Transmetropolitan 2 – Tesão pela Vida: Spider Jerusalém volta para chutar o pau da barraca!

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Transmetropolitan 2 – Tesão pela Vida: Spider Jerusalém volta para chutar o pau da barraca!

“Legal! Como eu estava dizendo, o jornalismo é apenas uma arma. Ela só tem uma bala, mas se você mirar certo é tudo do que precisa. Mire certo e pode estourar o joelho do mundo…”

Spider Jerusalém

A indústria norte-americana de quadrinhos sofreu um upgrade quando foi invadida pelos escritores ingleses nos anos 80. Eles deram uma sacudida na qualidade das histórias de super-heróis, mas depois conquistaram espaço para publicarem seus projetos autorais – graças ao selo adulto Vertigo, da DC Comics.

Neil Gaiman  (Sandman) e Alan Moore (Watchmen) são os mais emblemáticos desses escritores, praticamente uma unanimidade quando se fala em hq’s de qualidade. Mas existem outros, tão bons quanto esses dois.

Warren Ellis é um deles. Um dos mais criativos e ácidos escritores dessa leva, Ellis criou séries memoráveis como Planetary – uma bela homenagem à cultura pop do século XX que tem citações a personagens do cinema, da literatura e dos próprios quadrinhos – e The Authority – um grupo de super-heróis linha dura que não hesita em matar para defender a Terra.

Mas sua criação máxima é o jornalista Spider Jerusalém, protagonista da série Transmetropolitan, publicada entre 1997 e 2001. Jerusalém é um jornalista gonzo (numa homenagem a Hunter S. Thompson, criador do gênero) que vive em um futuro distópico e assustador – onde convivem lado a lado pessoas metade humanos, metade alienígenas, animais falantes, gatos fumantes de duas cabeças, trocentas seitas religiosas e seres biocibernéticos, entre outras bizarrices.

No volume 1 da série (De Volta às Ruas), Spider Jerusalém é forçado a voltar à cidade depois de passar cinco anos morando nas montanhas fugindo da repentina fama que ganhou. Ele tem de voltar porque assinou um contrato com uma editora e agora precisa escrever dois livros. Para se manter, Jerusalém pede seu antigo emprego de jornalista a Mitchell Royce, editor do jornal The Word.

A partir daí, Spider Jerusalém começa a cutucar todas as mazelas da sociedade como a violência oficial contra um grupo de excluídos sociais, a corrupção política e a programação decadente da TV…. (Hããã, isso não lhe parece familiar?)

Capa_Transmetropolitan_2_1a_CapaA Panini acaba de lançar o segundo volume das aventuras do jornalista abusado. Transmetropolitan Volume 2 – Tesão Pela Vida (preço médio R$ 42,00) tem seis hq’s que podem ser compreendidas mesmo para quem não leu o volume anterior.

Em Namorado é um vírus, Channon, a assistente de Spider, está toda triste porque Zian, seu namorado, decidiu fazer um download nanotecnológico de consciência – um procedimento onde, voluntariamente, a pessoa deixa de existir no plano físico e se torna uma nuvem de nanorobôs flutuante. Para fazer com que ela compreenda e aceite a escolha do seu amado, Spider a leva para assistir o processo e descobre uma verdade inconveniente… e hilária.

Outra Manhã Fria – Maria morreu de ataque cardíaco e teve sua cabeça congelada criogenicamente para ser revivida no futuro, junto com seu marido. Mas tudo deu errado no processo e apenas ela é revivida dezenas de anos depois. Junto com ela, centenas de revividos tentam se adaptar a um mundo completamente diferente. Spider narra, de maneira melancólica e crítica, a situação de pessoas totalmente deslocadas no tempo. A HQ mais triste da edição.

O que fazer para que as culturas humanas não se percam diante do progresso acelerado? Como fazer com que as pessoas conheçam o modo de vida de grupos/sociedades há muito extintas? Simples: criando Reservas Culturais. Semelhante às reservas ambientais onde animais eram mantidos em segurança, essas reservas culturais preservam costumes e tradições do passado, do presente e do futuro. Selvagem no Campo mostra Spider Jerusalém peregrinando por essas reservas e assistindo eventos como sacrifícios humanos na reserva inca Tikal.

As últimas três hq’s são capítulos da mini Congele-me com Seu Beijo. Por causa de suas reportagens reveladoras, Spider Jerusalém fez inúmeros inimigos. Agora esses desafetos vêm cobrar o preço e empreendem uma caçada sem fim pela cabeça do jornalista – além disso, nosso herói tem que acertar suas contas com um filho bastardo sem cabeça, um cachorro-policial castrado que tem convulsões todas as vezes que escuta o nome “Spider Jerusalém” e a cabeça congelada de sua ex-esposa.

A Panini tem feito um belo trabalho editorial com a série: papel de qualidade, capa dura – só faltou colocar mais textos do próprio Warren Ellis, que tinha uma espécie de coluna fixa quando a revista foi publicada pela editora Brainstore.

Se você gosta de jornalismo, quadrinho de qualidade e heróis amorais, com certeza vai se identificar com Spider Jerusalém.

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Bruno Alves

Bruno Alves é professor, rabisca de vez em quando uns desenhos por aí e tem sempre uma música tocando em off na cabeça, mesmo quando não está usando headphones. E sim, ele gosta dos Titãs.

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