Séries de quadrinhos que fariam sucesso na TV

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Séries de quadrinhos que fariam sucesso na TV

Não tem mais como negar: as histórias em quadrinhos dominaram de vez o mundo!

Depois de décadas chafurdando na lama das artes, os quadrinhos agora são os salvadores da pátria do cinema e da televisão. A dominação midiática dos quadrinhos é tão forte que Hollywood, de olho nos milhões de dólares que as adaptações de super-heróis rendem, passou a criar seus próprios supers em filmes como Hancock, Minha Super Ex-Namorada, Sky High – Escola de Super-Heróis e Zoom – Academia de Super-Heróis; e é claro que a TV também não ficou prá trás nessa nova onda e atacou com Heroes, No Ordinary Family e The Cape.

Mas não só de super-heróis vivem as adaptações de quadrinhos: Marcas da Violência, Estrada para a Perdição, Homens de Preto, Old Boy e Reds – Aposentados e Perigosos são alguns exemplos de quadrinhos não-superheroísticos que ganharam a tela dos cinemas.

Na TV, o melhor exemplo é a série de sucesso The Walking Dead, baseada na série de quadrinhos criada por Robert Kirkman e publicada pela Image Comics desde 2003.

Adaptar um quadrinho, seja para cinema ou TV, é uma mão na roda, pois já está tudo pronto: personagens bem definidos, um universo estruturado, o conflito, os diálogos, começo, meio e fim e, o mais importante, o feedback do público, medido pelas vendas e repercussão entre críticos e leitores. Fácil, né? Assim até eu faço um filme.

E as boas ideias estão aí, prontinhas para serem exploradas. Vamos conhecer algumas séries de quadrinhos que encheriam os executivos de TV de dólares (e os fãs, de histórias inesquecíveis!).

Y: O Último Homem

resenhei esta série de quadrinhos aqui e um filme está em desenvolvimento. Mas quem acompanha os quadrinhos sabe que o melhor lugar para dar vida à história do único homem em um mundo cheio de mulheres é a TV. A trama criada pelo escritor Brian K. Vaughan (com arte de Pia Guerra) é complexa, cheia de reviravoltas e com um número tão interessante de personagens que não consigo imaginar tudo isso condensado em duas horas de filme. Juro que estou torcendo prá que o projeto cinematográfico não dê certo e eles decidam produzir uma mega-série televisiva – desde que Vaughan seja um dos roteiristas, já que o cara também brinca nessa área (ele fez parte do time de roteiristas da série Lost).

Ex Machina

Também escrita pelo mesmo Brian K. Vaughan, com desenhos de Tony Harris e publicada pela Wildstorm (selo da DC Comics), a série mostra o dia-a-dia de Mitchell Hundred, o primeiro prefeito de Nova York eleito após os atentados de 11 de setembro de 2001. Na época, Hundred era o super-herói conhecido como Grande Máquina (cujo poder permite que ele converse com qualquer tipo de máquina) e conseguiu impedir que a segunda torre fosse atingida pelos terroristas. Esse ato lhe garantiu a eleição para prefeito em 2002 e ele abandonou o uniforme espalhafatoso para se dedicar à política.

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Apesar de ter como protagonista um super-herói, a série foge completamente do gênero ao focar na atuação de Hundred como o prefeito que enfrenta diversas situações que colocam à prova sua capacidade de administrar uma cidade como Nova York; nas histórias, ele se depara com corrupção, preconceito racial, protestos contra a oficialização da união civil de homossexuais na cidade, nevascas que paralisam a cidade, crime organizado, embates políticos entre democratas e republicanos…

Vez por outra algum acontecimento digno das histórias de super-heróis acontece, mas nada de uniforme colante ou coisa do gênero: Hundred tenta resolver tudo com diplomacia. Taí uma série fácil e barata de fazer, pois não tem a necessidade de efeitos especiais frequentes (a não ser nos flashbacks de Hundred atuando como Grande Máquina): o forte aqui são os diálogos e as situações enfrentadas pelos personagens.

100 Balas

Qual seria sua reação se, de repente, um homem aparecesse na sua frente e oferecesse a possibilidade de vingança contra alguém que lhe prejudicou? Para isso, você receberia uma maleta com uma arma, 100 balas não rastreáveis e documentos que provam a culpa daqueles que lhe sacanearam. Você aceitaria ou não?

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Essa é a premissa básica da série 100 Balas, criada por Brian Azzarello e Eduardo Risso (arte) e publicada pela Vertigo, selo adulto da DC Comics. O misterioso homem é conhecido como Agente Graves e faz parte de um grupo conhecido como Minutemen, um cartel poderoso que teve origem na colonização dos EUA.

A série mostra o Agente Graves distribuindo maletas e recrutando novos agentes entre pessoas que foram sacaneadas e estão no fundo do poço. A diversidade de personagens é o grande charme da série; alguns estão totalmente perdidos na vida, outros são ruins feito o Pica-Pau, mas uma coisa é certa: a oferta do Agente Graves muda suas vidas para sempre, seja para o bem ou para o mal. Lá no fundo dessa trama básica, se move outra mais densa e complexa, que tem relação com a origem dos Minutemen e com o misterioso “maior crime da história da humanidade” (nem pergunte porque eu ainda não sei o que é).

A adaptação para a TV seria um sucesso pelo clima policial noir que permeia a história e pelos personagens, apaixonantes pela sua complexidade, que surgiriam a cada episódio. Aqui também não tem gastos com efeitos especiais caros e o investimento seria nas cenas de ação e nos roteiros. E pro papel do Agente Graves eu apostaria no Clint Eastwood!

Quer sentir um gostinho? A Panini disponibilizou a primeira HQ da série gratuitamente e você pode fazer o download aqui. Leia e tire suas próprias conclusões!

Os Invisíveis

invisíveis1É praticamente impossível esta série de quadrinhos virar série de TV, mas seria o programa mais motherfucker de todos os tempos!

Os Invisíveis é coisa da cabeça doente de Grant Morrison, o escritor de quadrinhos mais amado/odiado do mundo. Suas histórias não são fáceis, sejam elas autorais ou as comerciais hq’s de super-heróis tradicionais.

A série de quadrinhos foi publicada pela Vertigo de 1994 a 2000. Vejam só a descrição da trama e dos personagens:

Os Invisíveis é o braço de uma organização secreta que combate seres transdimensionais conhecidos como Arcontes, que planejam dominar a humanidade e que já atuam entre nós há bastante tempo, provocando crises. O grupo é formado por King Mob, o líder, especialista em artes marciais e magia. Logo na primeira edição ele invoca nada mais nada menos que o espírito de John Lennon; Lord Fanny, um travesti carioca, que pratica o xamanismo utilizando máquinas Polaroid, esperma, milho e lenços suados; Ragged Robin, que possui poderes psíquicos; Dane McGowan, também conhecido como Jack Frost, é um holligan violento que foi resgatado da prisão por King Mob e que pode ser a nova reencarnação de… Buda!

As histórias são, literalmente, uma viagem psicodélica. Morrison escreve como se estivesse chapado (e vai ver estava mesmo). As tramas passam por xamanismo, vodu, conspirações, Teoria do Caos, drogas, sociedades secretas, viagens no tempo, mitologia asteca, literatura, cultura pop, artes marciais, realidades paralelas, política, anarquismo, violência, sexo…. ufa! Não tem como uma série dessas não fazer sucesso na telinha! Mas apesar dessa salada de frutas, a história tem coerência e nada é jogado de graça.

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Politicamente incorreta até o osso, Os Invisíveis é o tipo de história que faria a alegria dos nerds de plantão, mas que seria totalmente mutilada se fosse produzida por um canal norte-americano. O ideal seria uma produção inglesa. O canal escocês da BBC até anunciou que pretendia desenvolver a série, mas nunca mais se ouviu falar do projeto.

Para o papel de King Mob a melhor escolha seria o próprio escritor, já que Morrison definiu a série como “semi-autobiográfica”. Nem posso imaginar o que esse cara já aprontou por aí.

Esse é apenas um breve exemplo de quadrinhos que originariam séries de TV de qualidade. Tem muito mais – inclusive no gênero super-heróis, como Invincible (Image Comics), Gotham City Contra o Crime (DC Comics) e Alias (Marvel). Mas isso é assunto prá outro post.

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Bruno Alves

Bruno Alves é professor, rabisca de vez em quando uns desenhos por aí e tem sempre uma música tocando em off na cabeça, mesmo quando não está usando headphones. E sim, ele gosta dos Titãs.

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