The Flash – 1ª Temporada: uma declaração de amor aos gibis

The Flash - Temporada 1

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The Flash – 1ª Temporada: uma declaração de amor aos gibis

the-flash-critica-03[leftbox]Quando o CW anunciou que faria um spin-off da série Arrow com o velocista escarlate da DC, eu fiquei feliz e com medo. Feliz porque o CW tinha a chance de resgatar uma das melhores séries de super-heróis já produzidas: The Flash, que fez a alegria dos fãs nos anos 1990 do século passado.

E com medo porque o CW podia fazer um estrago fenomenal ao personagem se o trouxesse para o lado Nolan da Força e transformasse Barry Allen num sujeito em crise, sombrio, amargurado, dividido entre ser um herói ou um policial e blá blá blá blá.

Felizmente os produtores/roteiristas/criadores leram os quadrinhos com atenção. E decidiram fazer diferente. T

he Flash não seria sombrio, mas também não seria bobinho. The Flash seria um gibi em live-action, uma série que não tem vergonha de assumir suas origens e que para demonstrar isso nos deu um emocionante episódio chamado “Grodd Lives!”.

Onde mais apareceria um gorila inteligente e telepata se não numa série como The Flash?[/leftbox]

the-flash-critica-02[rightbox]Interligada com Arrow, a série foi responsável por quebrar o código de realismo adotado pelo programa do Batman Arqueiro. E em seus 23 episódios, nos deu tanta alegria quanto a série de um tal advogado cego da Cozinha do Inferno.

Estrelado pelo jovem Grant Gustin, a série, apesar de sofrer do mesmo mal das demais e ter 23 episódios, não economizou nas reviravoltas e resoluções de tramas.

Nenhum episódio, por mais “vilão da semana” que tenha sido, deixou cair o ritmo ou esqueceu de avançar com o plot principal.

A origem do personagem é bastante fiel a dos quadrinhos. Só que aqui ele tem um mentor: Joe West (Jesse L. Martin), seu pai adotivo, detetive da polícia de Central City e pai de Íris Allen (Candice Patton), pela qual Barry nutre uma paixão platônica desde a infância.

Barry foi morar com eles depois que seu pai biológico foi preso acusado de ter matado sua esposa- quando na verdade, Nora Allen foi assassinada por um velocista trajando uniforme amarelo, diante dos olhos do Barry ainda criança.[/rightbox]

14 anos depois, Barry é um perito criminal na polícia de Central City e investiga todo caso estranho com o objetivo de encontrar pistas sobre o homem que matou sua mãe – embora ninguém acredite nele.

Ao sofrer um acidente causado pela explosão do acelerador de partículas do Dr. Harrison Wells, ele entra em coma e, ao despertar, descobre que adquiriu poderes. Assim como dezenas de outras pessoas.

Está criado o mote da série: vilões superpoderosos que precisam ser detidos enquanto nosso herói tenta descobrir o paradeiro do velocista assassino, ao mesmo tempo em que aprende a usar suas novas habilidades.

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Para ajudá-lo nessa missão, Barry conta com a ajuda do Dr. Wells (o excelente Tom Cavanagh), proprietário do Star Labs e responsável pela sua recuperação após o acidente com o acelerador; Cisco Ramon, engenheiro mecânico do StarLabs e o nerd de plantão, responsável por nominar todos os meta-humanos que aparecem e por criar o traje do Flash; e Caitlin Snow, bioengenheira que perdeu seu noivo, Ronnie Raymond (Robbie Amell), na explosão do Acelerador.

Apostando num tom mais leve do que o visto em Arrow, o CW acertou em cheio pois essa pegada é bem fiel ao personagem.

the-flash-critica-01[leftbox]Já no primeiro episódio ficamos sabendo que Harrison Wells é muito mais do que aparenta ser: numa sala secreta do StarLabs, ele levanta de sua cadeira de rodas e aciona um computador que lhe mostra um jornal do futuro que relata o desaparecimento do Flash em meio a uma crise. Mais à frente, descobrimos que ele é Eobard Thawne, o Flash Reverso vindo do futuro, responsável pelo assassinato de Nora Allen e que ficou preso em nossa linha temporal.

A grande ousadia da série foi a de inserir, já na primeira temporada, viagens no tempo e, consequentemente, criar linhas temporais alternativas. No episódio 15, “Out of Time”, ao tentar impedir um tsunami causado pelo metahumano Mark Mardon, Barry corre tão rápido que volta no tempo e altera os acontecimentos.

Tecnicamente, ele está vivendo em uma linha temporal alternativa. E ao descobrir isso, Barry questiona se seria possível voltar mais longe no tempo para salvar sua mãe.

Quem já viu a HQ (ou a animação) Flashpoint sabe que essa não é uma boa ideia…[/leftbox]

Outra coisa legal foram as homenagens ao seriado dos anos 1990. O pai de Barry é interpretado pelo ator John Wesley Shipp, que foi o Flash; a atriz Amanda Pays reprisou seu papel de Tina McGee, que nos anos 1990 era cientista do StarLabs.

the-flash-critica-05[rightbox]Mas a melhor de todas foi a participação de Mark Hammil reprisando o papel de James Jesse, o histriônico vilão Trickster dos anos 1990!

Num episódio genial (17 – Tricksters), um novo Trickster ameaça Central City, o que leva Barry e Joe a pedirem a ajuda do vilão original, preso por atentados terroristas executados décadas atrás.

O eterno Luke Skywalker deu um show e mostrou ter se divertindo como nunca, com direito a citações a Breaking Bad e a icônica frase “I am your father!!!”.

Em “Rogue Air” (episódio 22), Barry junta forças com o Arqueiro e Nuclear para enfrentar o Flash Reverso, que solta vários “spoilers” do futuro, como disse ao derrubar Oliver Queen: “A história diz que você vai morrer aos 86 anos…”.

Faltando apenas um episódio, havia muitas pontas soltas na série. Ficou o receio de que tudo fosse feito às pressas. Mas “Fast Enough” foi uma season finale épica e, ao contrário de fechar tudo, abriu infinitas possibilidades para a próxima temporada.[/rightbox]

Com essa season finale, os produtores/roteiristas da série confirmaram que não há limites para The Flash, inclusive por terem mostrado que existem múltiplas realidades coexistindo (e pelo fato do produtor Greg Berlanti ter afirmado que outros velocistas deverão aparecer nas próximas temporadas).

Tem tanta referência nesse último episódio que alguns nerds devem ter suado pelos olhos.

Será que a noticia estampada no jornal do futuro de Eobard Thawne se tornará realidade? Vai haver uma Crise nas Infinitas Terras na TV? E qual o papel dos demais viajantes do tempo desse universo televisivo (Rip Hunter e Vandal Savage, do novo spin-off DC’s Legends of Tomorrow) nesse evento?

Por fim, li muitos comentários pelas interwebs de gente reclamando da série – que ela é feia boba e infantil. E é mesmo. Como os gibis que a inspiraram. Afinal, quer coisa mais infantil do que homens e mulheres superpoderosos usando roupas colantes supercoloridas trocando sopapos com outros homens e mulheres superpoderosos usando roupas colantes supercoloridas?

E o que dizer então de um gorila telepata que quer dominar o mundo?

The Flash é uma declaração de amor aos quadrinhos de super-herói da Era de Prata – que foi inaugurada, vejam só, pelo Flash/Barry Allen na revista Showcase #4 (setembro/outubro de 1956)!

Run, Barry, run!!!!!

NOTA: quatro canecas de café expresso (TI-DUM-TISSSSSS)

Bruno Alves

Bruno Alves é professor, rabisca de vez em quando uns desenhos por aí e tem sempre uma música tocando em off na cabeça, mesmo quando não está usando headphones. E sim, ele gosta dos Titãs.

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