Rick Wakeman e sua jornada ao centro da terra

Música

Rick Wakeman e sua jornada ao centro da terra

Viagem ao Centro da Terra: a trilha sonora

Quem gosta de ficção científica gosta de Julio Verne, o precursor do gênero na literatura. Eu conheci o escritor ainda criança através do filme 20.000 Léguas Submarinas que vi no cinema com meu pai.

Mas o primeiro livro que li de Verne foi Viagem ao Centro da Terra e meu caminho até ele se deu através da música. Ler a resenha que a Fernanda fez do livro  me fez ter um flashback ratatouilliano!

Eu era adolescente e estudava num colégio público no centro do Recife. 1980. Conheci uns caras que, 32 anos depois, ainda são meus melhores amigos. Foi num encontro de final de semana na casa de um deles que escutei pela primeira vez bandas como Pink Floyd, Led Zeppelin, The Who, Deep Purple, Yes… Era comum trocarmos vinis para ouvir e copiar em fita cassete.

Um dos que peguei emprestado foi Journey to The Centre of The Earth, do tecladista inglês Rick Wakeman, integrante da banda de rock progressivo Yes.

Quando coloquei o disco prá tocar em casa levei um susto. O álbum abre com uma puta orquestra sinfônica tocando uma música épica, que tem ao fundo os sintetizadores pilotados por Wakeman e um coral de vozes. E as surpresas foram aumentando no decorrer da audição: tem banda de rock, narração, corais gospel e melodias lindas que contavam a jornada épica do Dr. Otto Lindenbrock, seu sobrinho Axel e o caçador Hans nas profundezas da Terra, perdidos num mundo pré-histórico perfeitamente funcional.

Meu pai, sempre aberto a novos sons, também gostou do que ouviu. Eu fiquei tão apaixonado pelo disco que o escutava praticamente todos os dias. Foi meu pai que me contou, bem resumidamente, a história do livro. Algumas semanas depois, ele me presenteou com uma coleção de clássicos da literatura mundial, que tinha títulos como Moby Dick, As Aventuras de Huck Finn, O Último dos Moicanos e… Viagem ao Centro da Terra. Nem preciso dizer qual eu li primeiro.

O disco de Wakeman foi gravado ao vivo em 1974, no Royal Festival Hall, em Londres. Foi seu terceiro álbum solo. O tecladista, rodeado por uma montanha de sintetizadores, foi acompanhado pela Orquestra Sinfônica de Londres, pelo Coral de Câmara Inglês, por uma azeitada banda de rock e pelo ator David Hemmings, que narrou a história entre uma música e outra.

A junção de orquestra, instrumentos elétricos, coral, teclados e narração foi o grande diferencial desse disco. A obra não é 100% perfeita, a narração às vezes cansa, mas o resultado é positivo.

Wakeman dividiu o disco em quatro partes. “The Journey” e “Recollection” estão no lado 1 do álbum; “The Battle” e “The Forest” no lado 2. Há ainda a citação de “In the Hall of Mountain King, do compositor clássico Edvard Grieg. Entre as músicas com letra e a narração, há longos e belos trechos instrumentais.

Confiram a abertura:

The Journey

By horse, by rail, by land, by sea, our journey starts
Two men incensed by one man’s journey from the past
In Iceland, where the mountain stood with pride
They set off with their guide
To reach the mountain side
Roped as one for safety through the long descent
Into the crater of volcanic rock they went
Look up from our telescopic lens,
One star for us to share,
We continue on our prayer.
Crystals of opaque quartz, studded limpid tears,
Forming magic chandeliers, lighting blistered galleries

Segue com Recollection. Vejam que beleza o coral de vozes que começa em 3:33!

Memories of a life on earth go flashing past,
Of home of Grauben, friends of whom he’s seen his last
Contemplating what his life’s been worth,
While trapped beneath the earth,
An embryo at birth
Pain and fear destroy the beauty I have seen,
Of caverns, where no other man has ever been
Silurian epoch hosts me as my grave,
My final blow I wave,
A life too late to save
Crystals of opaque quartz, studded limpid tears,
Forming magic chandeliers, lighting blistered galleries.

A conclusão é simplesmente épica! O trecho da música de Grieg começa em 7:07 e vai num crescendo até o apoteótico final do show!

Foi a resenha da Fernanda que me fez tirar o disco da estante e escutar na íntegra. E aí, é ou não é uma trilha sonora à altura do livro?

Curiosidade:

Wakeman fez um show em Recife no início dos anos 80. Alguns amigos foram, mas meu pai não me deixou ir. #mimimimi

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Bruno Alves

Bruno Alves é professor, rabisca de vez em quando uns desenhos por aí e tem sempre uma música tocando em off na cabeça, mesmo quando não está usando headphones. E sim, ele gosta dos Titãs.

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