Séries de quadrinhos que fariam sucesso na TV – Parte 2

Livros e HQ

Séries de quadrinhos que fariam sucesso na TV – Parte 2

Semana passada listei algumas séries em quadrinhos que dariam ótimas adaptações para a TV (desde que fizessem direito, né?).

Aí o Humberto Ribeiro comentou que faltou Preacher. E depois eu me lembrei de Fábulas. Aí decidi fazer a parte 2 – e com certeza vou esquecer alguma série. Puxem minha orelha caso isso aconteça!

  • PREACHER

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Um anjo tem uma relação proibida com uma demônia (existe essa palavra? Alô, revisão!); dessa relação nasce uma criatura poderosa chamada Genesis. Essa criatura divina foge do paraíso e vem para a Terra à procura de um hospedeiro para se refugiar. Aí ela encontra o pastor Jesse Custer no meio de um sermão na pequena igreja de Annville, Texas. Genesis simplesmente cai no local e explode tudo. Jesse Custer sobrevive e descobre que adquiriu o Dom da Palavra – tudo o que ele fala deve ser cumprido!

Quando os anjos descobrem que Genesis fugiu do Paraíso e incorporou em Jesse Custer, enviam um assassino praticamente infalível para matá-los: O Santo dos Assassinos. Mas o melhor da história é o mote principal desenvolvido pelo escritor Garth Ennis: Deus cansou da humanidade, abandonou o Céu e veio passar um tempo na Terra. Ao saber disso, Custer fica puto e começa, acompanhado pela sua ex-namorada Tulipa (uma assassina serial) e o simpático e motherfucker vampiro irlandês Cassidy, uma jornada pelos Estados Unidos para acertar contas com o Criador.

No meio do caminho, eles topam com seitas, organizações secretas, personagens bizarros e situações que mostram o pior (mas O PIOR MESMO) do homem.

Preacher é uma das séries de quadrinhos que ajudou a consolidar o selo Vertigo da DC Comics. Foi publicada entre 1995 e 2000 em 66 edições e contou com mais 6 especiais (resultando no número 666…). É um dos quadrinhos mais politicamente incorretos que já vi ao tocar em temas como religião, fé, teologia, política… tudo isso regado à violência explícita e sexo (aqui nem tanto).

Adaptar essa série para a tv na íntegra é muito mais complicado do que adaptar Os Invisíveis. As concessões teriam que ser muitas. Mas se a premissa básica fosse mantida (e, claro, as cenas sanguinolentas e os diálogos afiados) já estaria de bom tamanho . Prá variar, tem um filme para o cinema em desenvolvimento há anos. Uma pena. Um filme não daria conta da grandiosidade que é Preacher (a Panini lançou recentemente Álamo, o último volume da saga e parece que vai reeditar tudo do começo. Fique de olho!)

  • FÁBULAS

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Lembra-se do Lobo Mau? É, aquele bicho malvado que queria comer (gastronomicamente) os três porquinhos? Lembrou?

Pois então, ele agora é xerife da Cidade das Fábulas e é apaixonado pela Branca de Neve, que é prefeita da cidade. Só que Branca de Neve tem um relacionamento com Encantado, o Príncipe dos contos de fada. Só que o príncipe vive de aplicar golpes em mulheres desavisadas pelo mundo afora. Ah, sabe onde fica a Cidade das Fábulas? Em Nova York. Nos dias de hoje.

Fábulas é a brilhante série em quadrinhos de Bill Willingham publicada pela DC Vertigo desde 2002 e que mostra o dia-a-dia dos personagens famosos dos contos de fadas vivendo em nossa realidade. Mas, porque eles vieram morar na cidade grande?

Bem, o mundo das fábulas foi invadido pelo misterioso Adversário, que tem planos de conquista de todos os reinos e realidades. Para poderem sobreviver, as lendas abriram a passagem para o nosso mundo e praticamente se esconderam entre nós. Alguns conseguem se passar por humanos, como o Lobo Mau; outros não têm essa habilidade e por isso vivem escondidos em uma fazenda no interior de Nova York. O problema é que o Adversário está a caminho do nosso mundo.

Sentiu o clima? Imaginem uma série de TV com esses personagens (+ Cachinhos Dourados, João do Pé de Feijão, Cinderela, Chapeuzinho Vermelho, Gepeto…) tentando se adaptar ao mundo real e, no processo, adquirindo as piores características humanas. A série em quadrinhos já vai na edição 120.

Curioso é que Fábulas já foi sondada para virar série de TV e um projeto começou a ser desenvolvido pela NBC em 2005, mas não rolou. Mais curioso ainda é que a série Grimm, em exibição, tem basicamente a mesma premissa; e outra serie anunciada para estrear em breve, Once Upon a Time, É A MESMA COISA: personagens como Branca de Neve, Cinderela e tals vivendo no mundo real!

Se eu fosse Bill Willingham processava ONTEM!

  • GCPD – GOTHAM CITY CONTRA O CRIME

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Já que o Morcego não sai do cinemão nem tão cedo, uma série de TV com ele está definitivamente descartada pelos próximos bilhões de dólares de bilheteria. Mas o universo do Batman é bom demais para ficar de fora da telinha. Então, DC, que tal pegar aquela que é uma das hq’s mais fodas do universo morcegal?

Claro que estou falando de Gotham Central – aqui no Brasil conhecida como Gotham City Contra o Crime, escrita por Ed Brubaker e Greg Rucka e maravilhosamente desenhada por Michael Lark.

Na série, o Morcego e seus amigos (Robin, Asa Noturna, Caçadora, Batgirl) são meros coadjuvantes e aparecem esporadicamente. O foco das histórias é o Departamento de Polícia de Gotham e seus tiras, que em meio a investigações de casos “normais” de assaltos, estupros, latrocínios, assassinatos e sequestros de repente dão de cara com os malucos que infernizam a cidade, como o Coringa, o Senhor Frio e o Charada – e na maioria das vezes, os agentes da lei saem perdendo feio.

Os personagens são aqueles típicos dos seriados policiais: tem o tira mal, o tira bom, aquele que conta piadas pornográficas, outro mais racional e por aí vai. Com personagens bem construídos e roteiros dignos das melhores séries policiais, Gotham Central também ficaria redondinha na telinha: poucos efeitos especiais, personagens conhecidos dando as caras de vez em quando (Pinguim, Charada, Comissário Gordon…), tramas cheias de suspense, tiras comendo rosquinhas enquanto fazem patrulha, investigações batendo de frente com supervilões… já imaginou?

A série ganhou um prêmio Eisner e um Harvey (prêmios específicos para os quadrinhos) e um Gaylactic Spectrum pelo arco Meia Vida, que aborda a revelação da homossexualidade da detetive Reneé Montoya e as consequências disso para a vida da personagem – tocando em temas como preconceito. Foi o melhor que li em toda a série. Muito bom!

Publicada entre 2003 e 2006, a HQ teve 40 edições e foi toda publicada no Brasil em encadernados pela editora Panini. Corram atrás e leiam que vale muito a pena esse olhar mais pé no chão do universo do Batman.

A Warner quis adaptar a série para a TV em 2003. Afinal, Smalville estava no auge do sucesso com sua terceira temporada, e havia todo um potencial para explorar o universo do Batman e revigorar a franquia que Joel Schumacher destruiu em 1997 com o esquecível Batman e Robin.

O problema é que eles tinham produzido uma série ambientada no universo do Morcego que fracassou miseravelmente: Birds of Prey (que passou no SBT com o infeliz título de Mulher Gato) era baseada nos quadrinhos do mesmo nome e tinha uma premissa interessante, mas foi cancelada depois de 13 episódios. Aí eles ficaram com medinho e desistiram. Bundões!

  • FREQUENCIA GLOBAL

Eu sou Miranda Zero e você está na Frequência Global

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Mas o que diabos é a Frequência Global?

Imagine um mundo onde não existem super-heróis para deter alienígenas, ameaças biológicas em larga escala, experimentos genéticos destrutivos e todo tipo de perrengue que poderia extinguir a vida na Terra. E agora, quem poderia nos socorrer?

Miranda Zero pode. Ela é a líder da organização independente secretíssima conhecida como Frequência Global, que tem mil agentes espalhados pelo mundo prontos para defender a Terra. Cada um deles é expert em uma área: biologia, radiação, linguagem e por aí vai.

A série em 12 edições foi publicada pela DC/Wildstorm entre 2002 e 2004, com texto de Warren Ellis e arte de vários artistas (um diferente por edição). Cada número apresenta uma história fechada, onde Miranda Zero convoca, através de um celular personalizado, o agente ideal para combater aquele tipo de ameaça.

Vejam só que premissa interessante e o quanto ela poderia render numa série de tv. Os únicos personagens fixos são a própria Miranda Zero e Aleph, a garota que entra em contato com os agentes. Os temas/ameaças e agentes mudariam a cada episódio, não deixando a série cair na mesmice. As 12 edições de Ellis já dariam uma boa primeira temporada para pegar o público de jeito. Sucesso garantido. E quase isso aconteceu…

Todo esse potencial da série na telinha foi reconhecido e mostrado no episódio-piloto que a Warner encomendou. Dirigido por Nelson McCormick em 2005 (de séries como Alias, House, Plantão Médico, Nova York Contra o Crime, 24 Horas e por aí vai), o piloto adapta o primeiro volume da série de maneira bem fiel, salvo algumas liberdades.

Mas, vejam só, a Warner não aprovou o piloto e o liberou para que ele fosse oferecido a outras emissoras. Desde então não se fala mais na história. O piloto nunca foi exibido oficialmente, mas claro que já está na web. Se quiser conferir, veja aqui a primeira parte.

Essas emissoras estão precisando é de um consultor e de óculos de grau, daqueles de lentes bem grossas.

A Panini já lançou o primeiro volume faz um tempo e agora anunciou a conclusão da série para este ano. Confira que vale muito a pena.

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Bruno Alves

Bruno Alves é professor, rabisca de vez em quando uns desenhos por aí e tem sempre uma música tocando em off na cabeça, mesmo quando não está usando headphones. E sim, ele gosta dos Titãs.

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