Toriko chega ao Brasil com sua fome insaciável!

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Toriko chega ao Brasil com sua fome insaciável!

Uma das mais recentes novidades da Panini é o mangá Toriko, de Mitsutoshi Shimabukuro. Creio que para muitos este nome lhes é estranho, mas Shimabukuro não é um mangaká (o termo japonês para artista de histórias em quadrinhos, mangaka no original) novato, então falemos rapidamente de seu percurso até aqui.

Shimabukuro iniciou seu caminho profissional na Weekly Shonen Jump, uma das várias revistas semanais de mangá do Japão, e a mais famosa dentre elas. Sua primeira série, que estreou em 1997, se chamava Seikimatsu Leader Den Takeshi! – algo como “A lenda de um líder do fim do século, Takeshi!”, em tradução livre – um mangá de comédia e fantasia, que contava a história de Takeshi, cujo objetivo de vida era se tornar um grande líder como fora seu pai. O mangá fez sucesso em sua época, até mesmo ganhando um prêmio na categoria de mangás para crianças.

Em 2002 Shimabukuro se meteu em alguns problemas com a famigerada lei, sendo condenado assim a dois anos de prisão. Algum tempo depois a sentença foi suspensa, mas já era muito tarde: devido às acusações seu mangá foi cancelado, quando já alcançava 25 volumes. Ele retornou ao mundo dos mangás com uma obra pouco expressiva em outra revista do círculo Jump, a Super Jump, chamado Ring, focado em esportes e comédia. Por fim, ele retornou à sua antiga casa na Weekly Shonen Jump em 2008, com o lançamento de Toriko, retomando seu sucesso como mangaká.

TORIKO

A história de Toriko se passa em um mundo de fantasia, onde a gastronomia é a paixão de toda a humanidade. Um mundo que gira em torno da comida e de como prepará-la da melhor maneira, com os melhores ingredientes, para garantir o máximo prazer ao paladar. E neste cenário acompanhamos o personagem-título Toriko, um Caçador Gourmet (Bishoku-ya no original, com significado literal de “Provedor de Alimento Gourmet”) que vive a vida à caça dos melhores ingredientes, visando um dia completar seu menu perfeito. O acompanha Komatsu, seu parceiro no combo caçador-cozinheiro, para auxiliá-lo em toda a aventura, exceto nas lutas.

A premissa soa estranha, mas para quem está acostumado com mangás shonen de batalha, sabe que a maioria segue este estilo. E apesar disto, deve-se notar o quão interessante ela é, também. O cenário da Era Gourmet servindo de fundo para o embate contra vilões, onde a busca de ambos os lados é pelo prazer de comer. E este universo estranho é bastante consistente. Ele é desenvolvido com bastante esmero, tendo cuidado de torná-lo convincente, funcional.

À parte da escolha feita por Shimabukuro para o cenário de seu mundo de fantasia, Toriko possui diversas qualidades. O traço apesar de seguir um estilo antiquado é muito bem desenhado e consegue transmitir perfeitamente todo o impacto e emoções que mangás do tipo exigem. Além disso o autor possui um ótimo domínio da história, tanto criativa quanto tecnicamente, sabendo utilizar muito bem todos os clichês do gênero, sem soar prolixo ou lugar-comum. Em termos de batalha, considerando as cenas de luta, coreografia das mesmas e poderes especiais, Toriko traz um dos melhores usos disto tudo dentre os shonen battle famosos atualmente.

Misturando um tanto da bizarrice que podemos encontrar em mangás como Hunter x Hunter e One Piece, e também o mesmo clima de aventura e exploração de mundo que vemos nestes dois – provavelmente até mais – e carregado de originalidade nos alicerces básicos do estilo, Toriko alcançou o terceiro lugar como um dos maiores mangás shonen de batalha do momento, posição antes preenchida por Bleach, e se dada a chance, se mostra uma das leituras mais empolgantes de seu estilo dentre os mangás em publicação.

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Estudante de Geologia e portanto sommelier de RU, leitor voraz de quadrinhos, pretenso escritor, gato polar nas horas vagas e aluno da Escola Mangá Khan de Melodrama.

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