Séries Animadas da DC voltam às bancas chutando bundas dos Novos 52!

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Séries Animadas da DC voltam às bancas chutando bundas dos Novos 52!

É senso comum que a DC Comics manda bem no quesito animações. A série Batman: The Animated Series (1992-1995) foi a primeira, ganhou prêmios e conquistou toda uma legião de fãs. Sempre achei essa versão animada do Batman, desenvolvida por Paul Dini e Bruce Timm, uma das melhores encarnações do personagem em outra mídia durante muito tempo – ela está no mesmo nível dos Batmen da trilogia Nolan e dos games da série Arkham.

Com o sucesso da série animada do Morcego, a Warner/DC não perdeu tempo e logo em seguida produziu uma do Superman – essa, de longe, a melhor coisa que fizeram com Kal-El em todos os tempos. Assisti todas as temporadas com um sorriso no rosto: ali estava o Superman em sua essência, o personagem que aprendi a amar desde criança e que tinha abandonado por conta de quadrinhos ruins.

Essas séries contribuiram para formar o que os fãs intitularam de DC Animated Universe (DCAU). Depois de uma segunda série do Batman tradicional, vieram as excelentes Batman Beyond (Batman do Futuro), Liga da Justiça e Liga da Justiça Sem Limites, que amarrou todas as pontas em sua última temporada. Depois disso, vieram os filmes animados e novas séries (Jovens Titãs, Justiça Jovem, Legião dos Super-Heróis…).

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As características que fizeram o sucesso dessas animações (respeito à essência dos personagens, roteiros enxutos, boas histórias) também foram adotadas quando as séries viraram histórias em quadrinhos. Os quadrinhos baseados no DCAU seguiram o estilo cartum no desenho e mantiveram o padrão da objetividade: hq’s completas com 22 páginas, com a palavra FIM na última página. Nada de cronologia, nada de megassagas interligadas e complicadas.

Simplesmente as melhores histórias em quadrinhos dos super-heróis da DC Comics. Daqui a pouco falo mais sobre isso.

liga-da-justica-sem-limites-4Essas hq’s são publicadas no Brasil pela Editora Abril desde 2012. Depois de um longo hiato, as revistas baseadas nas Séries Animadas estão de volta às bancas (edições nº 4): Batman – Os Bravos e Destemidos, As Aventuras do Superman, Liga da Justiça Sem Limites e Os Jovens Titãs. Como sou fã desse universo, comprei a do Superman e a da Liga da Justiça pra conferir – eu já tinha comprado lá no início, mas a encadernação terrível me afastou.

As boas notícias: a Abril resolveu o problema da encadernação; as histórias continuam boas – a do Azulão tem roteiros de Ty Templeton, Mark Millar, Mark Evanier e David Micheline, ou seja, só fera! E um aviso: não se deixe enganar pelo traço cartunesco das revistas – com exceção da revista Jovens Titãs, que é direcionada ao público infantil, as demais não tem nada de bobinhas.

Na edição 1 do Superman, por exemplo, podemos encontrar uma pequena obra-prima chamada Quanto ódio pode um homem carregar?, do Mark Millar, que chuta a bunda de boa parte das hq’s atuais do personagem.

A má notícia: a Abril aumentou o preço! Antes, as revistas custavam R$ 7,95; agora, custam R$ 9,00! Nove reais, Abril?

São 100 páginas de quadrinhos, em formatinho. FORMATINHO! Comparando com as publicações de super-heróis da Panini, tá caro. Provavelmente vou continuar comprando – prefiro ler o Superman dessas hq’s do que aquele dos Novos 52. Eu recomendo e espero que dê certo. Mas tá caro…

O NOVO SUPERMAN X O VELHO SUPERMAN

as-aventuras-do-superman-4Quanto à minha frase “prefiro ler o Superman dessas hq’s do que aquele dos Novos 52”, vou logo dizendo: não sou um saudosista xiita, daqueles que vivem dizendo que o antigo era melhor. Dessa nova encarnação do Super, eu gostei das histórias que contavam o início de sua carreira, quando ele ainda usava uma camiseta, uma calça jeans, botinas e uma capinha vermelha ridícula nas costas. Achei interessante, até porque nunca engoli o Superboy tradicional.

Já as hq’s dele adulto eu achei mais ou menos, não é assim um lixo mas também não é nada revolucionário. Mas, sinceramente, não consegui ver o Kal-El nele. É uma atualização que mexeu muito com a essência do personagem. É um Superman para os novos tempos. Que seja bem-vindo e conquiste novos leitores. Acompanhei as primeiras histórias, ok, mas deixei de lado. Mas se aparecer uma história foda, imperdível e tal, pode apostar que vou conferir. Não vou deixar de ler só porque é uma hq do Superman dos Novos 52.

Agora, dificilmente me decepciono quando leio uma hq do Superman do DC Animated Universe. É diversão pura!

Esse embate antigo X novo sempre rende debates interessantes.

superman-1-capa-varianteRecentemente, o Paulo Ramos, do Blog dos Quadrinhos, escreveu uma carta ao Superman, explicando porque estava deixando de ler suas histórias. Você pode ler o texto dele aqui.

Concordo com alguns pontos, principalmente sobre a influência do universo cinematográfico dos super-heróis nos quadrinhos. É uma estratégia de mercado, ok. Mas é frustrante ver coisas como o excelente desenho animado Os Vingadores – Os Maiores Super-Heróis da Terra, um hino de amor aos quadrinhos originais da superequipe da Marvel, ser cancelado e substituído por um desenho inferior repleto de referências ao filme Os Vingadores – piadinhas, formação da equipe, etc… Nesse ponto, a qualidade artística pede pra sair…

A carta do Paulo Ramos endereçada ao Superman rendeu uma resposta do blogueiro Nerdbully, do blog Quadrinheiros, que você pode ler aqui. Também concordo com alguns pontos dessa ‘resposta’ e até já falei disso lá em cima: personagem velho = renovação = novos leitores = mais $$$$. Claro que essa fórmula nem sempre bate, mas a ideia básica é essa.

O passado dos quadrinhos do Superman é cheio de histórias clássicas, mas também tem muito lixo. As histórias atuais também tem coisas imperdíveis e coisas execráveis. O contexto tem sua parcela de culpa nisso, mas tem uma coisa que independe de temporalidade: uma boa história, daquelas que te fazem soltar um palavrão ao final da leitura: puta que pariu, que historia foda!

E para mim, é isso que está faltando em boa parte dos quadrinhos regulares de super-heróis: boas histórias, que independem de novas roupas, personalidades e motivações.

Bruno Alves

Bruno Alves é professor, rabisca de vez em quando uns desenhos por aí e tem sempre uma música tocando em off na cabeça, mesmo quando não está usando headphones. E sim, ele gosta dos Titãs.

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