Panini revela seus planos para o Reboot da DC Comics

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Panini revela seus planos para o Reboot da DC Comics

Como já falamos aqui, em setembro de 2011 a DC Comics recomeçou seu universo de heróis do zero, lançando The New 52 – 52 novas revistas recontando as aventuras de seu universo para a nova geração – e mexendo até no visual de personagens icônicos como o Superman.

A empreitada deu certo e o hype inicial transformou a DC numa campeã de vendas. Mas com uma quantidade tão grande de revistas era de se esperar que alguma fizesse água e não deu outra: seis já foram canceladas e serão substituídas por outras seis novas séries.

Desde o lançamento da novidade nos USA os fãs brasileiros da DC ficaram ansiosos: quando será que essa mudança chegaria por aqui oficialmente?

(até porque não-oficialmente chegou no mesmo dia do lançamento)

Pois a espera acabou. A Panini divulgou seus planos para a publicação dos Novos 52, que já chegam às bancas no próximo mês de junho. A estratégia é ousada: a editora vai publicar TODAS AS 52 SÉRIES (incluindo aí as que já foram canceladas). Para dar conta de tudo isso, ela vai atacar em duas frentes: os heróis mais populares vão direto para as bancas de revistas, enquanto outros farão parte de séries especiais que serão vendidas apenas em comic shops, em parceria com a editora Devir Brasil e a loja Comix Book Shop.

Corajoso. Arriscado. Será que vai dar certo?

Como fica a distribuição das séries?

A editora vai manter o padrão de publicações mix e distribuir as séries em várias revistas. Esse formato é polêmico desde os tempos do formatinho da Abril, porque você termina adquirindo porcarias só para poder ler aquela série foda do seu herói preferido. Por outro lado, publicar uma revista para cada personagem, como é o padrão nos EUA, não daria certo por aqui. Ou seja, revista mix não é o melhor, mas é o que podemos ter.

Dito isso, vamos às revistas da Panini e o mix de séries que cada uma vai ter, com um breve comentário sobre a relação custo/benefício delas.

UNIVERSO MORCEGAL ou THE BEST – compre!

Batman - Os novos 52

BATMAN: inclui as séries Batman (Scott Snyder e Greg Capullo), Batman – O Cavaleiro das Trevas (Paul Jenkins e David Finch) e Detective Comics (Tony Daniel). Excelentes histórias, arte fuderosa e o bom e velho morcego de sempre. O final da edição 1 de Detective Comics é um soco no estômago e com certeza vai arrancar um sorriso nervoso de seus lábios.

A SOMBRA DO BATMAN: Batman & Robin (Peter Tomasi e Patrick Gleason), Batwoman (JH Williams e W. Haden Blackman), Batgirl (Gail Simone e Ardian Syaf), MulherGato (Judd Winick e Guillem March), Capuz Vermelho e os Renegados (Scott Lobdell e Kenneth Rocafort), Batwing (Judd Winick e Ben Oliver), Asa Noturna (Kyle Higgins e Eddy Barrows).

Aqui o destaque é Batman & Robin, que mostra a complicada relação de Bruce Wayne e seu filho Damian, um pivete abusado e de personalidade forte. Batwoman vem em seguida no quesito qualidade de roteiro e arte; Batgirl tem sido divertida; Mulher-Gato é simpática, Batwing (o Batman africano) é uma novidade legal e Asa Noturna só vale porque ele é o Dick Grayson, o primeiro Robin e o sucessor natural do Morcego – resumindo, eu só leio por causa do personagem, mas as histórias não são tão boas assim. Teremos que engolir Capuz Vermelho, que é uma losna, mas no fim o saldo é positivo. Compre sem pestanejar.

É, pelo visto, vou voltar a comprar quadrinhos regularmente.

Superman sem cueca vermelha também vale a pena.

Superman - Os novos 52

A revista SUPERMAN é outra boa opção. A série Action Comics, escrita pelo maluco Grant Morrison, é uma bela homenagem ao conceito original do Homem de Aço – jovem e inexperiente, Kal-El ainda está descobrindo seus poderes; seu uniforme se resume a uma pequena capa vermelha, uma camiseta com o S, jeans surrados e botas de fazendeiro. Estranho, mas interessante. Já Superman, escrita pelo veterano George Pérez, conta as aventuras atuais do personagem, que não usa mais uma cueca vermelha por cima das calças – na verdade, ele agora usa uma armadura. É um novo conceito para o personagem e vale a pena acompanhar para ver no que vai dar.

Supergirl, de Michael Green, Mike Johnson e Mahmud Asrar, ainda não disse ao que veio. Mas pode ser birra minha, que nunca fui muito fã dessa super de saias curtas – que agora usa um maiô. Dá prá ler.

Superman também entrou na minha lista de compras.

Liga da Justiça de Geoff Johns é imperdível, mas…

Liga da Justiça - Os novos 52

A série da Liga da Justiça devia fazer parte do mix do Superman, porque Geoff Johns e Jim Lee estão mandando bem e o supergrupo da DC tem mais a ver com as hq’s do kryptoniano. Mas ela vai ter revista própria – LIGA DA JUSTIÇA – que também trará Liga da Justiça Internacional (de Dan Jurgens e Aaron Lopresti), insossa que dói, e Capitão Átomo, de JT Krul e Freddie Williams III, que também não é lá grande coisa. Pelo visto não vou acompanhar a Liga dessa vez.

O velocista da DC vai estrelar sua própria revista. FLASH trará Flash (duh!), de Francis Manapul e Brian Buccellato, que tá boa; Arqueiro Verde, (JT Krul e Dan Jurgens), que não tá tão interessante assim – Oliver Queen perdeu um pouco do charme nessa versão mais jovem. E prá fechar, Exterminador, de Kyle Higgins e Joe Bennett, que vale a pena. Tai outra revista cuja relação custo/benefício tá bem equilibrada. Mais uma na lista.

O universo dos Lanternas Verdes vai ter revista própria: LANTERNA VERDE publicará as séries Lanterna Verde, de Geoff Johns e Doug Mahnke, que mantém a qualidade que tinha antes do reboot; Tropa dos Lanternas Verdes (Peter J. Tomasi e Fernando Passarin), que também vale a pena acompanhar e Novos Guardiões (de Tony Bedard e Tyler Kirkham), que tá dentro da temática e tem lá seus méritos. Taí outra revista que merece uma chance – principalmente para quem gosta do nicho cósmico da DC.

O resto, com todo o respeito

UNIVERSO DC trará sete séries, das quais três já foram canceladas: as fracas Senhor Incrível e Blackhawks e o excelente OMAC, de Dan Didio e Keith Giffen – uma pena terem acabado com essa. O novo Aquaman (Geoff Johns e Ivan Reis) é interessante por tentar apagar a imagem de herói inútil do homem peixe da DC. Pelo menos nesse início, está conseguindo. Mulher Maravilha, de Brian Azzarello e Cliff Chiang, mantém o nível e o respeito à personagem. Mas o Selvagem Gavião Negro e A Fúria de Nuclear são ruins de doer.

Três de sete. Relação custo/benefício aqui ficou ruim. Eu vou passar longe dessa.

Estas são as revistas que irão para as bancas. Para as comic-shops, a Panini vai lançar:

NOVOS TITÃS & SUPERBOY: com as séries homônimas, que prá mim nem fedem nem cheiram. Sério, o que foi aquilo que fizeram com Tim Drake, o segundo melhor Robin do universo do morcego? Aquilo é um uniforme ou uma fantasia de escola de samba, cheia de penas?

ESQUADRÃO SUICIDA & AVES DE RAPINA: Aves de Rapina é legal, mas o Esquadrão Suicida é desprezível. Empatou.

UNIVERSO DC APRESENTA: DESAFIADOR: Paul Jenkins e Bernard Chang estão mandando bem nas histórias do fantasma-vermelho-da-DC-cujo-uniforme-lembra-o-Demolidor-da-Marvel. Tai um título que vai valer a pena acompanhar (o problema é o bolso aguentar)

FRANKENSTEIN, AGENTE DA S.O.M.B.R.A: esqueça!

TROPA DOS LANTERNAS VERDES, com a terrível Lanternas Vermelhos. Próximo.

SARGENTO ROCK E OS HOMENS DA GUERRA, série que li com muito esforço e que não vale a tinta gasta com a impressão.

GRANDES ASTROS DO FAROESTE, que é simpática, mas não é assim uma Brastemp. Prefiro ler Tex.

UNIVERSO DC - Os novos 52

Agora, conte comigo. É isso mesmo: estão faltando 14 séries, entre elas as duas melhores desse reboot: Monstro do Pântano e Homem-Animal. Seria ideal que as duas séries fossem publicadas numa única revista, já que elas têm o mesmo clima de terror, mas não sabemos qual vai ser a estratégia da Panini para estas outras revistas. Vamos aguardar.

A Panini também não informou se vai zerar a numeração das revistas que já existem, mas é bem provável que sim, até para marcar esse recomeço.

Gostei da ousadia da Panini. Essa decisão de publicar as 52 séries não deve ter sido fácil, até porque o investimento é grande e o retorno pode não ser o esperado, já que com os scans, boa parte dos leitores já conheceu o material original e já sabe o que comprar sem riscos.

Mas é claro que tem o fator novidade, o fator “fã-que-compra-tudo”, o fator “colecionador-early-adopter” e o fator “parei-de-comprar-mas-vou-dar-uma-chance”; então, acredito que pelo menos nesse início as revistas vão vender bem.

Ah, e também vai ter serviço de assinaturas. O Pacote DC custa R$ 338,40 e tem quatro revistas: Batman, Superman, Lanterna Verde e Universo DC. O Pacote DC Premium custa R$ 574,80 com as quatro citadas + Liga da Justiça, A Sombra de Batman e Flash.

Bem que a Panini podia ousar aqui também, né? Seria bom se o leitor pudesse montar o seu pacote. Eu assinaria sem problemas o Pacote DC se pudesse substituir Lanterna Verde e Universo DC por A Sombra de Batman e Flash. Do jeito que está não vale a pena, pelo menos para mim.

Lembram que no post anterior eu avisei para vocês irem guardando suas moedas? Olhaí! Guardaram? E então, quais títulos vocês pretendem comprar?

Junho vai ser um mês interessante.

Bruno Alves

Bruno Alves é professor, rabisca de vez em quando uns desenhos por aí e tem sempre uma música tocando em off na cabeça, mesmo quando não está usando headphones. E sim, ele gosta dos Titãs.

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