Orgulho e Preconceito: Crítica social com toque de humor

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Orgulho e Preconceito: Crítica social com toque de humor

Climinha de amor bateu aqui na porta e à pedidos, escolhi um romance menos aventureiro e bem pacato. Antes da repreensão, aqui vai minha defesa: o que vemos no livro não é a primeira imagem, não é capa embora ela ajude e principalmente, não são as projeções. Tem uns que são água com açúcar, outras loves que ultrapassam o bom senso, mas também tem aquelas que contam um modo de vida. Esqueçam a Moreninha, Paquetá ou dramalhões, Jane Austen é o símbolo de como comédias-românticas podem agradar a todos.

Em 1796 ganhamos a obra Primeiras Impressões de Austen e publicado apenas no dia 28 de janeiro de 1813 pelo Sr. Egerton da Biblioteca Militar, Whitehall, Senso e Sensibilidade. Mulheres não escreviam romances, no máximo uma prosinha singela. Nessa Era Georgiana, Austen assinou suas obras inicias como ” A Lady” para fugir dos julgamentos e pré-conceitos. Entretanto, a nossa obra escolhida, tem assinatura, deslumbre e créditos: Orgulho e Preconceito.

A criação partiu dos momentos em família, burguesia rural e nas cartas para sua irmã Cassandra:

“No todo…Eu estou bem satisfeita …O trabalho é leve e brilhante; e resplandecente; ele quer (precisa) de forma; ele quer ser alongado aqui e ali com um longo e sensato capítulo, se isso pudesse ser conseguido, se não, de solenes enganosos desvarios, sobre algo desconectado com a estória: um ensaio de escrita, uma crítica sobre Walter Scott, ou a história de Buonaparté, ou algo que formasse um contraste e chamasse o leitor (com crescente deleite) para a diversão e geral paradoxo do estilo geral.”

A vida de Austen são suas obras. A educação em casa, o campo e o crescimento da burguesia inglesa. Elizabeth Bennet, o centro da história é uma mulher de 20 anos, dona de uma inteligência particular e de uma língua afiada. Criada com uma família desbocada, recebendo educação em casa junto com suas irmãs. A mais velha é Jane, a mais gentil e atrativa. O pai, Sr. Bennet é um excêntrico que passa a maior parte de seu tempo num reduto de livros e pesquisas para não participar dos dramas e planos casamenteiros da esposa. Mary, é uma pregadora sem-graça e muitas vezes sem a noção de socialização. Enquanto as outras, Kitty e Lydia, são as cópias da mãe, meninas atraídas por homens de uniforme. Todo o Rococó e distinção de classes ocorre a partir da família Bennet. Com os círculos amorosos que vão se formando, principalmente com Mr. Darcy, temos a noção de ascensão da burguesia rural através de partidos mais altos e os sarcasmos e críticas de Austen sobre o comportamento, machismo e a vulgarização dos personagens.

“Como convite, foi o bastante.

– Mas, meu caro, o senhor precisa saber, a Sra. Long me disse que Netherfield foi alugada por um jovem de grande fortuna, do norte a Inglaterra; que ele veio na segunda-feira, numa pequena carruagem puxada por quatro cavalos, para ver o lugar, e ficou tão encantado que no mesmo instante fechou negócio com o sr. Morris; que ele deve se instalar antes da Festa de São Miguel, e que alguns criados são esperados na casa no final da próxima semana.

– Como ele se chama?

– Bingley.

– Casado ou solteiro?

– Oh! Solteiro, meu caro, com certeza! Um homem solteiro e de grande fortuna, quatro ou cinco mil libras por ano. Que ótimo para nossas meninas!

– Por quê? Como isso pode afetá-las?

– Meu caro Sr. Bennet – respondeu a mulher -, como pode ser tão irritante! Deve saber que estou pensando em casá-lo com uma delas.

– É esta a intenção dele ao se instalar aqui?”

Apesar da luta de convenções, dos planos de matrimônio, ainda temos o amor em Austen. O mais singelo, sem maiores dramas ou I’m sexy and a know it, mas ainda assim capaz de arrancar de suspiros dos seres de coração gelado. Uma aula de história e arte, de modo de vida burguês e crítica social com toque de humor, tudo isso antes dos 21 anos da escritora. Quanto aos filmes (tem dois), eu recomendo o mais recente (2005) com a trilha sonora de Dario Marianelli; mesmo tendo Elizabeth (Keira Knightley). O filme transpareceu os pontos de vista da escritora e deixou claro as críticas, não transformando a obra num banquete de doces e futilidades.

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Tem a mesma profissão de Clark Kent, mas sonha em ser Bruce Wayne. Espera até hoje o final de Caverna do Dragão, sua convocação para Hogwarts e ser chamada para lutar na Terra Média!

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