a saga com quatro pedras na mão e no melhor estilo “não li e não gostei”.

Porém, não vejo nenhum problema em reconhecer que minha rejeição estava equivocada, pelo menos em alguns aspectos. O que esse arco de histórias mostrou foi que um outro Homem-Aranha era possível, principalmente se levarmos em consideração que Peter Parker é um gênio científico que teve sua vida destruída pela eterna culpa e pela missão de carregar o mundo nas costas – o aracnídeo é o tipo de herói clássico, cheio de ética e valores morais difíceis de encontrar no gênero.

No entanto, isso termina amarrando o personagem num mimimi interminável, onde ele atrapalha sua rotina e sua vida para salvar um gato preso na árvore, metaforicamente falando. O Aranha-Octopus mostrou que era possível ser um herói, aproveitar todo o seu gênio científico e ainda
curtir a vida ganhando dinheiro com suas invenções. Peter Parker deixou de ser um liso, olha só. Mas isso só acontece durante a saga. Nesse encadernado, vemos a última batalha de Peter contra o inimigo que o sobrepujou. Embora eu ainda ache forçada a guinada do Octopus para se tornar um herói, Dan Slott entrega uma HQ interessante, embora não é uma obra-prima indispensável.

Completam o encadernado três histórias curtas: a primeira é “Sonhos Aracnídeos”, de J. M. DeMatteis e arte de Giuseppe Camuncoli, que se passa numa realidade alternativa onde um avô conta para seu neto seus tempos de aventura quando ele era o Homem-Aranha. A segunda é “Noite do Sofá”, com roteiro de Jan Van Meter e arte de Stephanie Buscema, aventura divertida com o Homem-Aranha enfrentando um robô gigante enquanto a Gata Negra, sua namorada, tenta despistar a polícia que tem ordens para prendê-lo.

A última HQ, “Estreia Superior” é a primeira de Otto como Homem-Aranha, na qual mostra como ele decide se tornar um herói melhor do que o Aranha original foi. Aqui, o roteiro é de Chris Yost com arte do Paco Medina.

Nota: três xícaras de café expresso

Continuar lendo
Publicidade
Bruno Alves

Bruno Alves é professor, rabisca de vez em quando uns desenhos por aí e tem sempre uma música tocando em off na cabeça, mesmo quando não está usando headphones. E sim, ele gosta dos Titãs.

Comments

Mais em GEEK CAFE TV

To Top