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A #LeiDeSakamoto entre a ostentação do funkeiro e do patrão

Ostentação diante da pobreza deveria ser crime previsto em lei? De repente, ser apenas rico e “phyno” perdeu a graça? Conheça e entenda o funk da ostentação.

17dez2012
A #LeiDeSakamoto entre a ostentação do funkeiro e do patrão

Quando Leonardo Sakamoto publicou o texto Ostentação deveria ser crime previsto no Código Penal, o post lhe rendeu um dia inteirinho de trolladas da tuiternation publicitária daquela rede social Twitter – lembra da hashtag #LeiDeSakamoto, que zoava a polêmica do ponto de vista de que parte da criminalidade que tomava contas dos restaurantes de São Paulo era resultado da ostentação da classe média alta paulistana???

Muita gente que é fã do Saka (que saca MUITO sobre trabalho escravo no Brasil – sim amig@s, ainda existe trabalho análogo à escravidão pesadamente no nosso pais varonil…), como dizia, muitos leitores de Sakamoto ficaram #chatiados com o pessoal aloprando o dia todo com o cara. Mas independente de qualquer partido que se tome nesse mercado negro da opinião, tudo aquilo rendeu muitas gargalhadas e um meme intrigante:

geek funk2 thumb Destaques  A #LeiDeSakamoto entre a ostentação do funkeiro e do patrão

O título original do post que gerou o meme era (pelo que se pode ver da url original do post) “Ostentação diante da pobreza deveria ser crime previsto em lei“. Agora eu fiquei com uma pulga atrás da orelha: e quando a ostentação vem de dentro das próprias classes C e D (que segundo os números mágicos do Governo Federal, são cidadãos de classe média todos aqueles que têm renda per capta acima de míseros 291 Dilmas) como é que fica esse negócio aí de ostentação diante da pobreza?

É que a moda da hora no funk paulista se chama Ostentação. Funk ostentação, pra ser mais preciso. É aquela coisa toda de cantar sobre o tênis da Nike, o Camaro Amarelo e a corrente no pescoço, o perfume importado e todo aquele monte de requinte que sempre foi monopólio exclusividade das classes altas e que, de repente, ao longo dessa década lulo-petista, parece ter invadido as classes economicamente mais baixas não só como aquele sonho de consumo da realidade da novela na tevê, mas até certo ponto como desejo realizado diante de uma menos desigual distribuição de renda no Brasil.

De repente, e não mais que de repente, ser apenas rico e “phyno” perdeu a graça: afinal, o bom mesmo é quando a ostentação é exclusivérrima, porque é isso que sempre fez nossa elite Ser especial, né? Ao menos para a Danuza Leão e suas colegas…

Somos todos verdadeiras crianças, e só queremos ser únicos, especiais e raros; simples, não? Queremos todas as brincadeirinhas eletrônicas, que acabaram de ser lançadas, mas qual a graça, se até o vizinho tiver as mesmas? O problema é: como se diferenciar do resto da humanidade, se todos têm acesso a absolutamente tudo, pagando módicas prestações mensais?

O pensamento ou fetiche da exclusividade parece mover a ostentação:

Afinal, uma pessoa só ostenta algo relativamente a quem não possui aquela mercadoria ostentada. Parece ser esta a mesma lógica do reino encantado do Funk Ostentação: a exclusividade, o contar vantagem, o estar por cima, o poder humilhar, mostrar moral e exigir respeito pelas mercadorias que carrega no corpo-etiqueta. Em suma: ostentar. Mas tudo com a maior ~humildade~, claro… icon wink Destaques  A #LeiDeSakamoto entre a ostentação do funkeiro e do patrão

No documentário Funk Ostentação, o diretor do Data Popular (instituto de pesquisa especialista nas classes C, D e E) Renato Meirelles diz o seguinte sobre essa coisa toda do Funk:

Quando era ruim ser das classes C e D e que você não arranjava emprego por morar em uma favela, o grosso da manifestação cultural produzido nas comunidades tinha como interesse o protesto, a reivindicação, a indignação pela sociedade desigual na qual eles estavam vivendo. Quando a vida das pessoas começa a melhorar, o discurso dessas pessoas muda para o de celebração. Não que ainda não haja motivos de protesto, mas o sentimento de melhora de vida é muito maior do que o de dez anos atrás. E o brasileiro gosta de celebrar isso cantando e dançando.

geek funk1 Destaques  A #LeiDeSakamoto entre a ostentação do funkeiro e do patrão

Não sei se a #LeiDoSakamoto vai atingir a rapaziada bacana dessa onda funkeira (e que já começa a chegar nos carrinhos de CDs piratas do Recife), mas o lance é que musicalmente essa coisa toda pra mim é ruim pra caraleo. Uma mistura tosca de kuduro e aquele funk carioca que não tem absolutamente nada a ver com o bom e velho funk dos tempos de James Brown.

Saudades mesmo eu tenho é do tempo em que o MC Marcinho era o sucesso lá da Festa da Escola… ♥

Confira aí o documentário Funk Ostentação, mas se for sair ostentando geral por aí, faça isso com humildade tenha muito cuidado com a tal Lei de Sakamoto!

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André Raboni

blogueiro, historiador; planejamento digital, coordenação de projetos em mídias sociais; editoração, redação digital e Tricolor do Arruda.

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