Superman vs. Muhammad Ali: Clássico confronto dos anos 70 volta em edição de luxo

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Superman vs. Muhammad Ali: Clássico confronto dos anos 70 volta em edição de luxo

Confrontos entre super-heróis são comuns no universo dos quadrinhos. Confrontos entre personagens de editoras diferentes (DC e Marvel) também – desde os clássicos Superman x Homem-Aranha, Batman x Hulk e X-Men x Novos Titãs, publicados entre o final dos anos 70 e início dos 80 até o mais recente Vingadores x Liga da Justiça, de 2004.

Mas como seria o confronto entre um super-herói fictício e um herói real, de carne e osso? Quem venceria essa luta?

É essa pergunta que a HQ Superman vs Muhammad Ali (Panini Books, 100 páginas, formato americano, capa dura e papel couché, R$ 22,90) responde.

O inusitado encontro foi lançado originalmente em 1978 (1979 no Brasil) e publicado em formato gigante. A HQ foi escrita por Dennis O’Neil e tem desenhos de Neal Adams. O’Neil e Adams são dois veteranos da indústria de quadrinhos norte-americanos e dois mestres no ofício.

Na trama, a Terra recebe a visita da raça alienígena Scrubb. O líder da esquadra, Rat’Lar, informa que o nosso planeta será destruído a menos que o campeão da Terra  enfrente o campeão dos Scrubbs. Super-Homem se oferece para a luta, mas o alienígena o descarta porque, além de não ser terráqueo, ele possui superpoderes. O então campeão dos pesos pesados Muhammad Ali decide lutar pela Terra.

superman-muhammad-paniniNo entanto, o Scrubb diz que os dois devem lutar entre si e o vencedor conquistaria o direito de lutar. Então, sob a luz de um sol vermelho que o transforma numa pessoa comum, Super-Homem recebe treinamento de boxe de Muhammad Ali, ao mesmo tempo em que traça estratégias para derrotar os invasores.

Para os leitores atuais, acostumados a roteiros mais profundos e complexos, talvez a história soe datada pela simplicidade com que é contada. Nos anos 70 os heróis eram puros e bons e os vilões ruins como o Pica-Pau – assim, sem maiores nuances. Se o leitor levar em consideração esse contexto, vai se divertir como nunca.

E para quem não conhece o oponente do Super-Homem: Muhammad Ali foi um dos maiores lutadores de boxe de todos os tempos. Ele era uma celebridade no período em que a HQ foi escrita, admirada e ao mesmo tempo polêmica. Nascido Cassius Marcellus Clay Jr., começou a lutar com o nome Cassius Clay, mas quando converteu-se ao Islamismo passou a se chamar de Muhammad Ali-Haj. Ao recursar-se lutar no Vietnã foi afastado dos ringues por três anos. Ali também se engajou em causas sociais e lutou contra o racismo.

Para se ter uma idéia do impacto da história para a época, é como se hoje o Super-Homem fosse enfrentar o Rafael Nardal ou o Messi – indiscutivelmente, dois dos atletas mais populares da atualidade.

O roteiro de Superman vs Muhammad Ali não é nenhum clássico da história dos quadrinhos e é até previsível em alguns pontos – o que não significa que seja ruim – mas o que conta aqui é o conjunto: lápis do eterno mestre Neal Adams com arte-final de Dick Giordano (personagens) e de Terry Austin (cenários); uma história com boa narrativa e diálogos; a presença carismática de Muhammad Ali; a produção caprichada da Panini (capa dura e papel couché) e um preço justo.

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Algumas cenas são marcantes, como a seqüência de Ali treinando o Super-Homem e batalha final pela salvação da Terra. Outro atrativo é a capa da publicação, onde figuram personagens reais e fictícios como espectadores da luta épica. Podemos ver desde personagens da DC, como Batman, até celebridades como os Beatles, Frank Sinatra e o eterno rei do futebol, Pelé.

A HQ já foi publicada no Brasil pela EBAL e era uma das mais procuradas por colecionadores. O relançamento é mais do que oportuno, principalmente para mostrar à nova geração como se faz uma história em quadrinhos de qualidade que conquista o leitor rapidamente, sem precisar elaborar mega-sagas complexas e longas apenas para vender revistas.

Vale cada centavo!

Bruno Alves

Bruno Alves é professor, rabisca de vez em quando uns desenhos por aí e tem sempre uma música tocando em off na cabeça, mesmo quando não está usando headphones. E sim, ele gosta dos Titãs.

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