Resenha: O Inescrito – Tommy Taylor e a Identidade Falsa

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Resenha: O Inescrito – Tommy Taylor e a Identidade Falsa

Tommy Taylor é um jovem bruxo que vive uma série de aventuras fantásticas com seus amigos. Ele usa óculos de aros redondos e possui uma tatuagem mística na mão esquerda que dói quando seu desfigurado arquiinimigo, Conde Ambrósio, está por perto.

As aventuras de Tommy Taylor se tornaram um grande sucesso da cultura pop, seus livros vendem milhões de exemplares e as adaptações para o cinema são campeãs de bilheteria. Como não poderia deixar de ser, Tommy Taylor possui uma legião apaixonada de fãs. Só que o autor, Wilson Taylor, desaparece misteriosamente quando está prestes a lançar o 14º livro da série.

Para manter a chama acesa, seu filho Tom Taylor leva a vida autografando os livros, respondendo perguntas sobre seu pai e o pequeno bruxo na TommyCon, convenção anual que reúne os milhares de fãs do personagem, que veneram Tom porque Wilson afirmou que se inspirou no filho para criar seu personagem.

o-inescritoTudo corre normalmente até que um dia, durante a sessão de perguntas na TommyCon, uma mulher faz uma pergunta: ‘Quem é você, Tom Taylor?’. Em seguida, ela começa a apresentar evidências que colocam em xeque a real identidade de Tom. Ele é realmente filho de Wilson Taylor ou uma farsa?

A partir daí, a vida dele sofre uma reviravolta. Realidade e ficção começam a se misturar, com personagens da série e de clássicos da literatura atravessando o caminho de Tom em sua busca pela verdade, colocando em xeque sua própria sanidade. E ainda tem o Sr. Pullman, um misterioso personagem com uma missão sangrenta a cumprir.

Essa é, em resumidas linhas, a premissa básica de O Inescrito (Panini, 148 páginas, 17 x 26 cm, R$ 18,90), de Mike Carey com desenhos de Peter Gross. O encadernado compila as cinco primeiras edições da série, que nos EUA já vai na edição 40. As quatro primeiras histórias do volume formam o primeiro arco da série e mostram Tom Taylor em busca de suas origens, seu primeiro encontro com o Sr. Pullman e as consequências disso.

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A quinta hq é um sinistro conto com a participação de personagens reais do universo literário, como Rudyard Kipling, Samuel Clemens (nome real do escritor Mark Twain) e Oscar Wilde.

Mike Carey é um dos ingleses que invadiu o universo norte-americanos dos comics. Já escreveu para super-heróis Marvel e DC, mas foi no selo Vertigo que deu sua maior e melhor contribuição com as séries de Lúcifer (do universo de Sandman) e John Constantine Hellblazer.

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O Inescrito (The Unwritten) é um achado. Carey construiu um universo que dialoga com literatura, cultura pop, História, política, fábulas, magia e mais um caldeirão de referências – nem todas reconhecíveis, por isso as notas explicativas são tão importantes.

A citação a Harry Potter é ótima e explora (principalmente em edições mais à frente) o quanto esses personagens influenciam as pessoas, levando-as a se comportar como seus ídolos ou a cometer atos que normalmente não fariam.

Para quem gosta do universo das letras, a série é obrigatória – e não só pelas citações e easter eggs. Carey sabe conquistar um leitor à primeira leitura – e o final do primeiro arco cria uma ansiedade para saber o que acontece depois. Eu já li até a edição 12 e só digo uma coisa: É IMPERDÍVEL!

Espero que a Panini não demore muito para lançar os próximos encadernados

Prá concluir: cada vez que leio séries como essa me distancio cada vez mais do universo dos super-heróis, apesar de ainda ser um grande fã do gênero.

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Bruno Alves

Bruno Alves é professor, rabisca de vez em quando uns desenhos por aí e tem sempre uma música tocando em off na cabeça, mesmo quando não está usando headphones. E sim, ele gosta dos Titãs.

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