50 anos do barra limpa Thor, o Deus do Trovão

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50 anos do barra limpa Thor, o Deus do Trovão

Stan Lee tinha o melhor emprego do mundo no início dos anos 60, embora ele ainda não soubesse disso. Depois de passar anos escrevendo histórias de romance, ficção-científica e faroeste para a Timely/Marvel, ele recebeu do seu editor Martin Goodman a tarefa de criar um grupo de super-heróis para concorrer com a Liga da Justiça, da DC Comics, que estava fazendo o maior sucesso.

Junto com o gênio Jack Kirby, Lee criou o Quarteto Fantástico e o mundo dos super-heróis nunca mais foi o mesmo.

Depois de criar uma família de super-heróis, Lee e Kirby vieram com um monstro verde, o atormentado e grosso massa Hulk; em seguida, veio o maior sucesso da dupla: o Espetacular Homem-Aranha. Até aí, esses personagens tinham origens ancoradas em um background comum para a época: a radiação e seus efeitos. O mundo ainda lembrava-se do horror atômico de Hiroshima e Nagasaki e vivia em eterna tensão por conta da guerra fria entre os capitalistas e os comunistas, que tinham zilhões de mísseis nucleares prontinhos para reduzir o planeta a pó!

Journey Into Mystery (1962) #83Foi aí que, para diversificar o elenco do ainda infante Universo Marvel, Stan Lee, Larry Lieber (irmão de Stan) e Jack Kirby criaram adaptaram o personagem mitológico nórdico Thor, o Deus do Trovão, para os quadrinhos – só que com uma pegada super-heroística. Nascia mais um sucesso da Marvel.

Em agosto de 1962, a revista Journey Into Mistery 83 trazia na capa as chamadas “Introduzindo… O Poderoso Thor!” e “O mais excitante super-herói de todos os tempos!” e a figura de um homem de longos cabelos loiros girando um martelo contra homens de pedra. Lee e Kirby sabiam chamar a atenção numa capa!

A edição mostra Donald Blake, um médico norte-americano que tem uma pequena deficiência, em férias na Europa. De repente, ele avista o pouso de uma nave alienígena, de onde saem criaturas de pedra vindas de Saturno (tcharam!!!!). Don Blake tenta fugir, faz barulho e tenta se esconder em uma caverna. Na escalada, perde sua bengala. Dentro da caverna, ele encontra um cajado tosco de madeira. Ao bater o cajado contra uma pedra, uma onda de energia o envolve e ele se transforma em Thor, o Deus do Trovão, e recupera sua memória.

Então, fica sabendo que é filho de Odin e que foi banido para a Terra sem memória para poder aprender o valor da humildade. Com seus poderes restaurados, dá um cacete nos aliens e salva o planeta. Pelo tempo que passou como humano Thor termina se afeiçoando à Midgard e decide ficar para defendê-la – claro que não poderia deixar de ter uma mulher nesse meio: Jane Foster, a médica pela qual ele fica perdidamente apaixonado. #muitoamorgente

Thor

Eu sempre gostei do Thor justamente pelo que o diferenciava dos outros super-heróis. Ele tinha uma origem adaptada da mitologia nórdica – e mitologia sempre foi meu fraco. Lá estavam Odin, Balder, Loki, Hela, a ameaça do Ragnarok! Em meio a histórias comuns de Thor enfrentando supervilões do universo Marvel, haviam tramas mais ligadas à Asgard e seus elementos místicos. Sem falar que tudo era ilustrado pelo genial Jack Kirby, que dava um ar épico às paisagens cósmicas das aventuras dos asgardianos.

Como um deus, Thor tem força sobre-humana, pode invocar trovões, raios e tormentas e é praticamente invulnerável; com Mjolnir, seu martelo mágico, pode criar portais dimensionais, campos de força e voar. Além disso, só ele (ou alguém que tenha uma alma honrada) pode erguer o martelo – que sempre volta às suas mãos depois que é arremessado nas fuças de um inimigo.

Em 50 anos de existência, Thor tem altos e baixos em suas aventuras solo. Eu recomendo fortemente a fase de Stan Lee e Jack Kirby, que estabeleceu as bases do universo do personagem. As aventuras dos Vingadores nos anos 70/80 também são excelentes e Thor tem participação importante nelas.

Bill Raio BetaMas depois de Lee e Kirby, quem melhor trabalhou o personagem foi Walter Simonson, que ficou no título de novembro de 1983 a agosto de 1987. Foi nessa fase que a mitologia falou alto nas hq’s do personagem, com Simonson cometendo a ousadia de transformar Thor em um sapo!!!! Também é obrigatória a saga de Surtur, o demônio de fogo que traz o Ragnarok, o fim dos tempos, para a Terra!

Além disso, o artista criou um dos mais interessantes personagens para o universo Marvel: o alienígena Bill Raio Beta, que conseguiu derrotar Thor e ganhou o direito de empunhar o lendário Mjolnir! – mas depois Odin mandou fazer um martelo exclusivo só para ele.

A Panini lançou cinco edições especiais com esta fase memorável do Poderoso Thor. Infelizmente, elas estão fora de catálogo e só podem ser encontradas em sebos ou no mercado livre. Mas vale a pena o garimpo!

Confesso que parei de ler as aventuras de Thor no início dos anos 90 – naquele período, os roteiros da Marvel estavam, na maioria dos casos, uma porcaria. Depois, só acompanhei o personagem nas hq’s dos Vingadores, até recentemente. Mas tenho lido pelas webs que a atual fase do personagem é excelente e merece uma conferida.

Apesar do sucesso entre os leitores de quadrinhos, Thor não é tão conhecido assim dos mortais comuns, embora seja lembrado por algumas pessoas devido ao famoso desenho desanimado dos anos 60, que tinha uma música de abertura marcante e letra sensacional: onde o arco-íris é ponte/onde vivem os imortais/o trovão é seu guarda-mor/o barra limpa, o grande Thor!”.

Esse desconhecimento praticamente acabou depois do lançamento do filme Thor (2011), dirigido por Kenneth Brannagh e com o inexpressivo Chris Hemsworth no papel principal (não tem jeito, não consigo gostar desse cara). O filme até é legal, mas o roteiro ficou muito preocupado em ser mais uma ponte para Os Vingadores e se perdeu, embora tenha seus momentos como o visual de Asgard (uma bela homenagem a Jack Kirby), a excelente interpretação de Tom Hiddleston como Loki e as cenas de ação. Mas valeu por apresentar o personagem, que se destacou mais nos Vingadores. O próximo filme (Thor 2: The Dark World, que estreia em 2013) terá mais liberdade e poderá ser uma bela surpresa.

O Poderoso Thor é uma das mais interessantes criações para o universo dos caras-de-cueca-por-cima-da-calça por um simples fato: quem melhor que um Deus para representar com propriedade toda a aura de divindade que os super-heróis evocam?

Tá vendo como Lee e Kirby foram geniais (mais uma vez)?

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Bruno Alves

Bruno Alves é professor, rabisca de vez em quando uns desenhos por aí e tem sempre uma música tocando em off na cabeça, mesmo quando não está usando headphones. E sim, ele gosta dos Titãs.

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