Arrow – mas pode chamar de Arqueiro Verde Begins

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Arrow – mas pode chamar de Arqueiro Verde Begins

Reza a lenda que no início dos anos 1940 mais de 400 super-heróis infestavam as bancas de jornais dos EUA, criados no embalo do Superman e do Batman. Vislumbrando encher os bolsos de dinheiro, os editores começaram a encomendar personagens similares ao Azulão e ao Morcego.

Uma dessas cópias foi o Arqueiro Verde, criado em 1941 por Mort Weisinger e George Papp. Oliver Queen era um playboy milionário que durante uma bebedeira caiu do seu iate e foi parar numa ilha, onde ficou por alguns meses. Lá, aprendeu a usar um arco e flecha rudimentares para sobreviver. Quando voltou, decidiu combater o crime e adotou um visual que remetia ao herói Robin Hood.

O Arqueiro Verde era um herói menos sombrio e mais divertido do que o Morcego. E também tinha seus gadgets: flecha-móvel, flecha-jato, flecha-caverna… Santa flechada, Batman! E, claro, tinha um sidekick chamado Speedy – identidade de Roy Harper, garoto adotado por ele. No Brasil, o personagem foi chamado de Ricardito.

Arqueiro Verde

O Arqueiro é meu segundo personagem preferido da DC. Sempre gostei do seu jeito turrão e sua visão política meio de esquerda, meio anarquista, que ele adotou nos anos 70. Ele teve grandes participações em várias sagas da DC, sendo a mais famosa aquela onde peregrina pelo coração dos EUA ao lado do Lanterna Verde para mostrar os males da sociedade. E não dá para esquecer dele no clássico Batman O Cavaleiro das Trevas, onde aparece como um velho resmungão que teve o braço arrancado pelo Superman.

Nas telonas

Sempre achei que o Arqueiro merecia um filme pela sua pegada mais urbana com consciência social. E ele quase aconteceu. Tinha o título provisório de Supermax e ia mostrar Oliver Queen preso injustamente numa penitenciária, tentando escapar para provar sua inocência e no processo quebrando o pau com alguns vilões do universo DC – alguns dos quais ele mesmo colocou atrás das grades. Premissa foda, que infelizmente não foi para frente.

Nas telinhas

Aí veio o seriado Smallville e tivemos um Arqueiro Verde repaginado. Era Oliver Queen, era rico, mas era muito jovem. Mesmo assim, o ator Justin Hartley encarnou bem o personagem. Tanto que durante um tempo uma série própria do Arqueiro Verde foi planejada.

Aí Smallville acabou. E o seriado do Arqueiro Verde foi confirmado. Só que com outro ator e outra proposta.

Ainda bem!

Arrow!!!

 

Desde os primeiros teasers pudemos ver que Arrow, a série do Arqueiro, não seria Smallville. Na verdade, o clima está mais para Batman Begins – pronto, nolarizaram as séries de TV. A origem do personagem se manteve intacta. Ele ainda é Oliver Queen (Stephen Amell), playboy milionário inconsequente – a ponto de transar com a irmã de sua namorada, Dinah Lauren Lance (Katie Cassady), durante uma viagem de iate onde também estava seu pai. Uma tempestade afunda o barco e a moça morre. Oliver, seu pai e outro tripulante conseguem escapar e ficam à deriva num bote por dias. Por fim, Oliver é o único sobrevivente e vai parar em uma ilha, onde fica longe da civilização, que o considerava morto.

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Cinco anos depois ele é resgatado e volta para Starling City, só que não é mais o mesmo Oliver Queen de antes. Cheio de cicatrizes pelo corpo e um olhar petrificado, ele carrega uma caderneta cheia de nomes de pessoas com poder político e financeiro, com as quais precisa acertar as contas para redimir os erros do pai e limpar a cidade. Para cumprir a missão, decide usar um disfarce e adota o arco e flecha como arma.

O episódio piloto já mostra alguns easter-eggs logo no início, como a máscara do vilão Exterminador ainda na ilha. Outras referências aos quadrinhos são os nomes de alguns personagens citados, como o advogado Grell (alusão a Mike Grell, quadrinista que melhor desenvolveu o personagem); o guarda-costas de Oliver, John Diggle (David Ramsey), é referência ao escritor Andy Diggle (Arqueiro Verde: Ano Um) e Tommy Merlyn (Colin Donnel) lembra Merlyn, o arqueiro negro inimigo de Queen. Thea (Willa Holland), a irmã adolescente de Oliver, tem o apelido de Speedy, o mesmo nome do parceiro do Arqueiro – e seu envolvimento com drogas é uma grande referência à uma HQ clássica dos anos 70 onde o herói descobre que seu sidekick é viciado em cocaína.

máscara do exterminador

Eu gostei dos dois episódios exibidos até aqui, apesar das liberdades tomadas. Assim como em Begins, vemos Oliver construir seu equipamento e estabelecer sua “flecha-caverna” em um armazém abandonado das indústrias da família.

Há alguns clichês clássicos, como a decisão de manter a aparência de um playboy irresponsável para poder proteger as pessoas ao seu redor. Mas nada que comprometa. As cenas de ação estão ok, Oliver quebra alguns pescoços e espeta alguns capangas com suas flechas – definitivamente, esqueça Smallville!

E logo no primeiro episódio ficamos sabendo que há uma conspiração por trás de tudo, com envolvimento até da mãe de Oliver. Nas imagens e teasers de divulgação dos próximos episódios, já podemos ver ícones da vilania da DC, como Slade Wilson, o Exterminador. Pelo que foi mostrado, a série vai ter assunto prá dar e vender nessa primeira temporada, já que temos alguns cenários alternativos para desenvolver a trama: o passado do pai de Oliver, a verdade sobre o que aconteceu a ele na ilha, porque a máscara do Exterminador está na ilha, qual o segredo por trás da mãe de Oliver; e ainda tem as perguntas nerd tipo: a Dinah Laurel Lance se tornará a Canário Negro? Outros heróis da DC vão dar as caras? Esse Arqueiro Verde vai aparecer no filme da Liga da Justiça? Quem matou Carminha?

A série estreou nos EUA no dia 10 de outubro e teve uma audiência de 4 milhões de espectadores! Todo esse sucesso imediato fez com que a Warner encomendasse os 22 episódios para uma primeira temporada. Ainda é muito cedo prá dizer, mas se continuar nesse ritmo, Arrow pode se tornar a melhor série de TV de um super-herói depois de The Flash (mal aê, Smallville).

No Brasil, a série estreou dia 22/10 no canal Warner.

Arrow-Poster-01

Bruno Alves

Bruno Alves é professor, rabisca de vez em quando uns desenhos por aí e tem sempre uma música tocando em off na cabeça, mesmo quando não está usando headphones. E sim, ele gosta dos Titãs.

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