Vertigo: 5 séries obrigatórias que mudaram os quadrinhos

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Vertigo: 5 séries obrigatórias que mudaram os quadrinhos

No início deste mês foi anunciado que Karen Berger, a Editora Executiva e Vice-Presidente Senior do selo de quadrinhos Vertigo, da DC Comics, irá deixar o cargo no qual ganhou respeito e elogios dos fãs e da crítica especializada. Em março de 2013, ela passa o bastão para seu sucessor, ainda não definido.

A notícia deixou fãs, artistas e especialistas apreensivos. Será que sem sua criadora o selo manterá o nível de qualidade que sempre apresentou desde que surgiu em 1993?

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Karen foi a responsável pela estruturação da Vertigo e por abrir as portas para a invasão inglesa nos anos 80, que trouxe artistas como Neil Gaiman, Alan Moore, Grant Morrison, Warren Ellis, Mark Millar, Garth Ennis e outros roteiristas da terra da Rainha.

19 anos e centenas de séries depois, a Vertigo virou sinônimo de quadrinho adulto, com hq’s repletas de temas complexos, liberdade criativa e narrativas onde violência, sexo, drogas e política estavam a serviço da história, sem cair na gratuidade.

Hq’s clássicas e adoradas por muita gente – inclusive por quem não era leitor regular de quadrinhos – fazem parte do catálogo do selo, como Sandman, só prá ficar no exemplo mais famoso. Hoje, o selo publica séries renomadas como Fábulas e Vampiro Americano e continua sendo um diferencial no mercado norte-americano.

Mas a Vertigo só se tornou o sucesso que é por causa de algumas séries seminais que inovaram e explodiram as cabeças dos leitores! Com vocês, cinco obras-primas da Vertigo que você deve ler ONTEM!!!

 

1. SANDMAN

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Neil Gaiman ganhou de presente da DC a liberdade para escrever um personagem como bem quisesse. Assim como Morrison, Moore e outros ingleses da turma, ele era fanático pela imensa galeria de heróis da editora. Mas ao invés de resgatar o super-herói dos anos 40, Sandman (e seu sidekick Sandy), ele optou por um caminho diferente e criou todo um novo universo.

Surgia assim, Sandman, a primeira série adulta da DC Comics e que inaugurou, por assim dizer, o selo Vertigo. Neil Gaiman nos textos fodas, Dave McKean nas capas que são obras de arte belíssimas e vários desenhistas deram vida a Morpheus, o Mestre dos Sonhos, um dos Perpétuos (os outros são Morte, Delírio, Desejo, Destino, Destruição e Desespero). Em histórias cheias de lirismo, poesia, terror e inteligência, a saga do personagem se estendeu por 75 edições matadoras, que deixaram um gosto de quero mais e vários leitores órfãos.

Ainda hoje é um sucesso de vendas e referência quando se fala em quadrinho adulto.

 

2. HELLBLAZER

hellblazer-john_constantine_10John Constantine tem uma origem curiosa nos quadrinhos: ele surgiu como coadjuvante nas histórias do Monstro do Pântano escritas pelo bruxo Alan Moore e sua aparência lembrava o cantor inglês Sting simplesmente porque o desenhista John Totleben queria desenhar o Sting.

Constantine é um mago, um anti-herói que conquistou a todos com seu jeito cínico. Mas foi nas mãos do roteirista Jamie Delano que ele ganhou substância e se tornou um personagem palpável. Outros roteiristas de peso trabalharam com Constantine, incluindo aí o maluco do Garth Ennis, autor da excelente Hábitos Perigosos, que serviu de base para o filme meia-boca estrelado por Keanu Reeves.

As hq’s de Constantine são o supra-sumo do gênero horror numa grande editora como a DC e a prova de que qualquer personagem pode se tornar interessante – basta apenas ter o escritor certo.

 

3. PREACHER

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Se você tem estômago fraco ou fortes convicções religiosas, um conselho: não leia Preacher!

A série escrita por Garth Ennis e desenhada por Steve Dillon é um trator desgovernado em termos de ser politicamente incorreto. E o negócio começa pelo plot: Jesse Custer, um pastor com sua fé em crise, é possuído por uma entidade chamada Genesis, fruto da união proibida entre um anjo e uma demônia. Assim, Jesse ganha o Dom da Palavra, que faz com que qualquer pessoa lhe obedeça. Caçado por um assassino enviado pelos anjos, ele descobre que Deus ficou cansado de tudo, abandonou a Criação e saiu caminhando sem destino pela Terra.  

Jesse Custer decide procurar o Criador para lhe cobrar satisfações. Junto com ele, seguem sua namorada Tulipa e o vampiro Cassidy. Na jornada que durou 75 edições, eles enveredam pelos EUA e visualizam um país tomado por violência, fanatismo, injustiças e crueldade, além de cruzarem com os mais diversos tipos de personagens, como o Cara-de-Cu.

Violência explícita, sexo, debates sobre religião, fé, política, amor e amizade são o tempero dessa série inovadora, que provavelmente nunca vai virar filme ou seriado de TV simplesmente porque ninguém terá coragem de adaptar do jeito que ela é.

 

4. OS INVISÍVEIS

Os invisíveisTeoria do Caos, Psicodelia, Drogas, Teorias da Conspiração, Realidades Alternativas, Ativismo Político, Anarquismo, Contracultura, Mitologia, Cultura Pop, Misticismo… ufa!

Tudo isso (e eu devo estar esquecendo de alguma coisa) são temas explorados por Grant Morrison em sua série mais complexa e interessante. Os Invisíveis é um grupo terrorista formado por King Mob, Lord Fanny (travesti carioca com poderes xamânicos), Jack Frost e Ragged Robin, que enfrentam alienígenas extradimensionais infiltrados na Terra e que influenciam decisões políticas e econômicas.

A série é completamente alucinante e, infelizmente, nunca foi publicada na íntegra no Brasil – apenas o primeiro arco saiu pela Panini, que não deu sequência ao título. Com uma paciente pesquisa, dá para encontrar em torrents locadoras da web.

 

5. Y: O ÚLTIMO HOMEM

Y - O Último Homem

A última indicada é a mais nova das cinco séries, mas não menos impactante. Brian K. Vaughan criou um universo inquietante, onde 99,9% dos machos de todas as espécies da Terra simplesmente partiram dessa para melhor de uma hora para a outra, deixando as fêmeas sozinhas num mundo desesperado e cheio de incertezas quanto à sobrevivência.

Para a raça humana, é um golpe fatal. Porém, há uma esperança: Yorick Brown e seu macaquinho Ampulheta são os únicos machos sobreviventes. E após serem descobertos, suas vidas viram um inferno!

Com arte competente de Pia Guerra, a série chegou ao fim no Brasil este mês, com a publicação do último arco de histórias pela Panini.

As hq’s marcantes da Vertigo não se encerram, claro, com essas cinco indicações. Existem outras dezenas de excelentes produções que saíram (ou estão saindo) dos fornos da editora. No Brasil, a Panini publica regularmente a revista Vertigo, cuja fase atual apresenta várias séries do selo – com destaque para Vampiro Americano e Hellblazer.

Boa leitura!!

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Bruno Alves

Bruno Alves é professor, rabisca de vez em quando uns desenhos por aí e tem sempre uma música tocando em off na cabeça, mesmo quando não está usando headphones. E sim, ele gosta dos Titãs.

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