Juiz Dredd Megazine | Crítica

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Juiz Dredd Megazine | Crítica

Uma das melhores coisas do atual mercado brasileiro de quadrinhos é a diversidade. Além dos tradicionais super-heróis e mangás, hoje você encontra grande quantidade de publicações brasileiras em livrarias, bancas e na web + quadrinhos africanos, europeus, iranianos….

O preço, em alguns casos, é um impedimento para acompanhar tudo o que sai. Mas ninguém pode reclamar de que não é contemplado.

Um bom exemplo dessa diversidade é a nova revista do bom e velho Juiz Dredd.

Eu sou a Lei!!!!

Juiz Dreed Megazine Mythos Editora

Como já tinha noticiado, o juiz mais casca-grossa de Mega-City One está de volta ao Brasil. Juiz Dredd Megazine (68 páginas, formato magazine, Mythos Editora, R$ 10,90). No mix da revista, além de duas hq’s do Juiz (uma clássica e uma novinha em folha), temos as séries Área Cinzenta, Sláine, Nikolai Dante e Crono-Canas.

Em O Zoológico Alienígena, temos a sensacional arte de Brian Bolland em uma hq curta, onde Dredd tenta colocar ordem em um zoológico cheio de animais exóticos que foi sabotado por um jovem.

Guerra Total (Parte 1) mostra mais um pouco do universo de Dredd. Na trama, um grupo terrorista ameaça explodir duzentas bombas termonucleares na cidade caso os juízes não abandonem suas funções – os terroristas querem uma sociedade sem a opressão do sistema de justiça. O roteiro é de John Wagner, um dos criadores do personagem.

Das demais séries, os destaques são para Área Cinzenta e Crono-Canas.

Área Cinzenta tem uma boa premissa: no primeiro contato de uma raça alienígena com a humanidade, os aliens usaram um nanovírus para poder se comunicar conosco. Infelizmente, o recurso se mostrou extremamente mortal e vários terráqueos morreram enquanto outros sofreram mutações genéticas. A partir daí, a humanidade criou uma série de protocolos para aceitar aliens na Terra – antes de pousarem, são examinados em estações-satélite. E depois todos vão para um local chamado Área Cinzenta, uma zona restrita comandada pelo capitão Janzen localizada no Arizona.

Com elementos de Distrito 9, Homens de Preto e Nação Alien, essa hq de Dan Abnett com arte de Karl Richardson é uma boa surpresa.

Crono-Caras é uma hq curta, em preto e branco, escrita por Alan Moore, com desenhos de Dave Gibbons. E é excelente. Moore brinca com os paradoxos das viagens temporais. A hq narra as aventuras de dois policiais do tempo que vivem viajando para evitar crimes em diferentes épocas, o que gera situações hilárias. São histórias do início da carreira de Moore e até aqui inéditas no Brasil.

Já a hq de Sláine pode decepcionar quem já conhecia o personagem da mega-boga mini-série lançada em 2001 pela extinta Pandora Books. A Mythos resolveu publicar as primeiras aventuras do personagem, em preto e branco. A história não empolga muito e lembra um pouco o universo de um certo bárbaro cimério. Vejamos o que o personagem nos reserva nas próximas edições.

Nikolai Dante tem uma idéia interessante, mas o personagem e a hq de estréia, mais voltada para o humor (sem graça), não empolgam. A hq se passa na Rússia do século 27, que voltou a ser um império comandado por um czar – que também dominou toda a Terra. Nikolai é ladrão fanfarrão, sedutor e trapaceiro. Já tem mais de 15 anos de publicação na 2000 AD. Vamos ver se as próximas aventuras tiram essa má impressão.

O resultado da primeira edição de Juiz Dredd Megazine é bom e vale a pena dar uma conferida.

E na contracapa da edição, a Mythos anuncia a publicação de quadrinhos da editora Dynamite Entertainment: The Dynamite Art of Alex Ross (um livrão de 300 páginas com a arte do cara), Kirby Genesis (Alex Ross e Kurt Busiek retomando algumas criações do mestre Jack Kirby), O Aranha (quadrinização do personagem policial dos livros pulp dos anos 30), Máscaras (equipe que junta O Sombra, O Aranha, O Zorro, Besouro Verde) e O Último Fantasma (versão atual do personagem clássico dos quadrinhos).

Ainda não há detalhes sobre esses lançamentos. Mas eu gostei. Olhaí mais diversidade!

 

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Bruno Alves

Bruno Alves é professor, rabisca de vez em quando uns desenhos por aí e tem sempre uma música tocando em off na cabeça, mesmo quando não está usando headphones. E sim, ele gosta dos Titãs.

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