X-Men – E de Extinção: Coleção Marvel Graphic Novels | Crítica

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X-Men – E de Extinção: Coleção Marvel Graphic Novels | Crítica

[rightbox]Com os mutantes dando dinheiro a rodo, a Casa das Idéias fez o óbvio: encheu os fãs de revistas. Então, toneladas de grupos mutantes foram surgindo (X-Force, X-Factor, Excalibur, Novos Mutantes, e por aí vai…), sagas mirabolantes foram engendradas e a cronologia virou um samba do afrodescendente mentalmente prejudicado, com trilhões de mutantes se esbarrando – nos anos 90, tinha mais mutante que gente no universo Marvel.

Foi nesse período que praticamente parei de acompanhar. Li uma ou outra saga interessante, mas era difícil entender o que estava acontecendo. Só vim prestar atenção nos mutunas quando o escocês porralouca Grant Morrison foi anunciado como roteirista.[/rightbox]

Uncanny X-Men 394

[leftbox]Segundo as notícias, ele ia mudar tudo no universo mutante, começando pela extinção dos uniformes coloridos (prá ficar mais parecido com os filmes, claro). O título da revista foi mudado para Novos X-Men, sinalizando as mudanças.

Então, em maio de 2001, New X-Men #114 chegou às bancas. E as reações foram muito divididas – o que era de se esperar de um trabalho do Morrison. No Brasil, a Panini começou a publicar a fase dele a partir da edição 9 da revista X-Men (setembro de 2002), mas a capa escolhida foi a da revista Uncanny X-Men 394, que chamou atenção e deu muito o que falar (Logan tirando uma senhora casquinha da ruiva Jean Grey. Testa coçando, Caolho?).

Morrison ficou nos X-Men por 34 meses e abalou a estrutura dos mutantes. Entre uma esquisitice ou outra, um deslize aqui e outro ali, a fase do escocês é uma das melhores coisas que fizeram com a equipe e só encontra paralelo com a fase do Joss Whedon, igualmente foda.

É justamente o início da fase Morrison que a Salvat lançou recentemente em sua Coleção Marvel Graphic Novels.

É de Extinção (capa dura, 112 páginas, R$ 29,90) compila o primeiro arco da série (New X-Men 114-116), além da introdução do arco seguinte, Imperial (New X-Men 117).[/leftbox]

X-Men – E de Extinção

X-Men – E de Extinção

[rightbox]Na trama, ficamos conhecendo Cassandra Nova, uma nova espécie que pretende dizimar os mutantes da face da Terra. Para isso, ela começa atraindo um membro da familia de Bolivar Trask, o homem que criou os robôs Sentinelas. Donald Trask III é apenas um pacato dentista, mas sua genética facilita o controle dos robôs – e é disso que Cassandra Nova precisa.

E nunca aqueles robôs roxos de sunguinha foram tão assustadores e ameaçadores como nesse arco.

Enquanto isso, alguns mutantes tentam se acostumar com uma misteriosa “mutação secundária” – Henry Mccoy, o Fera, tem sua aparência mudada e fica parecendo um felino; Emma Frost desenvolve a capacidade de transformar sua pele em diamante orgânico e por aí vai.

E contextualizando o cenário, os mutantes estão surgindo mais rápido, o que leva o Dr. McCoy a concluir que a raça humana está prestes a ser extinta, sendo substituída pelos mutantes ou uma nova espécie. Longe dali, Magneto segue comandando a nação mutante de Genosha, um paraíso para o Homo Superior. Ainda numa cadeira de rodas por conta do Wolverine, ele planeja seu ataque final contra a humanidade.[/rightbox]

X-Men – E de Extinção[leftbox]De repente, Cassandra Nova ataca! Genosha é destruída por Sentinelas gigantes e milhões morrem. Na mansão Xavier, a vilã praticamente destroça os X-Men. E o seu segredo é revelado, causando surpresa a todos. Como os mutantes poderão derrotar essa nova ameaça, se eles nem sabem direito o que ela é?

Grant Morrison começa chutando a porta com força. A explicação para a mudança de uniformes é ótima, com Xavier dizendo que a intenção era fazer com que eles se assemelhassem a super-heróis tradicionais e assim não passarem desconfiança para as pessoas. Wolverine dispara: “De repente, eu não tenho de parecer um idiota em plena luz do dia.” As roupas, de couro preto com detalhes amarelos, são um show a parte.

Além disso, alguns mutantes apresentados no decorrer da série nem tem poderes – eles são apenas esquisitos, feios e assustadores, o que justifica o medo das pessoas (nunca entendi porque todo mundo tinha medo de Jean Grey). Morrison também cria mutantes inusitados, como a Não-Garota, que vibra em outra frequência e por isso ninguém a vê; em uma edição, Xavier cita um mutante que seria uma equação matemática.

Por fim, as relações entre mutantes e humanos começa a azedar novamente e a estratégia de Xavier para tentar minimizar essa briga é radical. Ainda temos o misterioso curandeiro Xorn, o envolvimento de Ciclope com Emma Frost e uma reviravolta impactante quase no final da série.[/leftbox]

Isso é Grant Morrison!

E ainda temos o trabalho de excelentes artistas. O melhor deles é Frank Quitely, que infelizmente não desenha todas as edições por conta de seus constantes atrasos – o design das roupas, equipamentos e veículos dos X-Men é dele e ficou muito foda. Mas também tem Ethan Van Sciver, Lenil Francis Yu, Phil Jimenez, Marc Silvestri – a coisa só cai de qualidade quanto entra o mediano Igor Kordey (não vou nem escrever em negrito).

Não sabemos se a Salvat vai publicar todas as hq’s da fase Morrison (que já foram encadernadas pela Panini), mas o arco seguinte, Imperial, já foi anunciado – e nele as coisas esquentam com a entrada do Império Shiar na briga!

Novos X-Men: E de Extinção vale cada centavo!

Nota:

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Bruno Alves

Bruno Alves é professor, rabisca de vez em quando uns desenhos por aí e tem sempre uma música tocando em off na cabeça, mesmo quando não está usando headphones. E sim, ele gosta dos Titãs.

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