Zine XXX– coletânea de hqs feitos por mulheres busca apoio no Catarse

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Zine XXX– coletânea de hqs feitos por mulheres busca apoio no Catarse

“Quadrinhos é coisa de homem.” Durante muito tempo esse foi o senso comum no universo dos quadrinhos: o de que a atividade era exclusiva dos homens, tanto na área criativa quanto no mercado consumidor.

Bullshit dos grandes! Mulheres fazendo quadrinhos (ou cartuns) existem desde o início do século XX, como mostra esse post do blog Lady’s Comics. Além disso, a Mulher Maravilha veio ao mundo logo depois do Superman, tendo se tornado a primeira super-heroína dos quadrinhos. E muito antes disso, em 1883, a índia Inaiá dava uma de heroína nas páginas de As Aventuras de Zé Caipora, quadrinho do italo-brasileiro Angelo Agostini, conforme defende o pesquisador Athos Cardoso nesse artigo.

Atualmente, o número de brasileiras produzindo quadrinhos, cartuns e similares é extenso – o que motivou, por exemplo, a escolha do tema da primeira edição do Salão Internacional de Humor Gráfico de Pernambuco, que aconteceu em 2012, em Recife com sucesso de público e crítica (o salão venceu o HQMix de Melhor Evento de 2012).

É com esse espírito que a quadrinista Beatriz Lopes, do coletivo de quadrinhos Libre, lançou o projeto Zine XXX no Catarse. O objetivo é publicar cinco zines de 24 páginas cada mostrando a produção atual de quadrinistas femininas – e a partir da contribuição de R$ 30,00 você leva os cinco fanzines impressos.

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Beatriz está convocando quadrinistas para fazerem parte da coletânea. Para participar, basta enviar quadrinhos de até quatro páginas (em jpg com 300 dpi) para o email zinexxx1@gmail.com. O projeto também tem um grupo no Facebook.

O projeto está aberto à colaborações até o dia 14 de novembro. Corre lá e ajude a essa idéia sair do papel!

A participação de mulheres na produção de quadrinhos no Brasil ganhou repercussão no meio quando, durante a realização da Feira do Livro de Frankfurt, Maurício de Sousa respondeu à uma pergunta sobre o tema da seguinte maneira:

 

Quando eu era jornalista, mulher na capa de revista vendia muito mais, 70% mais. As revistas com a Mônica na capa vendem muito mais”, brincou. “A mulher ainda não tem essa liberdade sem vergonha que homem tem, de trabalhar sem horários, voltar para casa tarde. Tem outras obrigações além do trabalho, tem que cuidar da casa, dos filhos. Quadrinho exige muito tempo de dedicação. Ainda assim teve uma época na editora que tinha muita mulher, a maioria nissei.

A fala do Maurício repercutiu entre as quadrinistas, causando reações como o artigo Somos Invisíveis? do blog Lady’s Comics e da cartunista Pryscila Vieira em seu blog pessoal.

Porra, Maurício! Podia ter pensado melhor e dado a resposta certa, né? Afinal, nos álbuns da série MSP 50 tem quadrinho feito por mulheres, inclusive uma série de tiras feita pela Pryscila Vieira.

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Bruno Alves

Bruno Alves é professor, rabisca de vez em quando uns desenhos por aí e tem sempre uma música tocando em off na cabeça, mesmo quando não está usando headphones. E sim, ele gosta dos Titãs.

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