O Rock Brasil não morreu, você que ficou velho e preguiçoso

Música

O Rock Brasil não morreu, você que ficou velho e preguiçoso

Outro dia numa mesa de bar com velhos amigos, falando sobre música e virando nobres doses, cheguei à conclusão de que a maioria das pessoas que reclamam do rock nacional, envelheceram, ficaram preguiçosos e não tem muita noção do que realmente aconteceu com o dito cujo.

A verdade é que o Rock Brasil mudou. O estilo que inspirou as mais diversas aventuras de minha adolescência deixou de ser mainstream e passou a ser muito mais influenciado pela cultura pop americana. Podemos sentir isto no som do Fresno, que mesmo tendo músicos de qualidade (caso raro nas bandas que fazem mais sucesso hoje em dia. Vide NX Zero quando teve seu primeiro sucesso estourado), não me agrada simplesmente pelo estilo e não por preconceito. Faço parte de outra geração e pra mim isto não é rock. Simplesmente, mas para minha prima emo de 17 anos estamos vivendo a aurora da produção intelectual capaz de expressar os mais profundos encantos e peripécias da alma mediante ao som.

Em momentos de nostalgia relembrando Ultraje, Titãs, Legião e Cazuza é muito comum que todos compartilhem da ideia de que o rock Brasil está morto e enterrado. Que depois de Mamonas Assassinas o mundo nunca mais foi o mesmo e esta geração Restart não conhece o bom da vida.

Eu não compartilho desta ideia e sou visto com estranhamento sempre que digo que “O Rock Brasil não morreu, você que ficou velho e preguiçoso”. Falo isto porque entendo que cada geração teve seu ritmo marcante (rock, lambada, tango, dance, etc.), mas só porque sua adolescência passou e seus ídolos pararam de produzir (ou produzir coisa boa como o no caso do Barão e Charlie Brown Jr.), não quer dizer que toda aquela cultura se perdeu no vento e que os filhos do Éden não tenham influenciado novos talentos capazes de produzir material de qualidade. Desculpem-me, mas, "Carência de um rock decente" é discurso de gente preguiçosa… Youtube taí pra garimpar, galera. Nada pessoal.

Para mostrar o porquê do meu ponto de vista, selecionei algumas músicas da nova geração que fazem bonito aos ouvidos mais old school como o meu.

 

  • Apanhador Só – Um Rei e o Zé

Uma banda de Porto Alegre, criada em 2003 mas só lançou o primeiro album em 2010. Com riffs de guitarra e linhas de baixo de ótima qualidade, Apanhador Só é uma das minhas melhores descobertas no garimpotube. Os caras conseguiram financiar,via catarse, o projeto para produção do segundo álbum e espero que o segundo trabalho nos traga canções tão interessantes quando esta que compartilho aqui.

 

  • Sugar Kane – Revolução

Pra quem sente falta de uma pegada mais punk rock/hardcore.

 

 

  • Velotroz – Eu, Robô

Formada despretenciosamente no início de 2007 por um grupo de amigos baianos que curtiam se reunir para “tirar um som”. Como seus 8 integrantes são compositores, o resultado é um som bastante peculiar com as mais diversas influencias.

  

  • Volver  – Tão perto, tão certo

Uma banda conterrânea, mas que não precisou utilizar da cota para Recifenses para aparecer nesta lista. Fugindo da forte influência de Chico Science e o movimento Manguebeat, tão forte no cenário pernambucano, Volver é mais “indie” por assim dizer.

 

  • Zander – Pólvora

Conheci a pouco tempo e ainda está no crivo, mas estou gostando bastante do trabalho dos caras. Formado no Rio de Janeiro em 2007, o quinteto Zander possui uma sonoridade mais próxima da geração Playstation, com riffs pesados, porém sem toda aquela melosidade.

 

Passarei a recomendar mais bandas interessantes que for encontrando neste garimpo e conto com sua ajuda. Se você conhece alguma banda que está longe das mídias mas merece um reconhecimento, envie pra gente através da nossa página no Facebook ou no formulário de contato.

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Murilo Lima

Criador e editor-chefe do Geek Café. Administrador entusiasta de novas mídias, inovação e mentes fora da caixa.

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