Quadrinhos clássicos encadernados para comprar antes de morrer #1

Livros e HQ

Quadrinhos clássicos encadernados para comprar antes de morrer #1

Dando continuidade à seleção de quadrinhos encadernados, hoje vamos de clássicos – aquelas obras-primas que devem ser lidas por qualquer pessoa que se diz fã de quadrinhos, sob pena de ser expulsa do clube!

Não pensem que foi fácil. Perdi a conta das vezes que esta lista foi reescrita – toda vez que eu me lembrava de um quadrinho legal tinha que cortar outro, preocupado com o tamanho da lista.

Então, fiquem com a primeira parte e semana que vem falo de outros clássicos que ficaram de fora.

Divirtam-se! E leiam os quadrinhos!!!!

 

Batman – O Cavaleiro das Trevas

(Roteiro e arte Frank Miller com arte-final de Klaus Janson)

Batman - O Cavaleiro Das TrevasEm sua trajetória, o Batman teve três renascimentos. O primeiro aconteceu nos anos 60 por causa da série de sucesso da TV – aquela com Adam West. Foi com ela que a chamada Batmania tomou conta dos EUA – antes da série, os quadrinhos do morcego estavam devagar quase parando.

O segundo renascimento foi nos anos 70 e teve a missão de apagar a imagem engraçadinha que o seriado cravou no Cruzado Embuçado (morria de rir quando o Batman era chamado assim na série). Neal Adams e Dennis O’Neil resgataram o herói sombrio com histórias mais adultas e violentas. Mas a consolidação do personagem veio em 1986 com a mini-série especial Batman The Dark Knight Returns, de Frank Miller.

Na HQ, Batman está afastado das ruas, traumatizado pela morte do Robin. Bruce Wayne virou um bilionário solitário, assombrado por fantasmas na sua gigantesca mansão. Os super-heróis foram proibidos de atuar, o crime está em níveis estratosféricos e uma guerra nuclear está prestes a acontecer. Até que, indignado com o inferno que a cidade se tornou, Batman volta a caçar criminosos, dez anos depois de seu exílio.

Seu retorno causa uma série de reações: o Coringa sai do seu estado catatônico e volta a matar, as pessoas voltam a ter esperança, um novo Robin surge e o governo americano manda o Superman deter o morcegão. Roteiro e arte de um inspirado Frank Miller (que atualmente perdeu a mão). Simplesmente épico! A Warner está produzindo uma animação dessa saga, que vai ser imperdível! Pena que anos depois o mesmo Miller fez caquinha com O Cavaleiro das Trevas 2.

 

A Piada Mortal

(Roteiro de Alan Moore e arte belíssima de Brian Bolland)

A Piada Mortal Simplesmente o melhor confronto entre Batman e seu nêmesis, o Coringa. Mais ensandecido do que nunca, o Palhaço do Crime sequestra o Comissário Gordon com o objetivo de provar uma teoria: que para ser louco basta apenas um dia ruim na vida de qualquer pessoa. No processo, ele atira na filha do comissário (Bárbara Gordon, a Batgirl), que fica paraplégica. O genial da HQ é a narrativa paralela onde Moore mostra a trágica origem do Coringa e o papel que o Batman teve nesse acontecimento. A sequência final é antológica, com os dois gargalhando juntos debaixo de um toró.

  

Sandman

(Neil Gaiman e diversos artistas)

“Com um punhado de areia, eu mostrarei o terror a vocês!”

SandmanO que falar de Sandman sem ser repetitivo? A obra de Neil Gaiman é tão emblemática que praticamente reinventou o gênero quadrinho adulto nos EUA. Foi por causa de Sandman que a editora criou o selo adulto Vertigo, berço de grandes obras em quadrinhos, dignas de figuras em qualquer lista de Melhores Quadrinhos de todos os tempos.

Gaiman criou todo um universo próprio dentro do universo DC, com personagens marcantes e tramas cheias de referências à cultura pop, mitologia, literatura, artes visuais, ocultismo e por aí vai. Foram 75 edições irretocáveis, com sagas inesquecíveis como Prelúdios e Noturnos, Terra dos Sonhos (com histórias independentes e imperdíveis: Callíope, Sonhos de Mil Gatos, Sonho de Uma Noite de Verão e Fachada), Estação das Brumas, Um Jogo de Você…

A saga do Lorde Morpheus já foi reeditada diversas vezes, mas a atual encarnação da série é obra da Panini Comics, que tem belíssimos encadernados com as hq’s + extras, em embalagem de luxo. Custa caro, mas vale a pena.

 

Crise nas Infinitas Terras

(Roteiro de Marv Wolfman e arte foda de George Perez)

Crise nas Infinitas Terras Pense numa editora prá gostar de crises! A DC Comics vive fazendo reboots de seus personagens, uns interessantes (como o atual) e outros totalmente dispensáveis (Zero Hora). Mas o principal foi essa série em 12 edições lançada entre 1985 e 1986. O objetivo dela foi o de colocar ordem na zona editorial no qual a editora se meteu, já que ela tinha adquirido centenas de personagens de outras editoras menores e criado universos distintos para cada um deles – o chamado Multiverso.

Marv Wolfman teve um trabalho de cão prá colocar isso em ordem e inventou uma crise cósmica, onde dois personagens (Monitor e AntiMonitor) lutavam pelo multiverso. Apesar de em alguns momentos a trama ficar confusa, Wolfman conseguiu amarrar as pontas e deixou várias pontas a serem aproveitadas pelos futuros roteiristas da casa.

As trágicas mortes da Supermoça e do Flash foram emblemáticas. Além disso, a história aborda temas como determinação, superação, heroísmo e sacrifício. É uma excelente aventura de super-heróis, que chamou a atenção pela grandiosidade e pela arte detalhista de George Perez, o homem que consegue colocar mil personagens numa única ilustração. Obrigatório para entender o universo DC. Pena que anos depois a editora voltou com esse papo de multiverso. Esse povo não aprende.

 

A Saga do Monstro do Pântano

(Roteiro de Alan Moore, arte de Steve Bissette e John Totleben)

A Saga do Monstro do PântanoUma das características dos roteiristas ingleses de quadrinhos (Gaiman, Morrison, Moore) é o de pegar personagens secundários (ou terciários…) e dar um novo olhar sobre eles. Gaiman fez isso com Sandman, Morrison com o Homem-Animal e Alan Moore com o Monstro do Pântano.

Em sua origem, o monstro lodoso era Alec Holland, um cientista que sofreu um acidente, caiu em chamas no pântano e se transformou num monstro verde. Alan Moore muda tudo isso ao revelar que o monstro nunca foi Alec Holland e sim que os vegetais do pântano absorveram a fórmula química que ele estava desenvolvendo, além de suas memórias e da aparência humana. Assim, o Monstro do Pântano de Moore é um Elemental da natureza e a partir daí suas histórias focam essa característica do personagem – ele pode viajar pelo verde, isto é, se desfaz fisicamente num local e sua consciência emerge a quilômetros de distância, criando um novo corpo vegetal. Foi o personagem que tornou Alan Moore um ídolo nos EUA e no resto do mundo.

Nas 45 edições, Moore cria um universo de terror, com histórias adultas e cenas impactantes. Pena que, no Brasil, a série tenha ficado incompleta. Mas é fácil de achar por aí os encadernados da Editora Abril e da Pixel Media (essa com mais qualidade).

Com o atual sucesso do personagem no reboot da DC, quem sabe a Panini não se interessa em republicar as hq’s de Alan Moore e completar a saga por aqui. Vamos fazer um abaixo-assinado?

Na próxima semana: Estórias Gerais, A Queda de Murdock, Zap Comix, Maus, Toda Mafalda

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Bruno Alves

Bruno Alves é professor, rabisca de vez em quando uns desenhos por aí e tem sempre uma música tocando em off na cabeça, mesmo quando não está usando headphones. E sim, ele gosta dos Titãs.

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