O Incrível Hulk – Planeta Hulk | CRÍTICA

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O Incrível Hulk – Planeta Hulk | CRÍTICA

Quando a Marvel Comics decidiu criar seu próprio universo de super-heróis já chegou inovando com o Quarteto Fantástico, um grupo que na verdade era uma família, não escondiam suas verdadeiras identidades e tinham um membro que fugia a todos os modelos de herói até então conhecidos: o grotesco (mas de bom coração) Coisa.

O Incrível Hulk veio em 1962. Do mesmo modo que o Coisa, o personagem era um herói monstruoso e assustador – e uma versão moderna do Dr. Jekyll e de sua contraparte maligna Mr. Hyde (personagens do clássico da literatura O Médico e o Monstro, de Robert Louis Stevenson, de 1886). A origem todo mundo conhece: Dr. Bruce Banner, o pobre Banner, por um lindo cano entrou: exposto aos raios gama, no feio Hulk virou! Verde o monstro, incompreendido, grosso, passou a lutar por ser querido, vivendo sempre na fossa!

Planeta-HulkNesses 54 anos de existência, o Golias Esmeralda passou por várias fases: no início era cinza e não tão gigante, rapidinho ficou verde, cresceu, ficou inteligente, ficou sem sua contraparte humana e virou um monstro sem razão, foi separado fisicamente de Bruce Banner , ficou cinza de novo e por aí vai.

Para mim, o Hulk tem duas grandes histórias especiais (Futuro Imperfeito, de Peter David e Banner, de Brian Azarello) e duas fases importantes em sua série regular: a primeira foi a curta temporada que John Byrne tomou as rédeas do personagem; e a segunda é saga conhecida como Encruzilhada, de 1984, onde o Hulk, em estado de selvageria total depois de ter sido dominado mentalmente por um inimigo, é exilado da Terra pelo Doutor Estranho para uma dimensão chamada Encruzilhada e ficou vagando por diversas realidades durante um ano, até voltar furioso para a Terra.

Planeta Hulk

E essa é basicamente a mesma premissa da saga publicada pela Panini Books. Em Planeta Hulk (428 páginas, capa dura, R$ 54,90), nosso herói verde continua causando destruição por onde passa. Assim, o grupo conhecido como Iluminatti, formado por Tony Stark, Prof. Xavier, Reed Richards, Namor, Raio Negro, Doutor Estranho e Pantera Negra decidem mandar o Hulk para fora da Terra. Para isso, eles enganam o coitado e o colocam numa nave para destruir um satélite-robô-assassino. Só que ao final da missão a nave segue a programação estabelecida e se afasta da Terra, rumo a um planeta similar ao nosso, com fauna e flora que permitiria a sobrevivência do Hulk sem que ele fosse ferido ou ferisse alguém.

Ao perceber o que está acontecendo, Hulk fica furioso com seus colegas e destrói o painel da nave, que sai da rota programada e termina caindo num wormhole que o transporta para outra galáxia. É nesse ponto que o encadernado começa.

A nave cai no planeta Sakaar, que é governado pelo maléfico Rei Vermelho, que comanda esse mundo com mão de ferro e promove combates entre seus escravos de várias raças. Devido a sua grande força, selvageria e rebeldia, o Golias Verde causa preocupação ao rei ao mesmo tempo em que conquista a admiração de seus colegas gladiadores.

Hulk se alia a um grupo de lutadores (que inclui um membro do coletivo da Ninhada) e praticamente vira um líder entre eles – a população começa a acreditar que o gigante verde é o escolhido, que segundo as profecias vai libertar o povo da tirania.

O roteiro de Greg Pak é bastante detalhado, dando espaço aos personagens coadjuvantes e tornando-os interessantes no decorrer da trama, a ponto de nos preocuparmos com alguns deles, além de apresentar de modo exemplar a cultura do planeta e de suas diversas raças. Além disso, a evolução do Hulk de escravo para o líder dos rebeldes é precisa e feita sem pressa. Todo esse detalhismo é impressionante e nos prende à história, embora às vezes atrapalhe o ritmo da narrativa, tornando-o um pouco lento.

Sendo tratado por diversos nomes (Cicatriz Verde, Quebra Mundos, Olho da Fúria, Haarkanon, Haarq, Holku) o Hulk ganha o respeito dos nativos e se torna uma lenda. Porém, como sempre, a alegria do pobre Hulk dura pouco e a tragédia paira sobre sua tênue alegria.

Nunca o personagem se adequou tanto a um ambiente como em Sakaar e por isso essa saga é tão marcante na história do personagem. Se você nunca leu nada do Hulk, tai uma boa oportunidade para começar.

Junto ao roteiro de Pak temos a arte de feras como Carlo Pagulayan, Aaron Lopestri, Marshal Rogers, Alex Niño e Gary Frank.

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Além das 14 edições da revista The Incredible Hulk que publicaram a saga, completam o álbum uma HQ da revista Giant Size Hulk 1 e outra de Amazing Fantasy 15 e uma galeria de capas, além do Planet Hulk: Gladiator Guidebook, um guia completíssimo que mostra coisas como o mapa estelar do sistema Sakarr, a geografia do planeta (com direito a mapa), detalhes sobre a História, a Cultura, Sociedade e Tecnologia, uma planta da Cidade da Coroa e a história dos Grandes Jogos e de seus grandes lutadores.

Confesso que não li essa parte enciclopédica toda, mas achei interessante pelo fato de mostrar todo o planejamento do Greg Pak para dar credibilidade e consistência ao universo que criou. Isso sim é que profundidade…

E, como todos sabem, essa saga é um prelúdio para Hulk contra o Mundo, onde os heróis Marvel, depois de passarem por uma Guerra Civil, tem que lidar com um certo gigante verde cheio de raiva. Imperdível. Mas essa já é outra história…

Nota: 4 canecas de Expresso Extra Forte

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Bruno Alves

Bruno Alves é professor, rabisca de vez em quando uns desenhos por aí e tem sempre uma música tocando em off na cabeça, mesmo quando não está usando headphones. E sim, ele gosta dos Titãs.

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