Paulo Miklos está fora dos Titãs! É o começo do fim ou é o fim?

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Paulo Miklos está fora dos Titãs! É o começo do fim ou é o fim?


Foi nos 80 que bandas importantes surgiram no cenário musical: Legião Urbana, Blitz, Paralamas do Sucesso, Ira, Biquini Cavadão, Camisa de Vênus, Engenheiros do Hawaii, Barão Vermelho, Kid Abelha, Leo Jaime, Capital Inicial, Mercenárias, Ultraje a Rigor, Plebe Rude, RPM e Titãs, para ficarmos apenas naquelas que estavam no front midiático e nas grandes gravadoras – pois também havia grupos pululando nas gravadoras indies.

De todas, os Titãs talvez fosse aquela mais inusitada e anárquica, um caldeirão cheio de inventividade, irreverência e inteligência, distribuída entre seus oito membros: Branco Mello, Arnaldo Antunes, Sérgio Britto, Tony Bellotto, Nando Reis, Marcelo Fromer, Charles Gavin e Paulo Miklos.

A primeira vez que os vi na TV foi no programa do Chacrinha, cantando o sucesso Sonífera Ilha. Fiquei hipnotizado por aqueles oito caras numa performance esquisita, todos vestindo o mesmo modelo de roupa (e o baterista ainda era o André Jung). O primeiro álbum, o homônimo Titãs (1984), é uma delícia que tem clássicos como a já citada Sonífera Ilha, Marvin, Go Back, Querem Meu Sangue e Toda Cor. Ska, New Wave, pós-punk (?).

Titãs – Sonífera Ilha

Foi um sucesso, embora não tenha vendido tanto quanto se esperava. O segundo álbum, Televisão (1985), emplacou quatro hits e também apontava outros caminhos da banda em músicas como Pavimentação e Massacre.

A porrada veio em 1986. Cabeça Dinossauro é um dos maiores discos da música brasileira. Nele, os Titãs chegam derrubando tudo, com letras e arranjos viscerais, no melhor estilo punk.

Depois desse petardo, a banda nos presenteou com as ótimas sequencias Jesus Não Tem Dentes no País dos Banguelas (1987), Õ Blésq Blom (1989), Tudo ao Mesmo Tempo Agora (1991)e Titanomaquia (1993).

Depois disso – e essa é uma opinião extremamente pessoal de um fã – a banda começou a mostrar sinais de cansaço criativo. Acho Domingo (1995) um disco fraco comparando com os antecessores. E de lá prá cá, só voltei a prestar atenção neles com Nheengatu (2014), que tem seus méritos e parece marcar uma nova fase (a banda rejeitou a ideia de “retorno às raízes”), mas ainda assim não me convenceu muito.

Os Titãs ficaram velhos ou fui eu? Preciso escutar de novo.

Talvez esse apagão criativo tenha acontecido pelo fato da banda ter perdido, em sua trajetória, integrantes seminais para a manutenção de sua identidade. Arnaldo Antunes saiu em 1992. Em 2001, o guitarrista Marcelo Fromer foi atropelado e morreu dias depois. Em 2002, foi a vez de Nando Reis abandonar o barco. O baterista Charles Gavin saiu em 2010.

E agora, em julho de 2016, Paulo Miklos anunciou sua saída. Reduzida a 3/8 do grupo que estourou em 1984, a banda afirmou que segue firme (cooptando para a formação o guitarrista Beto Lee, que vai se tornar mais um “não-Titã”, a exemplo do “baterista de apoio” Mario Fabre, que entrou no lugar do Gavin em 2010).

Formação clássica dos Titãs vs Atual

Titãs formação clássica vs atual

Fonte do infográfico: G1

 

Isso me levou a alguns questionamentos:

  • Qual o prazo de validade de uma banda?
  • É melhor se arriscar e tentar se reinventar, mesmo que no processo isso desagrade a fãs e simpatizantes?
  • Ou é melhor seguir fazendo a mesma coisa durante anos, apostando no certo?
  • Ou, ainda, tentar voltar aos “bons tempos”, anunciando que o novo álbum “é um retorno às raízes da banda”, como se fosse uma resposta às críticas do apagão criativo e/ou experimentações que acontecem de vez em quando?
  • Eu não sei a resposta.

Sei apenas que é sintomático notar que a maioria dos nomes que citei no segundo parágrafo desse textão ainda estão na ativa, mesmo que tenham em sua formação atual apenas um dos fundadores.

Eu queria terminar com uma frase clichê, tipo “Os Titãs estão mortos. Vida longa aos Titãs!”. Mas eles estão vivos e vão continuar tentando. Então, vou mudar a frase: “Os Titãs continuam vivos. Boa sorte aos Titãs!”.

Então vou encerrar o texto com uma despedida padrão. Tchau e licença que vou ali escutar o Cabeça Dinossauro.

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Bruno Alves

Bruno Alves é professor, rabisca de vez em quando uns desenhos por aí e tem sempre uma música tocando em off na cabeça, mesmo quando não está usando headphones. E sim, ele gosta dos Titãs.

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