Resenha | O Espadachim de Carvão – Prepare-se para desbravar Kurgala

Livros e HQ

Resenha | O Espadachim de Carvão – Prepare-se para desbravar Kurgala

[rightbox]Direto da criativa mente do Matador de robôs gigantes, Affonso Solano, O Espadachim de carvão chegou no ano passado às livrarias com uma passagem só de ida para o fantástico mundo de Kurgala. O primeiro livro do autor da nova geração de fantasia tem como carro chefe a aventura do herói em formação Adapak, em sua descoberta de um universo completamente novo repleto de diversas raças e criaturas completamente diferentes de qualquer um você já viu.

Adapak é um jovem ingênuo que cresceu isolado do mundo todo em uma ilha. Durante toda sua vida teve pouco contato com outros seres. Um deles foi o ushariani Telalec, seu mestre, que lhe ensinou a mortal arte dos Círculos, um estilo de luta com espadas extremamente eficaz e letal. E com essa arte que Adapak se tornou um espadachim extremamente habilidoso e preciso. Além disso, ele não morava sozinho na ilha, ali com ele morava seu pai, o deus Enki’Nar, um dos “Quatro que são um”. E por causa de sua decendência divina, dentre todas as inúmeras raças e criaturas presentes em Kurgala, Adapak é um ser único. Completamente negro, sem pêlos no corpo, sem nariz e sem orelhas. E esse fato, e suas consequências, é um dos mais interessantes da obra.[/rightbox]

Affonso Solano[rightbox]O livro começa com uma característica que é levada por todas as suas 255 páginas: uma intensa e muito bem narrada ação. Por algum motivo súbito, o Espadachim é obrigado a fugir de sua casa, e ali sua saga se inicia, viajando por Kurgala atrás de respostas, do porquê de ter sido expulso de sua casa, e de outras perguntas sobre seu passado. Mas o rapaz de nada sabia do mundo. Seus conhecimentos se limitavam aos ensinamentos de seu pai e aos seus livros de fantasia que ele devorava quando estava na ilha.

O fato é que a criação de Adapak o fez uma pessoa que sabia de tudo do mundo, mas ao mesmo tempo nada. Adapak lera sobre tudo, mas nunca havia vivido nada do que leu. E essa sua ingenuidade é um dos seus maiores obstáculos ao desbravar Kurgala.

E nesse ponto que Solano se arriscou, e nos deu pouquíssimas informações do mundo. Ao passo que Adapak avista novas criaturas, novos costumes, nós aprendemos junto com ele. Adapak é a nossa passagem para o novo mundo de Kurgala, e é com ele que nós começamos a entrar num terreno desconhecido. Ao mesmo passo que a sensação de novidade é mantida durante o livro
inteiro. [/rightbox]

Mas por que eu falei que o autor se arriscou ao fazer isso?

É que na maior parte das vezes, a estratégia foi completa de forma eficaz. Porém Kurgala é um mundo completamente novo, nem mesmo o sistema métrico é igual ao nosso, e em dados momentos do livro você pode se pegar perguntando “O que é mesmo um nekelmuliano?”, “Mas esse personagem, qual a raça dele mesmo? Quantos braços ele tem?”, “Perai, quanto mede um casco?”, pois como foi dito, o livro é uma introdução ao mundo, então talvez em certas partes, algumas características poderiam ter sido mais bem descritas.

Mas toda essa parte de descoberta, mesmo as suas (raríssimas) partes mais confusas, não atrapalham nem um pouco a ação do livro. Dinâmico e de muito fácil leitura, O Espadachim de Carvão tem momentos de prender a respiração, e cenas de ação que fazem claras alusões ao melhor da cultura pop no ramo. Sim, vocês ficarão impressionados com os Círculos.

Adapak em FanArts de Pedro Rocha, Zé Carlos e LGQuelhas

Imagens: Adapak em FanArts de Pedro Rocha, Zé Carlos e LGQuelhas

O mundo de Kurgala e toda sua mitologia foram criadas meticulosamente por Affonso Solano. Ele afirma ter passado 10 anos até que o universo estivesse completamente criado. E essa atenção é notada facilmente.

De forma impecável, podemos afirmar que o mundo e sua mitologia não tem furos, ou se os tem eu não encontrei. Seus continentes, criaturas, lendas, todos fazem sentido como se realmente existissem. Inclusive o mapa, que o autor aconselha que seja visto apenas depois de que se tenha lido o livro, só está presente na internet, e estará na sequência do livro, para reforçar o conceito de aprendizado junto com o protagonista.

A obra, claramente uma introdução ao mundo, vem sendo muito elogiada por fãs do gênero fantástico, ao mesmo tempo que arrebata mais pessoas que não o conheciam. E eu separei esse final de texto para ressaltar a característica mais interessante do livro, a qual vale a compra e a leitura do mesmo, na minha opinião.

O Espadachim de Carvão[rightbox]Adapak é provavelmente um dos seres mais poderosos do mundo. Mas isso não faz dele melhor que ninguém. Primeiro que ele não se acha melhor que ninguém, segundo que, como dito antes, ele é diferente, sua aparência não é algo comum, nem mesmo em Kurgala. Não existe absolutamente NINGUÉM igual a ele. E isso não é uma vantagem. O jovem sofre preconceitos, vê pessoas sofrendo preconceitos. Dentre todas as fantásticas descobertas dele, a maior de todas, é de que o mundo é corrupto. Pessoas vendendo o corpo, ou perdendo o controle do mesmo sem o menor apreço chocam Adapak, pessoas em guerra sem aparente motivo, pessoas tentando enganar umas às outras.

Aos poucos ele é obrigado a ter esse crescimento mental, e criar essa maturidade à força, pois o mundo, a vida, não são iguais aos relatados nos livros que ele costumava ler, onde tudo se resolvia no final, Adapak aprende a agir. Aprende a fazer. E é essa, a maior lição e maior criação de Affonso Solano, e é por isso que eu estou ansioso para o vindouro segundo livro (previsto para esse
ano ainda) e que eu peço para que vocês que leram essa resenha até o fim, leiam o livro. Kurgala é impressionante, Adapak é impressionante, mas a mensagem do livro é ainda mais. [/rightbox]

Nota:

Estudante de Jornalismo, baixista, amante de boa música e de bons livros. Nada melhor que ouvir um bom e velho heavy metal oitentista lendo um bom livro de fantasia/suspense.

Deixe seu comentário!

Mais em Livros e HQ

To Top