A vida é pra compartilhar – Novas Lendas da Etnia Toshi Babaa

Música

A vida é pra compartilhar – Novas Lendas da Etnia Toshi Babaa

Só pelo hábito de que Domingo é dia de aguar a calçada, bem-vinda seja aqui toda ironia ácida da banda Mundo Livre S/A no seu mais recente disco, Novas Lendas da Etnia Toshi Babaa, lançado em novembro de 2011.

O disco passeia por timbres eletrônicos muito bem ajustados em arranjos de alta tecnologia sonora, num trabalho que me fez tirar o chapéu de uma vez por todas pra Mundo Livre.

Digo isso porque nunca fui muito fã da banda, apesar de ter ido pra dezenas de shows e desde cedo cultivar sintonia com suas posturas políticas, como por exemplo, na instigante música “O outro mundo de Xicão Xucuru”, gravada no disco O outro mundo de Manuela Rosário (2004), sobre o assassinato covarde do Cacique Xicão na cidade de Pesqueira, interior de Pernambuco.

Pois bem. Os posicionamentos políticos e as referências à tecnologia feitas pela Mundo Livre sempre me cativaram mais do que as próprias músicas. Mas com esse disco Novas Lendas da Etnia Toshi Babaa, resolvi deixar o rancor de lado (“Pernambuco é muito rancoroso, mano…”), e bater palma pra o lugar em que a Mundo Livre chegou: a ironia, bem temperada, crítica e ácida.

Percebi no disco inúmeras referências sonoras a Jorge Ben (que são bem claras) e outras mais inusitadas – e, talvez, involuntárias, como Roberto Carlos, Tom Zé, Monbojó (oi?), Karina Buhr, frevo canção e o clássico grupo Kraftwerk (essas três últimas na música O velho James Browse já dizia…).

Arriscaria até a dizer que a música Cabôcocopyleft faz referência à trilha sonora de algum game antigo que não consigo recordar qual. Fica aí o desafio para os experts leitores do Geek Café descobrirem qual, ou simplesmente me dizer nos comentários que eu estou é viajando…

A única música do disco que não é inédita é a faixa 08, uma releitura da música A Fumaça Do Pagé Miti Subitxxy, gravada originalmente no álbum Combat Samba (2008).

As letras do disco são excelentes e, somadas ao primoroso trabalho de produção musical, resultam num disco dançante, crítico e antenado com algumas práticas dessas internéticas que tanto navegamos.

Como diz a epígrafe legendária do disco, sempre irônica e visionária:

Tudo isso começou…

…em tempos longínquos, dez milênios antes da ascensão do K-ciq Stardust como Sumo Pajé da Magna Esfera. A Via Láctea foi a primeira galáxia a se contaminar com a nuvem bioplasmática, e a máxima etnia INDIA(N)ET mergulhou num longo período de convulsões tecnoéticas que o cosmoprofeta Maquin Toshi qualificou como era do rompimento atômico e da fissura moral.

Mas o auge da ironia no disco fica mesmo com a música Ela é Indie:

“Pois ela é meiga, ela é singela / Remosinha, ela é lindinha e ela é indie / Pois ela me trocou por aquele baixista Original olinda stile (…) / Se emo eu fosse ainda dava pra apelar e chorar / Mas não tem apelo não / Pois eu sou apenas um mangueboy…”

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O download de Novas Lendas pode ser feito aqui. Mas chama atenção o trabalho genial do design gráfico do álbum, que justifica (e muito!) as vinte e poucas pilas que são cobradas pelo disco.

Então é isso. Vale a pena ouvir o disco, comprando ou baixando, pois como

O velho James Browse já dizia à net: interatividade é assim mesmo a vida é pra compartilhar e gozar”

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blogueiro, historiador; planejamento digital, coordenação de projetos em mídias sociais; editoração, redação digital e Tricolor do Arruda.

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