Arrow – Primeira Temporada | Crítica

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Arrow – Primeira Temporada | Crítica

Eu já tinha cantado a bola aqui mesmo de que a série Arrow, que adapta o personagem dos quadrinhos Arqueiro Verde, poderia ser uma bela surpresa no gênero super-herói na telinha.

Com o final da primeira temporada, volto aqui para dizer: eu estava certo!

Com mais acertos do que erros, a série manteve a qualidade e, particularmente nos seus últimos epísódios, conseguiu dar aos espectadores uma tensão crescente que culminou numa season finale épica, que deixa muitas perguntas ao mesmo tempo em que abre novas possibilidades de desenvolvimento.

Arqueiro Verde Begins

Arrow

Depois do sucesso de Smallville, a Warner precisava de uma série para preencher a lacuna no gênero super-herói. Como o Batman estava impedido por causa da franquia cinematográfica, a escolhida foi a Mulher-Maravilha. O projeto caminhou, mas o piloto não foi aprovado pelo estúdio. De volta à estaca zero, o estúdio vasculhou sua extensa galeria de personagens à procura de uma cara conhecida do grande público.

Aí ela decidiu apostar no Arqueiro Verde, já que o personagem foi um dos destaques de Smallville, a ponto de se tornar um personagem fixo.

Só que, acertadamente, a Warner deixou de lado essa história de drama-adolescente + vou-ser-um-herói-fodão-no-futuro-mas-agora-sou-novinho e engendrou uma trama mais adulta e mais realista, com uns toques da concepção de Christopher Nolan para o Batman no cinema – o que também foi estratégico, porque sem superpoderes a série custa menos.

E funcionou.

Sem ‘monstro da semana’

Arrow-wallpaper

Basicamente, a origem do Arqueiro Verde da telinha é a mesma dos quadrinhos: Oliver Queen é um playboy inconsequente e arruaceiro que sofre um naufrágio e fica perdido em uma ilha por cinco anos. Nos quadrinhos, ele retorna dominando o arco e flecha e decide se tornar um super-herói. Simples assim.

Na tv, isso não funcionaria. Então, inteligentemente, todo um background foi criado para sustentar as motivãções do personagem.

Oliver sobrevive ao naufrágio junto com seu pai e ficam à deriva em um bote salva-vidas durante dias. Com as provisões de água e comida acabando, o velho Queen decide que seu filho deve sobreviver e se mata. Mas antes, ele pede para que Oliver sobreviva para voltar a Starling City e redimir os erros que cometeu com a cidade.

shado-teaching-oliverAo chegar à ilha, Oliver descobre que não está sozinho. Primeiro, ele trava contato com Yao Fei, que praticamente salva sua vida. Depois, encontra todo um grupo de mercenários liderados por Edward Fyers.

Cinco anos depois, ele é resgatado da ilha e volta à cidade com uma missão: riscar do caderno do seu pai o nome de cada um daqueles que falharam com a cidade. Diggle and FelicityOliver se torna o vigilante conhecido como Capuz e começa a caçar os empresários e políticos corruptos de Starling City.

No meio de sua missão, ele descobre que uma conspiração está em curso na cidade. O que ele não sabe é que o misterioso ‘Empreendimento’ tem o envolvimento de sua mãe e do pai do seu amigo Tommy Merlyn, e que o naufrágio foi resultado de uma sabotagem.

Embora alguns aspectos do seriado sejam baseados em quadrinhos específicos do personagem, a trama é original (quer dizer, mais ou menos. Será que pagaram direitos autorais a Chris Nolan?) e permitiu que houvesse um desdobramento de historias:

  • A missão de Oliver em riscar os nomes do caderno
  • Os flashbacks contando o que aconteceu com Oliver na ilha
  • A conspiração
  • O percurso de Oliver para se tornar um herói além da ‘lista’
  • Os flashbacks sobre a conspiração (já nos últimos capítulos)

Com tantos cenários sendo explorados a série ganhou agilidade e evitou o que temíamos: o-nome-riscado-da-semana prá encher linguiça enquanto o plot principal ia sendo desenvolvido lentamente (tipo o monstro-da-semana de Arquivo X e o esquisito-afetado-pelo-meteoro em Smallville).

As referências

Assim como em Smallville, Arrow é repleta de referências ao Universo DC Comics. Para quem nunca leu um gibi, elas passam despercebidas; mas para os fãs, são um complemento que garantem alguns momentos de alegria. O fato de um dos criadores e roteiristas da série ser o Marc Guggenheim, veterano escritor de quadrinhos da DC e Marvel, contribuiu muito para isso.

VertigoSó prá citar alguns: Diggle, o braço-direito de Oliver, é homenagem a Andy Diggle, escritor de quadrinhos que escreveu Arqueiro Verde-Ano Um; a cidade do Hal Jordan (Lanterna Verde), Coast City, é citada no episódio 17; o avião prestes a ser derrubado por Fyers é da Ferris Aeronáutica, empresa de Carol Ferris, namorada do Lanterna Verde; a droga verde chamada Vertigo que causa Slade Wilsonvertigens, é uma adaptação do supervilão Conde Vertigo, que tem um super-poder similar.

Além disso, diversos personagens dos quadrinhos deram o ar da graça, como Helena Bertinelli (A Caçadora), os vilões do Batman Deadshot e Vagalume; China White, da série Arqueiro Verde-Ano Um; Slade Wilson, o Exterminador, vilão modafoca que já deu um cacete na Liga da Justiça; e Roy Harper, que nos quadrinhos já foi Speedy, o sidekick do Arqueiro Verde.

Ah, e no episódio Year’s End, durante o jantar na casa dos Queen, Malcom Merlyn comenta que o vigilante merecia um nome melhor do que Capuz e sugere “Arqueiro Verde”, ao que Oliver responde: “Ridículo!”. Smiley de boca aberta

A Season Finale… e agora?

Apesar de achar que o Stephen Amell (Oliver Queen) melhorou, ainda acho o ator meio travado no papel – mas nada que comprometa muito.

Arrow-1a-temporada-Poster-04Os destaques do elenco ficam com Susanna Thompson (Moira Queen), David Ramsey (John Diggle), Paul Blackthorne (Detetive Quentin Lance) e a gracinha da Emily Bett Rickards (Felicity Smoak), hacker de plantão e assistente do herói – uma referência à Oráculo, papel similar desempenhado nos quadrinhos por Bárbara Gordon – que ganhou destaque na segunda metade da série.

E, claro, o excelente John Barrowman (o eterno Capitão Jack Harkness de Torchwood) como Malcom Merlyn a.k.a. Arqueiro Negro roubou a cena na pele do vilão principal e articulador do Empreendimento.

Os quatro últimos episódios de Arrow foram irrepreensíveis. As pontas soltas de algumas histórias foram fechadas e a season finale foi épica – confesso que a ‘redundância’ de Malcom Merlyn me pegou de surpresa. O final de alguns personagens não me agradou (olá, Tommy Merlyn), mas os criadores merecem parabéns por simplesmente terem dado uma rasteira em todos nós.

Arrow mostrou que é possível fazer um programa de super-herói baseado em quadrinhos com respeito ao original mesmo implementando mudanças e abre caminho para novas experiências. Só espero que a Warner saiba terminar a série no momento certo e não fique esticando a corda só prá ganhar uns $$.

Mas o maior desafio da Warner é fazer uma segunda temporada tão boa quanto a primeira. Algumas histórias ainda tem pano prá manga para serem exploradas, como a interessante estadia de Oliver na ilha e o destino de Slade Wilson e Shado, enquanto outras aparentemente foram concluídas. Depois dos eventos do último episódio, fica a pergunta: como será o relacionamento entre os principais personagens da série?

Só outubro poderá nos dizer…

Arrow - Elenco

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Bruno Alves

Bruno Alves é professor, rabisca de vez em quando uns desenhos por aí e tem sempre uma música tocando em off na cabeça, mesmo quando não está usando headphones. E sim, ele gosta dos Titãs.

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