Se a MTV Brasil acabar, você vai sorrir, chorar ou #tantofaz?

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Se a MTV Brasil acabar, você vai sorrir, chorar ou #tantofaz?

Desde que a Folha de S.Paulo divulgou que o grupo Abril estaria negociando a venda da MTV Brasil, trocentos posts, matérias e threads têm sido publicadas por aí. A MTV Brasil negou que esteja sendo negociada, mas a especulação rendeu um assunto interessante: que diferença faria na nossa vida a extinção do canal?

Lendo uma thread do Outer Space sobre a extinção do canal, conseguimos fazer um razoável filtro sobre as opiniões que circulam o tema. Elas variam entre uma certa nostalgia ácida do tipo "a MTV já foi boa, mas está uma bosta", e na mesma linha "Boa era na época do Garganta e Torcicolo e do teleguiado", passando pela indiferença do "ta ai uma coisa não vai mudar a minha vida…", até a crítica da visão nostálgica como: "Se eles mantivessem o formato de clipes a toda hora já teriam fechado faz tempo, a não ser q se rendessem a tocar "tchu tchá" e variantes".

E, claro, a gente lê por lá as tais fórmulas pornô-mágicas para que o canal tenha um sucesso avassalador: "Me dá a porra da emissora que eu mostro a formula do sucesso. Programas com Malandrinhas, Aconteceu no Motel, Emanuele, Teste de fidelidade e coisas do genero o dia todo."

Hermes e RenatoOutras opiniões dão conta de que a MTV teria um formato de programação ultrapassado, porque hoje em dia quem quer assistir um clipe, vai no Youtube e vê. Não existiria mais aquela expectativa para um lançamento do novo clipe do Red Hot, ou para a nova turnê de Roger Waters, et cetera. Apesar de quase não ver MTV (aliás, quase não vejo tevê, essa é a verdade…), eu tenderia a concordar com esta visão sobre o formato ultrapassado, mas discordo por dois motivos.

Primeiro: é justamente por causa da popularização do Youtube que a MTV Brasil vem remodelando sua programação na última década, dando maior foco para programas de humor em vez de videoclipes.

Segundo: o canal conseguiu ter jogo de cintura, até certo ponto, pra se adaptar à internet, criando pontos interativos com as redes sociais na sua grade de conteúdo, produzindo "competições" de fãs para votarem nos clipes que querem ver na televisão, e essas coisas.

votorama

Bandas como O Teatro Mágico, por exemplo, que conseguem ter uma grande relevância nas redes sociais, conseguem ganhar destaque na programação não só por ter uma legião de fãs jovens que fazem parte do target da MTV, mas também por fazer um trabalho muito bom de community manager na internet e criar um diferencial nas votações a partir da mobilização de seu público para participar das votações.

TM na MTV

Mas o fato é que a televisão ainda é uma grande influenciadora da internet. Basta ver como tantas hashtags e trends diários do Twitter são conectados com programas de televisão. Novela e futebol são dois tipos de conteúdo que toda semanas estão entre os termos mais comentados, e ali mesmo no calor da hora em que estão passando na tevê, pulam quase instantaneamente para os TTs.

Existe ainda aquela turma que diz que a programação da MTV Brasil é uma merda mesmo, que só passa programa idiota e tal, e que com o passar dos anos os bons programas foram saindo da grade e dando lugar a programas estúpidos.

MTVBRASIL

A questão é que esse é um ponto de vista bastante subjetivo e geracional. Eu por exemplo gostava muito mais do escracho underground do Gordo a go-go do que das piadinhas sacais do PC Siqueira ou desses programas de namoricos. Mas o João Gordo era uma fórmula que funcionou muito bem para aquela geração Raimundos quero ver o ôco, e que possivelmente seria um fracasso pra essa geração Restart calça verde de grilo falante.

Pra mim um possível fim da MTV faria pouca diferença. Mas a questão é que por pior que a MTV Brasil possa ser, por mais que já não ocupe o mesmo lugar de influência e "criação de modas", sua venda para algum grupo que torne sua concessão um canal evangélico (como se especulou) seria um pesadelo muito maior…

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blogueiro, historiador; planejamento digital, coordenação de projetos em mídias sociais; editoração, redação digital e Tricolor do Arruda.

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