Rua, no mínimo era isso – do Absurdo

Música

Rua, no mínimo era isso – do Absurdo

Em maio de 2011 a Rua lançava seu primeiro disco. Teatro Arraial lotado para o lançamento – lembro como se fosse hoje daquele domingo à noite. Intitulado Do Absurdo, o disco traz 13 músicas de um repertório sofisticado e poético, com sonoridades experimentais e minimalistas que circulam entre o trip rock, o free jazz, o blues e o samba, e mais um monte de coisa muito difícil de ser colocada dentro de gavetinhas sonoras.

A música No mínimo era isso abre o disco ao som de uma marimba de vidro tocada coletivamente e anuncia o que vem por aí…

Segundo os próprios músicos da banda relatam em seu site:

Classificar o som da banda recifense Rua talvez crie uma expectativa pouco provável de ser correspondida. A música é resultado de um emaranhado de influências de quatro instrumentistas/compositores curiosos em explorar e expandir possibilidades estéticas musicais.”

A banda é formada por Caio Lima (voz e sintetizador), Hugo Medeiros (bateria e marimba de vidro), Nelson Brederode (cavaco e bandolim) e Yuri Pimentel (baixo e baixo acústico). Recentemente se incorporou à Rua, Bruno Giorgi (sampler).

Muito bem recebido pela crítica, o disco traz várias composições belíssimas, como Às bolas de gude, que vocês podem escutar clicando logo abaixo.

Pra ouvir o disco do Absurdo, é só dar uma chegada na página da banda no Sound Cloud.

Rua tocando na última edição do festival Coquetel Molotov - foto: Flora Pimentel

Para os leitores do Geek Café conhecerem melhor esse trabalho, fiz uma breve entrevista com os caras da banda, que segue logo abaixo:

André Raboni – Ouvindo o disco do Absurdo é possível captar uma grande variedade de referências sonoras do rock, blues, free jazz, trip hop, pós-rock, minimalismo e mesmo do samba. Como é a relação de vocês com a música, o que vocês bebem musicalmente para chegar até os sons que envolvem o disco?

Rua – A Rua se formou nos corredores da UFPE, por pessoas daquelas que vivem música em boa parte de seu tempo. Por vezes todos estão ensaiando, compondo, se apresentando, tendo ou dando aulas. Compartilhamos o que escutamos e fazemos observações, um grupo de estudo mesmo .Com o passar do tempo fomos convergindo nas músicas a serem ouvidas não perdendo a liberdade individual de ouvirmos também o que sempre gostamos e que não tem nada a ver com o som da banda e mesmo assim, acaba influenciando também. Sendo mais preciso, podemos dizer que o disco tem influência de alguns trabalhos que ouvimos durante o processo de composição, e ainda mais durante as gravações do disco. Podemos dizer que tem uma influência conceitual em relação a ritmo de Steve Coleman, que é um saxofonista que se mantém sempre em busca de evoluir e criar novas possibilidades na música, e Steve Reich, que é um dos maiores nomes do minimalismo. E em relação à sonoridade final, acho que podemos citar o Sigur Rós e o Radiohead, com suas sonoridades multi-sensoriais.

André Raboni – Quem ouve e lê o disco do Absurdo atenciosamente percebe que vocês têm um trato bastante cuidadoso com a poética das músicas. Como se dá esse processo de criação musical, e como aconteceu a realização do projeto gráfico do disco?

Rua – Achamos que o nosso disco é muito subjetivo e tem ar "multi-sensorial". Pra nós, isso é potencializado pelas letras, que trazem imagens completamente surrealistas à mente. Juntou-se a isso todo o conceito do projeto gráfico, executado por Bruno Medeiros sobre pinturas de Rodrigo Acioli e Tiago Acioli, que foi uma espécie de transposição do conceito musical do minimalismo.

André Raboni – Qual a relação de vocês com a internet, ou melhor dizendo, de que forma a internet tem colaborado com o trabalho musical de vocês?

Rua – É um meio barato de propagação do nosso trabalho e muito eficaz. Pretendemos usar todas as possibilidades possíveis da rede para expor nossa música além do estudo da música. A gente é da geração que pegou o finzinho da fita cassete, o auge do CD e o auge da MP3. Em relação ao processo de composição do disco muito, a Internet foi a salvação que possibilitou a gravação do disco, já que apenas metade deste disco foi composto presencialmente. Em janeiro de 2010, ainda antes do anúncio do resultado do FUNCULTURA, Yuri, nosso baixista, se mudou para o Rio de Janeiro e continuamos compondo o disco trocando partituras pela internet. Graças à internet pudemos gravar a partir destas partituras, mandamos o material pro Rio, onde foram gravadas as partes de baixo, e recebemos tudo de volta pra mixagem. Então, a internet foi imprescindível em todo o processo. Aliás, não só a internet, mas a tecnologia em geral, já que estamos ensaiando em cima das gravações de baixo que estão no disco, sem a presença de Yuri.

Pra quem quiser ver os caras em ação, assistam ao vídeo Ensaio sobre o absurdo, filmado e editado pelo cineasta recifense Diogo Luna – que também faz parte do coletivo Fabrica-Si: Artes & Delírios.

blogueiro, historiador; planejamento digital, coordenação de projetos em mídias sociais; editoração, redação digital e Tricolor do Arruda.

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