Os Novos 52: Superchoque, Tropa dos Lanternas Vermelhos e Grandes Astros do Faroeste

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Os Novos 52: Superchoque, Tropa dos Lanternas Vermelhos e Grandes Astros do Faroeste

Depois das revistas regulares do reboot da DC, a Panini começou a desovar alguns encadernados compilando arcos completos de algumas séries – e uma já foi cancelada lá fora.

Nesse pacote, o tio aqui leu as edições Superchoque, Grandes Astros do Faroeste e Tropa dos Lanternas Vermelhos.

E então, presta ou não?

superchoque3Lembra do SUPERCHOQUE? É, aquele mesmo do desenho animado exibido pelo SBT. Apesar de ser conhecido no Brasil por causa dessa animação, Superchoque (ou Static Shock, no original) surgiu nos quadrinhos da Milestone, um selo da DC Comics onde todos os personagens principais eram negros – e as histórias tocavam em temas como preconceito e discriminação.

Criado por Dwayne McDuffie e John Paul Leon, o personagem tem uma inspiração declarada no Homem-Aranha. No Brasil, só lembro dele numa saga chamada Quando Mundos Colidem, quando os supers ainda eram publicados pela Editora Abril.

O desenho animado era interessante. A partir de sua segunda temporada, Superchoque teve a participação de outros personagens da DC, como Batman e Liga da Justiça – e ele chegou a participar, já como adulto, dos últimos episódios da série Justice League Unlimited, que se passava no futuro.

Virgil Ovid Hawkins era um garoto normal morando em Dakota quando foi exposto a raios gama um estranho gás que lhe conferiu poderes eletromagnéticos. A partir daí, começa a combater o crime. Sempre bem humorado, não dispensava fazer graça e soltar piadinhas enquanto arriscava a vida enfrentando o vilão da semana (olha o Homem-Aranha aí…).

superchoqueSó que sua vida nos Novos 52 foi curta. Depois de oito edições, desligaram a tomada e a revista foi cancelada. E o responsável foi Scott McDaniel, principal roteirista e desenhista da série. Resumindo: como escritor, McDaniel é um excelente desenhista.

Pelo que entendi do reboot, todas as séries (com exceção dos universos do Batman e do Lanterna Verde) tinham como objetivo atrair novos leitores e para isso as histórias não teriam amarras com a extensa cronologia do universo DC. Não é o que acontece em Superchoque. A trama é confusa, apresenta situações e diálogos que me deixaram perdido, como se eu tivesse que ter lido alguma coisa antes para poder entender. Pode isso, Arnaldo?

Há uma subtrama com a irmã de Virgil, Sharon, que foi sequestrada e duplicada (!). Tem um monte de vilão meio monstro que não se sabe de onde veio e nem para onde vai. Tem um vilão-mestre cujo objetivo é… o que mesmo? O confronto final entre o herói e o vilão é anticlimático. No meio desse samba do crioulo doido, tá lá o coitado do Superchoque, um personagem divertido, determinado, inteligente, com um poder maneiro e com um potencial imenso, totalmente desperdiçado.

Não é de todo ruim, dá para se divertir despretensiosamente, mas fica a sensação de que McDaniel tinha ideias demais e foi obrigado a jogar tudo de uma vez nas seis edições que escreveu (as duas últimas são escritas por Marc Bernardin) quando soube que a revista ia ser cancelada. Pena. Mas, segundo a DC, o herói continuará aparecendo em outras publicações.

A edição da Panini vem com um breve histórico do personagem. São 172 páginas coloridas, papel pisa brite, capa em couché, custando R$ 16,90.

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Tropa dos Lanternas Vermelhas – Eu já tinha dito na minha avaliação inicial dos Novos 52 que essa série era terrível. E olha que eu só tinha lido três edições.

Ao ler as sete edições compiladas pela Panini em Tropa dos Lanternas Vermelhos (148 páginas coloridas, papel pisa brite, R$ 14,90) cheguei a conclusão que minha avaliação inicial não foi precipitada.

tropaverm-600x917A série é escrita por Peter Milligan, que é um excelente escritor de quadrinhos. São dele clássicos como Shade: O Homem Mutável, além da graphic novel Skreemer. Também nos deu boas histórias quando passou por Animal Man e John Constantine Hellblazer, da Vertigo/DC e por X-Force e X-Statix, da Marvel. Mas aqui ele perde a mão, talvez porque os personagens não ajudem.

A série é focada em Atrócitus, o único sobrevivente do planeta Ryut, que foi destruído pelos Caçadores Cósmicos (robôs criados pelos Guardiões). Movido pela fúria e pelo desejo de vingança contra os Guardiões, ele conseguiu dominar uma força ancestral e criou uma bateria vermelha, que lhe dá poderes semelhantes aos dos Lanternas Verdes. Líder de um grupo de Lanternas Vermelhos totalmente descerebrado e excessivamente violento, Atrócitus está confuso sobre seu papel no universo.

Então, ele vira meio que um justiceiro cósmico, que julga, condena e executa aqueles que praticam inustiças no universo. A trama é basicamente essa e serve como desculpa para eternas e maçantes cenas de luta, massacres sanguinolentos e tripas voando – registradas pela arte do excelente Ed Benes, brazuca dos bons.

a bunda de bleez_lanternas vermelhosBenes é especialista em fazer mulheres esculturais e, claro, a série não podia deixar de exibir uma: Bleez, que passa a revista toda num maiô fio-dental fazendo poses sensuais para mostrar seu bumbum perfeito.

O problema da série é que não conseguimos (eu pelo menos não consegui) ter empatia pelo personagem principal, nem pelos secundários, nem pelas subtramas. Nem a aparição de Guy Gardner na edição 7 salva. As histórias são pesadas, mal-humoradas, lentas. Não dá para entender porque isso ainda não foi cancelado, mas se você gosta de personagens rangendo dentes, sangue em profusão e leitura descompromissada, quem sabe…

Grandes Astros do Faroeste

Grandes Astros do Faroeste – Com essa revista eu quebrei a cara. Li as primeiras edições e apesar de ter achado interessante, acreditava que a coisa não ia render, apesar de ser fã de carteirinha do feioso Jonah Hex, o caubói mais casca-grossa dos quadrinhos. E não é que me surpreendi?

Depois de ler as seis edições que fecham o primeiro arco da série mudei minha opinião: a HQ é boa, de verdade, e vale a pena. Acho que meu estranhamento se deu por dois fatos: primeiro, é esquisito ver Jonah Hex longe do seu habitat natural; segundo, é mais esquisito ainda ver o mesmo numa trama meio detetivesca. Mas o conjunto da obra apaga tudo isso rapidinho.

Hex, um caçador de recompensas, está em Gotham City atrás de três irmãos alma sebosas, que poderão lhe render mais de mil dólares. Ao chegar à cidade, é contratado pelo médico Amadeus Arkham, que conhece sua fama, para ajudar a polícia a capturar um misterioso assassino serial que está matando prostitutas. A polícia rejeita a ajuda de Hex, que continua a caçada mesmo assim. Depois de um novo assassinato envolvendo uma amiga, Hex torna o caso pessoal e aí ninguém pode segurar o desfigurado caubói.

grandes astrosSempre vestindo seu surrado uniforme dos Confederados, Jonah Hex é um turrão por natureza e seu comportamento choca os ricos e poderosos de Gotham City, já corrupta e decadente no ano de 1880. A história é narrada pelo Dr. Arkham , que escreve em seu diário o dia-a-dia da investigação dos crimes e ao mesmo tempo vai traçando um perfil psicológico do seu inusitado parceiro.

No decorrer da trama, alguns nomes familiares vão surgindo na forma de antepassados, como Cobblepott e Wayne; além disso, Gray e Palmmiotti brincam com os símbolos mais marcantes de Gotham City em algumas passagens, como uma certa caverna.

O encadernado tem 180 páginas coloridas, capa em papel cartão e miolo em papel LWC. Pelo acabamento, é o mais caro dos encadernados: R$ 21,00. Mas vale cada centavo, vai por mim – apesar da arte meia-boca de Moritat.

Ah, e complementam o álbum um texto sobre a trajetória de Hex nas bancas brasileiras e duas hq’s curtas: uma do personagem El Diablo enfrentando zumbis no velho oeste, com arte excepcional do mestre Jordi Bernet; e outra do Espírito Bárbaro, uma jovem chinesa que busca vingança contra o homem que chacinou sua família. As duas são despretensiosas e divertidas e também fora escritas por Gray e Palmmiotti.

Bakamoon Comic ShopOs encadernados foram cedidos pela nossa parceira Bakamoon Comic Shop, loja especializada em quadrinhos novos e usados – onde você também encontra action figures, camisas e acessórios.

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Bruno Alves

Bruno Alves é professor, rabisca de vez em quando uns desenhos por aí e tem sempre uma música tocando em off na cabeça, mesmo quando não está usando headphones. E sim, ele gosta dos Titãs.

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