Cássia Eller e a Flor do Sol – Música inédita lançada 11 anos após sua morte

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Cássia Eller e a Flor do Sol – Música inédita lançada 11 anos após sua morte

Como escreveu certa vez o nosso compadre Murilo Lima, o Rock Brasil não morreu, você que ficou velho e preguiçoso. Concordo e acho que essa afirmação cai bem para aquele saudosista sempre vê o passado com um sonoro “Ahhh, naquele tempo é que era bom…”. Balela: o bom mesmo não tem tempo algum para ser, senão o presente, porque até o passado se realiza no presente enquanto memória, lembrança e narrativa.

Cássia Eller é dessas memórias da nossa música que continuam a se realizar no presente; é dessas pérolas que você está caminhando na rua e do nada se depara com sua voz inesquecível num carro de som ou num boteco qualquer. Mas ela não se resume a lembranças.

Geek_Cassia_Eller_4Causou e desmoronou preconceitos com seus gestos, seus cantos e encantos. Ganhou uma dimensão social enorme durante sua vida quando se postou firmemente contra opressões morais e decidiu expressar e vivenciar plenamente sua sexualidade, criando seu filho com o baixista Tavinho Fialho (que faleceu meses antes do nascimento de Francisco Ribeiro Eller, o Chicão), junto com sua companheira, Maria Eugênia, formando assim sua família.

Depois de sua morte o legado de Cássia despertou uma das mais importantes discussões das últimas décadas no Brasil: a formação de famílias no seio de um lar que se expressa e vive homoafetivamente. Os que acompanharam sua morte lembram que transbordou pelo país, nos meses seguintes, um debate midiático de grandes proporções sobre a guarda de seu filho Chicão.

Geek_Cassia_Eller_FamiliaA família biológica de Cássia não aceitou que a guarda do pequeno ficasse com a companheira da cantora. O pai dela entrou na justiça para conquistar a guarda de Chicão, mas a decisão final foi a guarda provisória compartilhada entre Maria Eugênia e a família biológica de Cássia. Foi o tipo de debate (novelesco-midiático) desses que despertam paixões, expondo lados contrários e favoráveis, mas que sua importância de fato não é a sentença pessoal que cada indivíduo toma como opinião, e sim o impacto geral que o caso provocou sobre a sociedade.

Ainda hoje esse debate está vivo. Primeiro porque há poucas semanas a família biológica de Cassia retomou a discussão em âmbito jurídico, exigindo que a companheira dela preste contas da administração de seus bens. Segundo porque o Brasil ainda está MUITO longe de superar suas debilidades culturais e sociais quando o assunto é homoafetividade, e prosseguimos como o país que mais mata homossexuais em todo o planeta.

Além de todo esse aspecto social, Cássia merece ter lembrado e celebrado o seu lado poesia, o seu lado interpretação inigualável – que em muitos casos praticamente inviabilizou outras versões das mesmas canções que gravou. Como ouvir, por exemplo, Luz dos Olhos sem processar a voz de Cássia no cérebro? Bem difícil…

Poderia falar muito mais sobre essa “figuraça” que chega ao seu cinquentenário de nascimento, onze anos após sua morte com uma música nova pra nossas play-lists. A canção foi apresentada ontem no Fantástico, e segue aí no vídeo:

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blogueiro, historiador; planejamento digital, coordenação de projetos em mídias sociais; editoração, redação digital e Tricolor do Arruda.

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