Marvel’s Agents of SHIELD: já pode cancelar?

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Marvel’s Agents of SHIELD: já pode cancelar?

Parece um absurdo falar que uma série pode ser cancelada depois de apenas cinco episódios. Afinal, ainda teremos 18 episódios e, nesse meio tempo, ela pode mostrar ao que veio.

Mas se tem uma coisa que aprendi sobre narrativas é que se você não seduz seu leitor/espectador/ouvinte nos momentos iniciais da história, ele pode se entediar e ir embora. E aí, é você que está fazendo alguma coisa errada.

Marvel’s Agents of S.H.I.E.L.D. estreou debaixo de uma expectativa gigantesca devido, claro, ao estrondoso sucesso do blockbuster Os Vingadores. E a notícia de que o piloto teria as mãos de Joss Whedon (uma cria da tv, pai de Buffy e Firefly, roteirista de uma das melhores fases dos X-Men nos quadrinhos) no roteiro e direção animou todo mundo.

Na crítica do primeiro episódio, eu comecei falando que não deveríamos julgar uma série pelo episódio piloto. Mas, cinco episódios depois, acho que já dá prá julgar, concordam?

Vejamos…

Os trailers do último episódio exibido (Girl in The Flower Dress) davam a entender que Shiro Yoshida, o mutante japonês conhecido como Solaris ia dar as caras – um japonês com poderes flamejantes! Mas… fuén fuén fuén fuén… mas um personagem genérico envolvido com uma organização secreta que está testando uma fórmula para dar ou ampliar superpoderes – a tal tecnologia Extremis, que vimos em Homem de Ferro 3. Ou seja, igualzinho ao primeiro episódio onde todo mundo achava que aquele cara era o Luke Cage.

Custava, Marvel? Se não podia usar o Solaris porque ele é mutante e está vendido a outro estúdio, então não deveriam provocar.

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Quem está segurando o programa, até agora, é Clark Gregg com seu Phil Coulson – mas, até quando ele vai conseguir carregar o piano? Os demais atores/personagens continuam não mostrando ao que vieram com suas atuações burocráticas e personagens rasos e relacionamentos desinteressantes (Skye e Ward). Nem as nerdices de Fitz-Simmons estão ajudando.

Os roteiros continuam simplórios. Falta ousadia. Não basta citar os personagens d’Os Vingadores – no 5º episódio citaram o Capitão América –, nós queremos vê-los, nem que seja num monitor de vídeo contracenando com a equipe. “Ah, mas um minuto de Robert Downey Jr. custa uma fortuna!” – ah, se virem. Vocês que nos encheram de expecativas.

Não basta apresentar personagens genéricos que lembram personagens clássicos dos quadrinhos Marvel: NÓS QUEREMOS VER OS PERSONAGENS CLÁSSICOS DOS QUADRINHOS MARVEL!

geek-agents-marvel-2Continuo assistindo, forçadamente, prá ver se existe alguma luz no fim do túnel e qual é, afinal de contas, o mistério por trás da ressurreição de Coulson – no episódio 4 uma das personagens “superpoderosas” da vez pergunta o que aconteceu a ele. A agente May responde: “Ele quase morreu em Nova Iorque, mas conseguimos salvá-lo.” Aí a personagem pergunta: ‘Sim, mas o que fizeram a ele?”. A agente May não entende a pergunta e a mulher deixa por isso mesmo.

Será que a SHIELD fez algum pacto com o demônio Mefisto para ressuscitar o Agente Coulson? É isso. Tire a marca MARVEL e a série vira uma série comum de investigação de casos bizarros. O pior é que ela poderia ser tão divertida quanto os filmes do Homem de Ferro (incluindo aqui o fraquinho HF3) ou épica como o filme dos Vingadores – material para isso a Marvel tem, afinal são 52 anos de sagas épicas nos quadrinhos.

Acho que já dei meu recado. Agora licença que tá na hora de assistir Arrow, uma série fodástica de super-heróis de uma tal DC Comics.

Bruno Alves

Bruno Alves é professor, rabisca de vez em quando uns desenhos por aí e tem sempre uma música tocando em off na cabeça, mesmo quando não está usando headphones. E sim, ele gosta dos Titãs.

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