Nova Marvel: primeiras impressões – parte 1

Livros e HQ

Nova Marvel: primeiras impressões – parte 1

Renovação é a palavra mais usada no universo dos quadrinhos de super-heróis, para o bem ou para o mal.

É compreensível que as editoras, de tempos em tempos, tentem reinventar a roda para alavancar as vendas, atrair novos leitores, reconquistar os fãs antigos – essas coisas que empresas fazem para continuar tendo lucro.

No Universo DC essas mudanças são mais constantes e mais radicais. Já perdi a conta de quantas crises/recomeços o UDC sofreu, sempre com a desculpa de arrumar a casa.

A última renovação foi um reboot – Os Novos 52, onde toda a cronologia foi apagada e reiniciada do zero. Novas origens, uniformes, essas coisas.

Já na Marvel Comics as coisas são diferentes. Mesmo depois de 53 anos, a editora mantém a história de seu universo praticamente intacta (salvo uma ressurreição aqui e ali, normal) e tudo o que aconteceu com seus personagens continua valendo.

É por isso que a atual renovação do Universo Marvel não é um reboot. É uma reorganização – tanto do lado real (mudança de equipes criativas, novas revistas) quanto do lado ficcional (novas equipes de heróis, novos relacionamentos e comportamentos).

Nesse sentido, as mudanças resultantes da iniciativa Marvel Now (que no Brasil é chamada de Nova Marvel) são menos traumáticas. Com essa estratégia, a Casa das Idéias pretende atrair novos leitores sem impactar radicalmente os fãs veteranos. Eu achei inteligente.

Eu fiquei tão curioso com esse não-reboot que terminei fazendo uma assinatura do pacote básico da Marvel – que traz as revistas Homem de Ferro & Thor, Capitão América & Gavião Arqueiro, Os Vingadores, Wolverine, X-Men e Homem-Aranha.

Estava esperando completar pelo menos três edições de cada para fazer um post com minhas primeiras impressões. Só que a Panini atrasou tudo – as edições de outubro e novembro só chegaram no final de dezembro, as de dezembro chegaram este mês e as de janeiro eu nem faço idéia de quando vão chegar.

Mas vamos ao que interessa: e aí, presta? Vale a pena desembolsar $$ prá acompanhar essa renovação da Marvel?

Nessa primeira parte, vamos falar de três revistas: Capitão América & Gavião Arqueiro, Homem de Ferro & Thor e Wolverine.

 

Capitão América & Gavião Arqueiro (edições 01 e 02)

ca1O mix da revista é composto pelas séries Capitão América (Rick Remender e John Romita Jr.), Vingadores Secretos (Nick Spencer e Luke Ross) e Gavião Arqueiro (Matt Fraction e David Aja).

A série do Capitão América é uma grata surpresa, principalmente pelo inusitado plot que Rick Remender criou. Nele, o Capitas é capturado pelo seu antigo inimigo Arnin Zola e levado para uma dimensão paralela, a Dimensão Z, onde o nazista pretende usar o sangue do vingador para experiências genéticas. O herói consegue escapar e salva um bebê, mas fica perdido no estranho e perigoso mundo. Sou suspeito prá falar da arte do John Romita Jr., do qual sou fã mesmo quando ele desenha mal.

ca2Vingadores Secretos muda o direcionamento anterior e foca nos vingadores Viúva Negra e Gavião Arqueiro (olhaí a influência do cinema) e suas missões para a SHIELD. Agora, depois de cada missão, eles tem suas memórias apagadas. O clima é de espionagem, mas as hq’s não empolgam muito, embora estejam longe de serem ruins. Ponto para a arte do brasileiro Luke Ross!

Gavião Arqueiro é a grande HQ do pacote! Matt Fraction conta histórias solo do vingador de um modo inusitado, repletas de diálogos afiados, situações banais e muita ação. A arte do David Aja é a cereja do bolo dessa hq premiadíssima e obrigatória.

Capitão América & Gavião Arqueiro tem um mix interessante e vale a pena ser acompanhada.

 

Homem de Ferro & Thor (edições 01 e 02)

HOMEM_DE_FERRO_&_THOR_1A série do Homem de Ferro é escrita por Kieron Gillen e tem arte do Greg Land. O trabalho dos dois é irregular – principalmente a de Land, cujos desenhos oscilam entre o belo e o inexpressivo.

A edição 01 traz duas partes do arco Acredite. A tecnologia Extremis é roubada e leiloada no mercado negro. Maya Hansen, a criadora do Extremis, é assassinada. Tony Stark parte para caçar os responsáveis. A premissa é interessante e pode render. Porém, enquanto a primeira história empolga, a segunda é um lenga-lenga sem fim, com porradaria entre homens usando armaduras. A terceira parte melhora um pouco. Vamos ver aonde vai dar, mas até aqui é apenas uma hq mediana.

hdfethor_nm_2A melhor coisa da revista é Thor, o Deus do Trovão. O roteiro de Jason Aaron é fantástico! A narrativa mostra Thor em três momentos distintos: no século 9, mais precisamente no ano de 893 D.C., quando o filho de Odin ainda era um jovem deus impetuoso e ávido por batalhas, hidromel e mulheres; na atualidade, onde o vemos atendendo as preces de uma criança do planeta Indigarr; e num futuro distante, já velho, defendendo uma abandonada Asgard de invasores.

Em todas as eras, Thor combate o ser conhecido como Carniceiro dos Deuses, uma criatura que tem como missão destruir todas as divindades do universo. E esse é um dos pontos altos do roteiro de Aaron: a descrição das divindades de diversos mundos!

Além do roteiro foda, tem a bela arte de Esad Ribic – aquele cara que pintou aquela obra-prima, Loki! Taí uma série que vale muito a pena acompanhar!

Thor & Loki

 

 

 

Wolverine (edições o1 e 02)

 

wolverine 2O carcaju sanguinolento está de volta! O herói mais onipresente do Universo Marvel tem duas séries no mix.

Wolverine tem roteiros de Paul Cornell e os belos desenhos de Alan Davis (sou fã, fazer o quê?). A série mostra as aventuras solo do mutante e traz o arco Temporada de Caça – uma estranha arma desintegradora domina a mente das pessoas que a tocam. Logan sofre para conseguir deter o homem que a carrega e quando consegue tem que perseguir um garoto possuído pela mesma arma. Nada excepcional, mas é uma série com aventura na medida certa. Eu já falei dos belos desenhos do Alan Davis?

Wolverine e os X-Men mostra Logan wolverine1acomo professor da Escola Jean Grey para Estudos Avançados. O roteiro é de Jason Aaron, que nem parece o mesmo cara que escreve Thor. Aqui é tudo over, com toneladas de mutantes, subtramas chatas e uma verborragia sem fim. O desenho de Nick Bradshaw não fede nem cheira. É nessa série que conhecemos a bizarra Garota-Tubarão do Recife!

Wolverine é uma revista que se não estivesse no pacote da assinatura, dificilmente eu compraria – nem pelos belos desenhos do Alan Davis eu faria isso.

 

Resultado: das sete séries citadas, três são imperdíveis (Capitão América, Gavião Arqueiro e Thor), duas são passáveis (Wolverine e Vingadores Secretos) e duas podem ser esquecidas (Wolverine e Os X-Men e Homem de Ferro). Claro que posso estar me precipitando e de repente tudo mudar de repente, com séries boas ficando ruins e vice-e-versa – mas como eu disse, são as primeiras impressões. 

Um mundo perfeito seria aquele no qual as editoras juntassem as melhores hq’s em uma só revista…

Em breve, a segunda parte, com minha análise da polêmica série Homem-Aranha Superior!

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Bruno Alves

Bruno Alves é professor, rabisca de vez em quando uns desenhos por aí e tem sempre uma música tocando em off na cabeça, mesmo quando não está usando headphones. E sim, ele gosta dos Titãs.

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