Legion – 1a. Temporada | CRÍTICA

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Legion – 1a. Temporada | CRÍTICA

Uma série que tem o Pink Floyd em sua trilha sonora e uma personagem chamada Sydney “Syd” Barrett já teria chamado minha atenção mesmo que não fosse lá essas coisas todas.

Porem, esse não é o caso de Legion, produção da Fox desenvolvida pelo showrunner Noah Hawley (criador de Fargo) e que faz parte do universo mutante do estúdio – porém, não pergunte onde ela se encaixa na já complicada cronologia dos mutunas no cinema. E quer saber de uma coisa? Isso não importa!! Na produção, temos as mãos de Brian Synger e Laura Donner & Cia, os mesmos da franquia cinematográfica.

Além dos mimos para um pinkfloydiano de carteirinha, a série que tem como protagonista David Haller, o mutante filho de Charles Xavier, é um achado que se diferencia – e muito – de suas irmãs do gênero.

Depois que Arrow estreou com sucesso em 2008, dezenas de produções baseadas em quadrinhos chegaram às telinhas – e nesse caldeirão você encontra séries de todos os níveis de qualidade. Embora algumas tenham começado bem e hoje beirem a vergonha alheia (estou falando de você, Flash!) e sigam, no geral, uma fórmula recorrente, elas rendem dinheiro. Então, a tendência é termos mais e mais séries baseadas em quadrinhos até que o filão se esgote.

E é aí que Legion se diferencia de suas irmãs.

Primeiro, porque Hawley não nos entrega uma narrativa linear, feijão-com-arroz e previsível; segundo, porque apesar de ter um X em seu logotipo e o personagem fazer parte do universo quadrinhístico dos X-Men, nada na série faz referência ao gênero super-herói (a não ser por sequencias pontuais espalhadas pelos capítulos), perfeitamente perceptível em programas como os do CW e, com uma pegada mais crua, nas produções da Marvel/Netflix.

Tudo em Legion nos causa estranheza ao primeiro olhar. A não-linearidade narrativa, a direção de arte, os cortes abruptos, a interpretação um pouco acima do tom de alguns personagens, a atemporalidade… tudo isso vem junto em um caldeirão que desafia nos nossos sentidos e nossas convenções confortáveis de “como uma série deve ser para eu gostar dela”. Toda essa ousadia nos entrega uma série que foge do lugar comum ao mesmo tempo em que entra num terreno perigoso: o de se superar (ou de manter o nível sem ficar repetitiva).

Mas… que Legião é essa que dá título à série?

Senta que lá vem história…

Legion

David Haller (Dan Stevens, de Downtown Abbey e a Fera do novo filme da Disney) é diagnosticado com esquizofrenia desde criança. Durante sua vida, passou por diversos hospitais para tratamento. Porém, o próprio David não sabe que é um poderoso mutante psíquico que não consegue controlar seus poderes. Em um de seus surtos, ele mata uma pessoa. Quando o conhecemos, está sendo mantido prisioneiro em uma instalação secreta. Resgatado por mutantes de outra organização, David começa a perceber que é muito mais do que um homem com problemas mentais. Nesse universo conturbado de dúvidas e descobertas, onde a realidade nunca é o que aparenta ser, ele precisa libertar sua mente dos horrores que vive desde a infância.

Para ajudar David nessa jornada, contamos com Sydney Barrett (Rachel Keller), uma jovem que tem fobia a contato físico porque esse simples ato pode ser desastroso; Ptonomy Wallace (Jeremie Harris), que pode viajar pelas memórias; Cary Loudermilk (Bill Irwin) e Kerry Loudermilk (Amber Midthunder), irmãos que habitam o mesmo corpo e podem se separar, sendo Cary o cérebro e Kerry a responsável pela porradaria. Liderados por Melanie Bird (Jean Smart), eles tentam salvar David de um misterioso inimigo que se infiltrou em sua mente – uma das representações físicas dele é Lenny, numa interpretação intensa e inesquecível da Aubrey Plaza!

Nas hq’s, David Haller recebe o codinome de Legião porque ele tem múltiplas personalidades, centenas delas vivendo em sua mente, cada uma com um poder mutante diferente! Foi Haller que, nos quadrinhos, provocou sem querer a Era do Apocalipse! O personagem foi criado por Bill Sienkiewicz e Chris Claremont.

O fim e o que vem por aí

Com poucas mas impactantes cenas de ação e focando mais na loucura que é conhecermos a mente instável de David, Legion se destaca por trazer, em apenas oito capítulos, um novo fôlego ao gênero “séries de super-heróis”, mostrando que é possível sair das fórmulas prontas e inovar.

Ah, ia esquecendo: além de Pink Floyd, ainda temos músicas da deusa Nina Simone e de bandas como Talking Heads e The Who na trilha sonora!

Como nem tudo é perfeito, o último capítulo é o mais “regular”, diria até um pouco frustrante depois da overdose de coisas novas que Hawley nos mostrou. Mas não é nada que comprometa o resultado! Além disso, há enormes expectativas para a segunda temporada (que já foi garantida) depois da interessantíssima cena pós-créditos!

Que venha a segunda temporada! Que venha mais Pink Floyd na trilha sonora!!! E que Legion influencie, positivamente, os showrunners das séries de super-heróis!

NOTA: cinco canecas de Irish Coffee!!!

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Bruno Alves

Bruno Alves é professor, rabisca de vez em quando uns desenhos por aí e tem sempre uma música tocando em off na cabeça, mesmo quando não está usando headphones. E sim, ele gosta dos Titãs.

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