Agente Carter 1a. Temporada – Critica

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Agente Carter 1a. Temporada – Critica

Eu não preciso da aprovação do Agente Thompson ou do Presidente. Eu conheço o meu valor!

A frase acima, dita pela agente Peggy Carter no último episódio de Marvel’s Agent Carter , mostra bem o tom que permeou toda a série, que se passa em um período machista ao extremo, no qual todos os colegas de trabalho enxergam Carter apenas como uma peça decorativa, a ex-namorada da lenda Capitão América, relegada a servir cafezinho e atender telefones.

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Como já citado aqui, a série acerta ao tocar no assunto, principalmente por não tratá-lo com didatismo.

Quando escrevi minhas primeiras impressões, a série estava em seu 4o. episodio e minha dúvida era se nos quatro restantes ela conseguiria dar conta da trama. Pois não é que conseguiu?

Alem da competente direção de arte e da trilha sonora, a série nos deu um vislumbre do passado do Universo Marvel ao: mostrar Anton Vanko, pai do vilão Whiplash, vivido por Mickey Rourke em Homem de Ferro 2; reintroduzir o Comando Selvagem (de Capitão América: O Primeiro Vingador); introduzir o vilão Dr. Faustus, figurinha fácil nas hq’s do Capitão América; mostrar o árduo e sangrento treinamento das meninas russas no programa Viúva Negra; reintroduzir o vilão Arnin Zola.

Todas essas aparições deixam pistas da interligação da série com os filmes do MCU.

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A partir do episódio 5 (The Iron Ceiling) a série se torna imperdível. É aqui que o Comando Selvagem reaparece, a primeira Viúva Negra da o ar de sua graça (Dottie Underwood, bela e aparentemente frágil, torna-se uma antagonista de peso para a heroína) e o cabeça por trás da organização Leviatã aparece – o Dr. Ivchenko (a.k.a. Dr. Faustus) e sua assustadora técnica de controle mental. Quando ele e Arnin Zola se encontram, a primeira coisa que pensei foi: Soldado Invernal!

E o episódio 5 tem duas excelentes sequencias: a primeira quando Carter reencontra o Comando Selvagem e todo o grupo liderado por Dum-Dum Dugan praticamente cai aos pés da agente, deixando os agentes da SSR sem entender nada – a diferença é que o Comando Selvagem lutou ao lado de Peggy e conhece o seu valor, enquanto os colegas a veem como um impecilho; a segunda é o encontro de Dugan e seus soldados com uma singela e assustada garotinha numa prisão russa que termina com a morte de um agente é um soldado ferido – a criança nada mais era do que uma letal mini-Viuva Negra!

Nos três episódios finais todas as pontas se fecham (apesar do ritmo apressado) e o plot da série é concluído a contento, além de deixar possibilidades de desenvolvimento para uma (ainda não confirmada) segunda temporada.

Focando mais no desenvolvimento da trama e dos personagens do que em cenas de ação (o que normalmente se espera de uma série baseada em quadrinhos), Marvel’s Agent Carter se diferencia de suas irmãs (Arrow, The Flash, Constantine, Gotham e Agents of SHIELD) pelas ousadias e por mostrar que o modelo norte-americano de séries está caduco faz tempo, com temporadas de 23 episódios que obrigam os roteiristas a encherem linguiça enquanto desenvolvem a trama básica – e tome “vilão/monstro/metahumano/wathever” da semana.

Se as séries comuns trabalhassem com pequenos arcos fechados de oito episódios, por exemplo, teríamos tres arcos desenvolvidos e concluídos em uma temporada. Mas o modelo caduco continua e séries como Arrow e Gotham, por exemplo, sofrem com isso.

Por fim, ao salvar a pátria Peggy Carter tem o reconhecimento de seus pares na SSR – mas isso é rapidamente esquecido quando um político adentra a agência com seus assessores e parabeniza o Agente Thompson pelo bom trabalho. E é nesse momento que a agente solta a frase que abre este post. No fim, descobrimos que o maior inimigo da nossa heroína é o machismo.

E numa cena tocante, Peggy Carter se desfaz da última lembrança de Steve Rogers e segue em frente com sua vida. Esperamos que ela retorne em breve para mostrar novamente aqueles bundões da SSR quem é que sabe das coisas.

 

 

 

 

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Bruno Alves

Bruno Alves é professor, rabisca de vez em quando uns desenhos por aí e tem sempre uma música tocando em off na cabeça, mesmo quando não está usando headphones. E sim, ele gosta dos Titãs.

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