One Piece volta às bancas em dose dupla

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One Piece volta às bancas em dose dupla

“Mangá não é história em quadrinhos!”

Era assim que um amigo se referia aos quadrinhos japoneses quando os mesmos começaram a ser publicados no Brasil – e o fato de virem com o sentido de leitura original (da direita para a esquerda) só serviu para atrapalhar qualquer futura relação de amor entre ele e os Gokus da vida.

Também nunca fui muito fã do estilo. Mas quando a Editora Abril publicou a série Mai, a garota sensitiva, comprei a primeira edição só por causa do desenho. E fiquei fascinado. Completei a coleção. Em seguida, descobri num sebo a série Crying Freeman, publicado em 1990 pela Editora Nova Sampa. Pronto. Eu estava fisgado.

Mas as produções seguintes que me caíram nas mãos foram uma decepção – detestei Cavaleiros do Zodíaco (nunca gostei do anime) e Yu-Yu Hakusho. Deixei os quadrinhos japoneses de lado até que, num Festival Internacional de Humor e Quadrinhos de Pernambuco a Editora Conrad distribuiu de grátis vários mangás publicados por ela.

Um deles me chamou a atenção pelo desenho, cheio de personalidade e detalhes e que fugia dos outros estilos comuns no gênero. Quando li, fiquei apaixonado.

Esse mangá era ONE PIECE, de Eiichiro Oda.

monkey d luffyAlém do desenho foda, a premissa da HQ é ótima: um garoto chamado Monkey D. Luffy tem o grande sonho de ser o Rei dos Piratas, apesar dos conselhos contrários dos moradores da vila onde ele vive. Luffy vira amigo do pirata Shanx, o Ruivo, que vez ou outra descansava com seus homens na vila.

Um dia, acidentalmente, Luffy come um dos míticos frutos do diabo – que, dependendo do tipo, confere habilidades especiais a quem comê-los. Assim, o garoto vira um homem-borracha e, ao mesmo tempo, perde a capacidade de nadar. Um castigo pesado para quem pretende se aventurar pelos mares.

Mas o obstinado garoto não desiste e, anos mais tarde, já adolescente, decide partir para realizar seu sonho: arregimentar uma tripulação, cruzar a temida Grande Rota, pegar o lendário tesouro One Piece e se tornar o Rei dos Piratas.

A partir daí, Eiichiro Oda nos dá de presente uma das mais divertidas e criativas aventuras de pirata de todos os tempos: personagens bizarros e inusitados, locações fantásticas, animais assustadores e inimigos implacáveis povoam o universo particular dessa série, que é um dos mangás mais vendidos do Japão.

One PeaceNo seu caminho para se tornar o Rei dos Piratas, Luffy (também conhecido como Chapéu de Palha) vai encontrando aqueles que, futuramente, farão parte de sua corajosa tripulação. O primeiro é, para mim, o grande personagem da série, um dos maiores espadachins do mundo da ficção: Roronoa Zoro, o caçador de piratas (mas que depois vira amigo de Luffy). Além dele, completam a trupe a ladra Nami, o atirador Usopp, o médico Tony Tony Chopper e o cozinheiro Sanji – mais à frente essa tripulação é ampliada com outros divertidos personagens.Roronoa Zoro

E como todas as hq’s japonesas (pelo menos aos que eu li) junto com a ação desenfreada você encontra boas histórias abordando temas como amizade, determinação, superação de obstáculos e honra – mas sem pieguices ou didatismos.

A série era publicada pela Conrad, mas em 2010, por problemas com a editora original japonesa, ela foi cancelada no Brasil. Agora, a Panini retoma a série de onde ela parou (edição 36) mas também relança a mesma para novos leitores. A edição que reinicia a série tem periodicidade mensal enquanto a outra é bimestral. Cada uma custa R$ 10,90 e compila duas edições originais japonesas.

Se você também tem um pé atrás com mangás, dê uma chance a One Piece. Eu garanto que você vai se divertir muito.

(e se conseguir achar em sebos, também recomendo Samurai X e Death Note – duas séries foda!)

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Bruno Alves

Bruno Alves é professor, rabisca de vez em quando uns desenhos por aí e tem sempre uma música tocando em off na cabeça, mesmo quando não está usando headphones. E sim, ele gosta dos Titãs.

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