Star Trek – Portal do Tempo: Crítica

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Star Trek – Portal do Tempo: Crítica

Star Trek (ou Jornada nas Estrelas, para os mais velhos) é uma das maiores séries de ficção científica de todos os tempos. A serie original, criada por Gene Roddenberry (1921-1991), foi ao ar na TV aberta dos EUA em 8 de setembro de 1966 e durou três temporadas, totalizando 79 episódios. Tendo sido cancelada por conta da baixa audiência, a série só veio a ter sucesso de verdade e se tornar Cult depois das reprises nos anos 1970.

Isso garantiu a produção de um filme para o cinema em 1979; a partir daí, a franquia ganhou novo fôlego e rendeu mais quatro spin-offs para a TV, uma série animada e mais nove filmes. Em 2009, J. J. Abrams dirigiu o reboot da franquia, cujo terceiro filme Star Trek: Beyond estreia em setembro no Brasil. Por fim, em comemoração aos 30 anos da franquia, uma nova série de televisão irá ao ar em janeiro de 2017 – Star Trek: Discovery.

No futuro mostrado em Star Trek a humanidade superou todas as suas diferenças e vive em paz. Junto a outras raças alienígenas, foi criada a Federação de Planetas Unidos, que mantém a Frota Estelar com o objetivo de explorar o espaço em busca de novas civilizações e formas de vida.

Fora do cinema e da TV, Star Trek também é uma franquia de sucesso nos quadrinhos e na literatura. Nesse último caso, diversos títulos já foram publicados no Brasil. No entanto, essas publicações estavam fora de catálogo. Estavam…

Star Trek – Portal do Tempo

Star Trek – Portal do Tempo

Espaço, a fronteira final. Estas são as viagens da nave estelar Enterprise, em sua missão de cinco anos, para explorar novos mundos, pesquisar novas vidas, novas civilizações, audaciosamente indo onde ninguém jamais esteve.

A Editora Aleph, responsável pela publicação, lá nos anos 1990, de uma série de livros ambientados no universo de Star Trek, voltou a publicá-los e começou por um dos mais emblemáticos: Star Trek – Portal do Tempo (256 páginas, R$ 39,90)!

Star Trek – Portal do Tempo (ou Yesterday’s Son) foi o primeiro romance original de Star Trek a figurar na lista dos livros mais vendidos do The New York Times quando foi lançado, em 1983. Escrito por Ann Carol Crispin (que assina A. C. Crispin), a trama tem como referências dois episódios da série original: “Todos os Nossos Ontens” (3ª. Temporada) e “A Cidade à Beira da Eternidade” (1ª. Temporada). Mas caso você nunca tenha visto esses episódios ou a série original (SÉRIO?) não tem problema: a história é perfeitamente inteligível mesmo para quem não é fã.

Vai aqui um breve resumo (não é spoiler, ok?): no episódio A Cidade à Beira da Eternidade, Kirk, Spock e McCoy encontram o Guardião da Eternidade, um portal que permite viagens no tempo. No episódio Todos os Nossos Ontens, o trio chega ao planeta Sarpeidon, que está prestes a ser destruído por uma supernova, quando são lançados em tempos diferentes por Atoz, o único sobrevivente. Spock e McCoy vão parar na Era Glacial do planeta, onde o vulcano regride ao estado primitivo de sua raça e termina se apaixonando por Zarabeth, uma nativa. É só isso que você precisa saber (e está no livro).

Diário do Capitão: Data Estelar 6324.09

A história começa com o Dr. Leonard McCoy jogando xadrez com o oficial de ciências Spock na sala de recreação da Enterprise. De repente, a cadete Tereza McNair interpela o vulcano sobre uma imagem arqueológica que a intrigou: na foto, pinturas rupestres em uma caverna mostram humanoides enfrentando animais enormes e, mais ao fundo, um rosto muito familiar para todos: um rosto com características vulcanas.

McCoy e Spock imediatamente lembram-se da aventura vivida por ambos no planeta Sarpeidon, dois anos atrás, antes do mesmo ser destruído pela estrela Beta Niobe, que virou uma supernova. Nessa aventura, Spock e o medico foram lançados no passado do planeta, mais precisamente na Era Glacial. O vulcano regrediu à forma primitiva de seu povo e terminou se apaixonando pela nativa Zarabeth. Ao verem a representação na parede da caverna, Spock e McCoy se fazem a mesma pergunta: será?

A partir daí Spock passa a ter um comportamento estranho e pede uma licença ao Capitão Kirk. Sem que ninguém saiba, ele pretende investigar essa anomalia se dirigindo ao planeta onde o Guardião da Eternidade está localizado para tentar voltar no tempo e encontrar aquele que talvez possa ser… o seu filho!

Após conversar com T’Pau, a anciã vulcana, sobre a possibilidade de voltar no tempo e salvar o herdeiro de sua história, Spock se depara com McCoy e Kirk, que não permitem que o oficial de ciências parta sozinho nessa busca. O trio chega ao planeta do Guardião, que é habitado por uma equipe de arqueólogos e historiadores comandados pela Dra. Vargas. A viagem no tempo por meio do Guardião é proibida pela Federação e o planeta vive uma espécie de quarentena para evitar que alterações no espaço-tempo sejam realizadas.

Spock (que conseguiu autorização por meio de T’Pau) e seus amigos utilizam a energia cronal para retornar à Era Glacial de Sarpeidon. Depois de alguns dias, eles encontram Zar, um jovem vulcano, semelhante a Spock.

Os três voltam para o presente trazendo o jovem. A partir daí, a história passa a contar a adaptação do filho de Spock ao novo tempo e os conflitos que o oficial de ciências tem entre ser um pai amoroso ou manter a lógica vulcana e treinar o filho para ser o seu sucessor. Selvagem, aventureiro e imprevisível, Zar entra em conflito constante com o seu pai biológico, ao mesmo tempo em que descobre e se encanta com um novo mundo.

Porém, as movimentações de Spock, Kirk e McCoy não passaram despercebidas dos romulanos. Desconfiados de que a Federação esconde uma poderosa no local, eles invadem o planeta. Agora, Kirk e a tripulação da Enterprise tem que correr contra o tempo para evitar que os inimigos descubram o Guardião da Eternidade e possam, com isso, alterar o tempo.

Portal do Tempo é uma leitura agradável, que flui bem e apresenta de maneira convincente elementos comuns do universo Trekker. Para quem é fã da série, é maravilhoso reencontrar seus velhos conhecidos em diálogos e situações que lembram muito a série original. Li todos os diálogos “ouvindo” as vozes dos personagens e visualizando suas ações, movimentos e comportamentos.

A. C. Crispin prova que era uma grande conhecedora do universo Trekker ao conseguir transpor para o livro o espírito da série e seus temas. Apesar de ser uma excelente leitura, não espere grandes reviravoltas ou surpresas narrativas. Aqui e ali a trama fica um pouco arrastada, mas nada que comprometa o ritmo e a experiência de leitura.

Crispin escreveu uma sequencia para esse livro (Time for Yesterday), que a Aleph deve publicar em breve, junto a outros romances da franquia.
Que essa coleção tenha uma vida longa e próspera!!!

Nota: quatro canecas de cerveja romulana!

P.S.: A. C. Crispin também passeou pelo universo de Star Wars e é autora da elogiada Trilogia de Han Solo, cujo primeiro volume, “A Armadilha do Paraíso”, a Aleph publicou neste ano.

Onde encontrar Star Trek – Portal do Tempo:

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Bruno Alves

Bruno Alves é professor, rabisca de vez em quando uns desenhos por aí e tem sempre uma música tocando em off na cabeça, mesmo quando não está usando headphones. E sim, ele gosta dos Titãs.

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