O mercado de quadrinhos no Brasil

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O mercado de quadrinhos no Brasil

Sabe aquela máxima que diz: “cuidado com aquilo que você deseja, pois pode se tornar realidade”? Pois ela se aplica muito bem ao atual mercado de histórias em quadrinhos no Brasil. No início dos anos 80, ao entrar em uma banca de revistas, você tinha quatro opções de HQ para comprar: os heróis da DC/Marvel, os personagens underground da Chiclete com Banana de Angeli e Cia, a Turma da Mônica e os bichos falantes da Disney. Simples assim.

Quadrinhos da Marvel Turma da Mônica Marvel Disney DC Comics Angeli 4mundo  O mercado de quadrinhos no Brasil

Como os preços também eram convidativos, normalmente um leitor voraz de hq’s saía da banca com a sacola cheia. Do outro lado dessa moeda estavam os quadrinhos independentes, os fanzines, lutando por um lugar ao sol na preferência dos leitores, mas esbarrando em dificuldades como divulgação e distribuição de seus títulos.

Quem lia quadrinhos naquele período sempre reclamou da falta de diversidade. Onde estavam os quadrinhos europeus? E os mangás? E o quadrinho nacional?

Trinta anos depois, o cenário é completamente diferente. Para melhor e para pior.

Hoje, o mercado de quadrinho no Brasil é bastante diversificado. Mas ainda está muito longe da realidade dos Estados Unidos, por exemplo, onde são publicadas em média 500 revistas por mês. Mas aquilo lá é uma indústria já solidificada, assim como acontece no Japão e em alguns países da Europa – que publicam autores nacionais, com excelentes resultados de vendas.

Daytripper de Fbio Moon e Gabriel B thumb Turma da Mônica Marvel Disney DC Comics Angeli 4mundo  O mercado de quadrinhos no BrasilNo Brasil, os números do mercado editorial são animadores. Segundo uma pesquisa feita pela Câmara Brasileira do Livro, houve um aumento no número de livros vendidos e uma redução no faturamento – resumindo, estamos lendo mais e pagando menos por isso.

A diversidade das publicações de quadrinhos no Brasil pode indicar que estamos no melhor dos mundos, mas não sejamos tão otimistas. Ok, temos diversos gêneros nas livrarias (o novo reduto das hq’s), de super-heróis em edições luxuosas a álbuns autobiográficos, passando por homenagens como Maurício de Sousa 50 Anos e quadrinhos autorais (Daytripper). Temos quadrinhos chineses, iranianos, argentinos e por aí vai.

O incentivo à publicação de quadrinhos nacionais por meio de programas institucionais como o Programa Nacional Biblioteca na Escola, Programa Nacional do Livro Didático e o ProAc (SP) tem permitido a alguns autores publicarem pela primeira vez e resultado em produtos que são sucesso de vendas, como o álbum Bando de Dois, de Danilo Beyruth.

Por outro lado, a internet tem possibilitado a autores divulgarem seus trabalhos e, como consequência dessa visibilidade, migrarem para o impresso – como os Bichinhos de Jardim, da Clara Gomes.

Voz da natureza Bichinhos de Jardim por Clara Gomes Turma da Mônica Marvel Disney DC Comics Angeli 4mundo  O mercado de quadrinhos no Brasil

E aqueles quadrinhos independentes que antes brigavam para sair do subterrâneo hoje tem maior visibilidade, principalmente por causa da facilidade de impressão, divulgação e distribuição de suas revistas (vide o Quarto Mundo).

Esse cenário animador também pode ser medido pela quantidade de editoras que estão surgindo e outras já estabelecidas que entraram no segmento.

Batman O Cavaleiro Das Trevas Turma da Mônica Marvel Disney DC Comics Angeli 4mundo  O mercado de quadrinhos no BrasilPor outro lado, nunca o quadrinho foi tão caro. Ao se transformar em produto descolado, hype, o quadrinho migrou para livrarias; álbuns tem tiragem limitada, o que termina encarecendo o produto e afastando potenciais leitores.

Cuidado com o que você deseja, lembra?

Ok, vivemos um cenário animador. As vendas estão bombando. Tem quadrinho para todos os gostos nas livrarias. Disney, Turma da Mônica, novas revistas infantis da Editora Abril e super-heróis continuam nas bancas. Mas… e o artista brasileiro?

Ok, nós temos um mercado, mas não temos ainda uma indústria; não temos quadrinistas brasileiros vivendo de sua arte no país – ok, tem o Maurício e…. quem mais

Quando se fala em quadrinhos, a venda no Brasil  ainda não está como gostaríamos, mas o caminho é promissor e não tão distante.Calvin Haroldo Turma da Mônica Marvel Disney DC Comics Angeli 4mundo  O mercado de quadrinhos no Brasil

O melhor dos mundos: mercado aquecido, diversidade de publicações, quadrinista brasileiro vivendo de sua arte. Quando esse cenário se tornar realidade, a gente abre a champagne prá comemorar!

Bruno Alves

Bruno Alves é professor, rabisca de vez em quando uns desenhos por aí e tem sempre uma música tocando em off na cabeça, mesmo quando não está usando headphones. E sim, ele gosta dos Titãs.

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