O bang-bang samba cult de Moreira da Silva

Música

O bang-bang samba cult de Moreira da Silva

Nos idos da década de 1950, o Brasil viveu uma febre hollywoodiana e os filmes de bang bang faziam muito sucesso nos cinemas brasileiros de rua. O sucesso era tão grande que todo o gênero western foi adaptado para a imagética sertaneja tupiquinim, e o cowbois dos filmes de velho oeste foram encarnados numa roupagem do cangaço.

Esse fenômeno inclusive aconteceu no Japão pós bombas atômicas. No caso japonês, os pistoleiros foram travestidos de samurais. A fórmula era uma produção com roteiros parecidos em personagens adaptados.

Dois exemplos são os filmes O Cangaceiro (1953), escrito e dirigido por Lima Barreto, com diálogos de Rachel de Queiroz (ganhador de dois prêmios em Cannes) e Os Sete Samurais (1954), feito por ninguém menos que Akira Kurosawa.

Filmes velhgos oeste BR_ JP

Estava lembrando dessas coisas porque vi o trailer do novo filme de Tarantino, Django Livre – que promete destroçar o gênero "western spaghetti" no começo de 2013, quando será lançado.

Mas na verdade esse arrodeio todo é pra falar que a influência dos filmes de cowbói foi tão grande no Brasil, que além de o gênero ter toda uma dedicação da famosa produtora de filmes brasileiros daqueles tempos (a Vera Cruz), também virou alguns sambas muito divertidos com as temáticas do bang bang. Inclusive utilizando o estilo narrativo em terceira pessoa que abriam alguns filmes de "western feijoada" (que lembra até as entradas de desenhos como Pepe Legal, vocês vão reconhecer nas canções).

É o que chamei no título do post de bang-bang samba cult. Aí vão dois bang-bang samba cult interpretados pelo grande sambista Moreira da Silva – o Kid Moringueira.

As composições são de Miguel Gustavo. Além de compositor de jingles famosos, ele também foi o cara quem fez a música que embalou o Brasil na conquista do Tri em 1970, no México: "noventa milhões em ação, pra frente Brasil, do meu coração". A música acabou servindo como publicidade institucional da Ditadura Militar.

Num país onde quase sempre esquecemos os compositores e só lembramos dos cantores, vai bem recordar que essas coisas foram criadas pela cabeça genial do "Michael Gustav".

Bora curtir aí pra começar bem a semana! 🙂

 

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blogueiro, historiador; planejamento digital, coordenação de projetos em mídias sociais; editoração, redação digital e Tricolor do Arruda.

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