Arrow – 3ª Temporada: run, DC, run!!!!

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Arrow – 3ª Temporada: run, DC, run!!!!

Aviso logo que escrevo essa crítica sob o efeito da primeira temporada da série Demolidor (Marvel/Netflix).

Dito isso, só me resta afirmar: como as coisas ficaram difíceis para as séries baseadas em quadrinhos de super-heróis depois do Demolidor…

Mas vamos ao que interessa…

arrow-terceira-temporada-04[rightbox]Assim que estreou, Arrow surpreendeu.

Primeiro, pelo fato da Warner/DC ter corrigido os erros que cometeu em Smallville; segundo, por utilizar um personagem do segundo escalão do universo DC depois de ter feito sucesso por 10 anos com o medalhão Superman – e digo isso levando em consideração o público leigo que esse tipo de série busca atingir, pois para mim Oliver Queen faz parte do time A, vindo logo atrás do Batman.

Se por um lado essa escolha tinha como objetivo a liberdade para mexer com o personagem, por outro poderia ter sido um fiasco.

Afinal, quem conhece o Arqueiro Verde? Porém, a pegada “realista” no melhor estilo Nolan conquistou o público, tanto fãs quanto neófitos.

As mudanças foram bem-vindas e a série brindou os leitores de quadrinhos com toneladas de easter-eggs, homenagens e vilões.

Eu cheguei a dizer que se continuasse assim, Arrow tinha tudo para ser a melhor série de super-herói da televisão.
A segunda temporada só veio confirmar o que eu disse. Que season foda, cheia de ação, drama e um vilão motherfucker (Slade Wilson, o Exterminador, vivido pelo ator Manu Bennet), culminando na transformação de Oliver Queen de vigilante a herói de Starling City.

Mas aí chegou a terceira temporada e… Fuén fuén fuén fuéééénnnn, melou tudo![/rightbox]

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A temporada começou até bem, com o time Arrow (Arsenal, Diggle, Felicity e Canário Negro) agindo em sincronia, como uma verdadeira equipe, salvando a cidade do mal.

E, mantendo a pegada de surpreender a cada episódio, logo no final do primeiro episódio temos o misterioso assassinato de Sarah Lance, a Canário Negro.

A trama da morte da heroína rendeu e apresentou o vilão da temporada: Ra’s Al Ghul, que já tinha sido citado anteriormente.

Ainda tivemos a volta de Malcom Merlyn e Thea Queen, agora uma ninja treinada pelo seu pai vilanesco.

Foi aí que a temporada começou a ficar chata, por vários motivos:

► O excesso de dramalhão romântico mexicano, típico das séries do CW, que transformou uma personagem legal como Felicity Smoak num porre;

► Os flashbacks, recurso que funcionou bem nas temporadas anteriores, ficou chato porque se tornou obrigatório, jogado em pequenas pílulas que geralmente quebrava o ritmo da trama no presente;

► A versão pífia de um dos maiores vilões da DC, Ra’s Al Ghul, tomado emprestado do Batman. O ator (Matt Nable) até que não é tão mal, mas faltou imponência, altivez. Ou talvez o Liam Neeson.

► Como se isso não bastasse, a trama do vilão em tornar Oliver Queen seu substituto é totalmente chupada das HQs do Batman – Ra’s sempre quis que o detetive casasse com sua filha Talia e comandasse a Liga dos Assassinos;

► Achei legal a introdução de Ray Palmer, que nos quadrinhos é o alter-ego do herói Atom (Elektron no Brasil). Pena que Brandon Routh é fraquíssimo e não possui nenhum carisma. Pelo menos ele encolheu e fugiu de ser a versão cospobre do Homem de Ferro.

Por conta desses fatores (poupei vocês de outros) e da falida estrutura padrão de 23 episódios, a temporada ficou arrastada e sonolenta. Eu cochilei em dois episódios.

Num, eu voltei o vídeo para ver o que perdi; no outro, acordei já perto do final e deixei pra lá.

Mas nem tudo são rios de lágrimas. Algumas coisas se salvam e uma delas é a interação com a série-irmã The Flash.

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Os episódios onde os personagens das duas séries interagem são os melhores, inclusive com impactos nas tramas – ver a Canário Negro (Dinah Lance, que assumiu o manto da irmã) emitindo seu potente grito sônico, mesmo que artificial, foi muito bom, principalmente por conta do gadget ter sido aprimorado por Cisco.

E o que seria do Team Arrow se não fosse o Flash para tirá-los das masmorras de Nanda Parbat? O melhor é ouvir o Diggle repetir “nunca vou me acostumar a isso” sempre que vê o Flash.

E a inclusão do Poço de Lázaro jogou de vez pro alto a premissa original de “não teremos coisas impossíveis nessa série”. Eu achei ótimo. Quem quiser “realismo” tem os filmes do Batman pra ver (P.S.: eu adoro a trilogia Nolan, ok?)

arrow-terceira-temporada-03[leftbox]Duas heroínas deram o ar da graça na season finale: Katana, bastante fiel aos quadrinhos, e Speedy, identidade de Thea Queen, que agora faz parte do Team Arrow.

A temporada termina com um Oliver Queen feliz (coisa rara) e tomando uma decisão inusitada. Será um sinal de que na próxima temporada ele voltará modificado e mais próximo do Arqueiro Verde dos quadrinhos? Além disso, o eterno vilão Malcom Merlyn, que dessa vez ajudou os heróis (claro que por motivações nada altruístas) alçou o posto máximo da vilania ao se tornar o novo Cabeça de Demônio. O que será que ele vai aprontar mais pra frente?

Com uma queda acentuada de qualidade, a terceira temporada de Arrow sofre mais ainda quando confrontada com o produto da parceria Marvel/Netflix. Tudo bem que a DC fez primeiro uma série de um vigilante urbano que se torna um herói. Mas a Marvel fez melhor.

Espero Oliver Queen voltar na quarta temporada ostentando um cavanhaque, mais relaxado e defendendo ideias de esquerda. Quem sabe assim a série não volte a ser legal e tão boa quanto a do seu amigo velocista (essa sim uma declaração de amor aos gibis, como a do Demolidor).[/leftbox]

Nota: duas canecas de café com limão

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Bruno Alves

Bruno Alves é professor, rabisca de vez em quando uns desenhos por aí e tem sempre uma música tocando em off na cabeça, mesmo quando não está usando headphones. E sim, ele gosta dos Titãs.

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